sexta-feira, 6 de junho de 2014

Nua e crua


Durante todo o que me lembro da minha vida sempre dormi e me alimentei mal, com preguiça e auto-estima zerada. Sempre que podia me isolava, tinha constantes crises de choro, meu rendimento escolar era péssimo, faltava muita aula ou dava um jeito de ir embora cedo. 

Sempre tive dotes de fácil inteligência e aguçado raciocínio, além de timidez em expressar publicamente. Vivi de amores platônicos. Já fui criativa e inventiva, muito sonhadora e mais aventureira, daquelas que gosta de correr risco e encarar desafios. Gostava de viajar, cinema, arte, música e praia é comigo mesmo, mas sou também extremista naquilo que é meu e do outro. Gosto de presentear e fico tímida ao ser presenteada, companheirismo e amizade um dia foram meus fortes. Regularmente sou honesta, mas as vezes desonesta em emitir a essência da verdade em alguns momentos para não ferir pessoas, gosto de apreciar eletrônicos em seu interior e o mundo jurídico.

Apesar das coisas boas, sempre de uma hora para outra, sem motivo aparente, a alegria dava lugar à tristeza. Não tinha vontade de fazer absolutamente nada. Deixei de sair, de frequentar as aulas da faculdade e até de conversar com os meus amigos. A única atividade que ainda fazia era navegar na internet. Era uma forma de passar os dias, que eram cada vez mais longos e insuportáveis. Se não pudesse usar o computador, simplesmente deitava e ficava horas na cama e na TV.

Embora soubesse que não estava bem, não admitia que precisava de ajuda. Falava que apenas queria ficar quieta. Por muito tempo não procurei um médico, para mim era uma fraqueza moral que deveria ser enfrentada com força de vontade, até que não aguentei. Consultei uma psiquiatra, que identificou em mim depressão. Mesmo sem acreditar, confiei no profissional e fazia tudo o que ele dizia, tomava os remédios corretamente e fazia terapia. Mas me sentia fraca e envergonhada, não falava com quase ninguém sobre o meu problema. Algumas vezes que resolvi falar senti incompreensão de colegas e familiares. Depois abandonei o tratamento porque estava me sentindo bem e achava que o que tinha acontecido era besteira.

Após certo tempo, com um novo trabalho e grandes conquistas comecei a me irritar com coisas banais e quanto mais oportunidades de crescimento me surgiam inversamente era o meu rendimento profissional. Minha vida ficou uma droga quando me vi como uma profissional que eu próprio não admirava. Procurei novamente um médico, iniciei o tratamento, mas continuei a negar a doença até novamente interrompê-lo.

Me preocupo muito com minha imagem estigmatizada como alguém que faz corpo mole, é baixo-astral e sem pique. Quando resolvi fazer uma cirurgia não tão urgente para esconder a minha verdadeira incapacidade de ir trabalhar é que percebi quão grave estava a situação.

Muitas vezes tenho me resguardado em silêncio no isolamento de meu quarto para não trazer preocupações mais para família e gerar um somatório ainda mais elevado dos sentimentos de culpa, já que o companheiro inseparável da depressão, hospedeiro constante de minha corroída mente de desprezo, comungando com os mais ousados pensamentos de profunda solidão e desgosto. No entanto, tenho serias dificuldades em aceitar minha condição no contexto social e vivo atormentada sistematicamente pela ansiedade e oscilantes depressões.

O complicado é ter estímulo para recomeçar, acreditar em algo novo, reencontrar a felicidade. Diante de um processo de sensibilidade emocional desequilibrada e fragilizada, me sinto decepcionada, uma vergonha para a familia e colegas de trabalho. Minha mente afirma que não tenho mais credibilidade. Muitos me julgam, outros me definem e há aqueles que apenas criam a mulher descompromissada. O preconceito faz parte da minha vida.

Eu sou apenas uma farmacodependente que sobrevivo dia após dia. Minha personalidade está se destruindo gradativamente. Meu desinteresse em tudo – até mesmo em melhorar, que dá impressão que “não quero me ajudar” – chega a ser a parte mais cruéis disso tudo, pois acaba justamente com a minha credibilidade e minha vontade. Não é preguiça ou má vontade: as vezes simplesmente não consigo querer nada – nem melhorar. E isto resulta em um completo desânimo e isolamento de vida.

Não quero desistir de mim, mas abrir a mente para uma nova vida se torna impossível quando não existem oportunidades. Tento encontrar maneiras para sentir alegria, mas vivo em pleno estresse crônico, o que contrai e reduz o meu prazer em viver.

“Você acha que depressão é frescura? 
Você acha que o depressivo tem que reagir e não focar no problema? 
Você acha que você está imune à doença?
Se você respondeu sim a qualquer uma das perguntas acima você, assim como a maioria da população mundial, não sabe nada sobre a doença depressão, mas repete como papagaio as frases feitas que solidificam os pré-conceitos, e pior, passa a acreditar nelas. 

Você que não tem, não vai entender mesmo, mas não adianta dizer para o doente “não se concentrar no problema” ou o famoso “você tem que reagir!” Seria o mesmo que dizer para um paraplégico: “levante e corra! corra!”. Também não adianta dizer: “você precisa se ocupar”!
                        Não o recrimine, isso é doença!
Não insista para eu sair, pois tudo o que preciso é do apoio silencioso de alguém em quem confio. O melhor é se informar sobre o assunto, clarear as ideias, e vamos aproveitar para fazer um exercício muito bom para a humanidade: não julgar, não julgar, não julgar!” 
Fonte: http://www.pensamentosfilmados.com.br/br/depressao-e-frescura/

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Dor fisica x dor na alma

A dor não surge apenas por estimulação periférica,
mas também por uma experiência da alma,
que reside no coração". Platão
Por um momento comecei a sentir certo incômodo no abdomem, após um exame simples foi constatato uma pedrinha de 1cm dentro da vesícula. Após a consulta tentei, sem pedir ajuda, ou atrapalhar os afazeres de outras pessoas, fazer minha cirurgia. No entanto o meu esforço foi em vão, pois não se tratava de emergência, então tinha exames pré-operatórios e data marcada para a cirurgia.
No meio tempo desses acontecimentos por mais que eu tentasse esconder, minha familia descobriu o que estava ocorrendo e algumas pessoas começaram a me ligar e se dispor a me ajudar. Esses atos de preocupação e cuidade me fizeram sentir uma ENORME dor na alma. Por quê?
Porque não me acho merecedora da preocupação de ninguém e hoje senti que ver pessoas preocupadas dói mais do que qualquer outra coisa, me faz até esquecer da dor física que sinto. A fisica, consigo suportá-la, mas não suporto ver os outros preocupados comigo, acho que: não mereço, não vale a pena, é injusto alguém se preocupar com uma pessoa com tantos defeitos... Como alguém pode se preocupar com uma pessoa egoísta como eu? Como alguém pode gostar de quem não tem um pingo de amor próprio?
Uma dor tão grande, dor na alma, que aquela dorzinha fisica de um órgão interno tornou-se ínfima, suportável. E essa me deixou em prantos. Então resolvi refletir sobre o assunto e cheguei à conclusão que essa pedra foi causada por essa dor que eu insisto constantemente em aceitar.
O que podemos dizer sobre aquela dor que muitos definem como dor d'alma ou dor no coração, mas que, na verdade, não há nada que a comprove nos exames laboratoriais? É claro que muitos acreditam na dor, tanto física quanto emocional. Mas qual o significado da dor emocional?
A dor que vem de dentro, sem nenhum estímulo concreto externo; Na verdade, a dor emocional é uma só: ela depende exclusivamente de quem a sente, geralmente sentida em silêncio, no escuro do quarto, sem que ninguém mais saiba, porque em geral ela será reprimida se a expressar, assim como aprendemos desde crianças.
Eu nego essa dor, eu não acredito nela e mesmo que ela me machuque muito, no final me faz sentir como uma fraude. Como explicar aos outros o que os exames não mostram? Até que chegou o dia em que meu corpo reagiu e foi aos poucos criando uma pedrinha para que eu pudesse gritar bem alto: “- É real! Está aqui!” Foi necessário meu corpo produzir uma pedra dentro de mim para eu me sentir verdadeira, em dor.
Senti um grande alívio com a materialização, mesmo que por conta disso eu tenha que suportar dor.

A PIOR DOR É A DA ALMA

 "As dores que se alojam na alma, as dores que mexem com nossos sentimentos, como nossas perdas, indiferenças, humilhações e injustiças superam, muitas vezes, a dor física. É a dor mais profunda, é uma dor na alma. As feridas no corpo cicatrizam, o tempo pode apagá-las, mas as feridas na alma são sempre chagas abertas: à menor recordação, elas sangram." (Taís Luso de Carvalho)

terça-feira, 29 de abril de 2014

Para Familia

Familia,
Passada a raiva, só me restou o remorso. Disse coisas que não devia e por isso quero pedir desculpas.
Sei que devo desculpas. Tentei ser o melhor que podia, assumindo meu lado passivo, mas sempre, de repente, já estou agindo impulsivamente e o que não era para acontecer, acaba acontecendo.
O mais difícil de pedir perdão pelos meus erros é saber que o intuito de vocês sempre foi me proteger e guiar pelo caminho certo. Também sei como os magoei por trilhar caminhos tortuosos. Nem sempre as pessoas ferem voluntariamente. Muitas vezes eu que me sinto ferida e a pessoa nem mesmo percebeu; e me decepciono porque aquem não correspondeu às minhas expectativas. E muitas vezes nem mesmo sei quais são elas. Decepcionamo-nos e decepcionamos outras pessoas também.
Infelizmente não posso prometer mudar e tentar não cometer os mesmo erros, porque assim sou eu! Por isso tenho dúvidas de um pedido de desculpas sincero. O que eu tenho não me pertence, embora faça parte de mim. Prefiro a derrota prévia à dúvida da vitória, pois não acredito merecer.
Indago-me, às vezes, o que me leva a escolher uma vida morna... A resposta eu sei de cór: está estampada em mim: na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Me sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. E isso são bons motivos para decidir afastar a alegria e a dor, e prefrir sentir o nada.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que trago dentro de mim. Já que quem quase morre está vivo, quem quase vive já morreu. EU!
Mas uma certeza eu tenho: vocês terão uma vida mais tranquila e com menos preocupações com a minha ausência. Pelo menos fico aliviada em saber que isso eu vou fazer para a felicidade de todos.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Histórias da vida real

Era uma vez um Homem que, de uma hora para a outra, percebeu-se sem Perspectivas.
 Foi uma consciência muito repentina, e tão inesperada que pegou o Homem completamente de surpresa.
Naquele instante inicial, sua reação foi de choque, quase de terror; sentiu-se indefeso, exposto ao ridículo como alguém que sonha estar nu em um escritório ou em sala de aula.
Tratou de esconder sua falta de Perspectivas como pôde, disfarçando-a com sorrisos e frases de efeito, enquanto procurava um lugar no qual pudesse ficar sozinho e contemplar essa estranha e inesperada ausência.
Por mais que tentasse, foi incapaz o Homem de lembrar exatamente quando e como, no fim das contas, havia perdido suas Perspectivas. Teria ele, talvez, as esquecido dentro do ônibus, enquanto ia ou voltava do trabalho? Deixado alguma moça bela e perigosa levá-las consigo, entre beijos em uma pista de dança ou entre lençóis de uma cama de motel? Teria o Homem vendido suas Perspectivas em troca de uma casa bonita, um carro novo, um pouco de conforto, fins de semana livres, uma noite de sono? Ou talvez suas Perspectivas teriam simplesmente ido embora, cansadas de não servirem para nada, chateadas com a omissão do Homem, com sua falta de interesse e consideração Essa última ideia, em especial, enchia o Homem de medo; pois se suas Perspectivas o tinham abandonado por vontade própria, de nada adiantaria procurá-las, pois elas se recusariam a voltar. Terrível, aquela sensação. De qualquer modo, não sabia o Homem como havia se dado a perda de suas Perspectivas, e por dias e dias ficou a remoer essa ausência, tentando entender onde havia errado, buscando de novo e de novo respostas para uma pergunta que sequer era capaz de formular com clareza.
Depois de algum tempo, conformou-se o Homem a não ter mais Perspectivas, e voltou aos poucos ao convívio dos seus, tentando ao máximo portar-se como antes, ver as coisas como antes, agir como se nada tivesse se perdido pelo caminho. Mas era difícil: uma vez percebendo que não tinha Perspectivas consigo, ficava o Homem incapaz de agir como antes, quando as tinha por perto ainda que não as notasse. Além disso, a convivência com as pessoas, antes tão agradável, tornava-se para ele amarga, cinzenta, quase uma tortura dependendo do dia e da situação. Via pessoas cercadas de Perspectivas que as ignoravam quase completamente, outras inclusive já sem nenhuma Perspectiva a seu lado, e vê-las totalmente alheias provocava no Homem calafrios de ódio. Por que, em nome de Deus, não conseguia o Homem ser como aquelas pessoas, ignorar totalmente o fato de não mais ter Perspectivas, viver dias sem significado com a alegria dos que simplesmente não se importam? E os que tinham Perspectivas, e as cultivavam, esses enchiam o Homem de um desconsolo que beirava a depressão. Pois aqueles Homens e Mulheres lembravam a ele que talvez tivesse perdido as suas Perspectivas para sempre, algo que sentia ter sido valioso e agora temia nunca mais poder recuperar. Aquelas pessoas, que andavam felizes ao lado de suas Perspectivas, tinham sido mais sábias e atentas do que ele próprio, e ao Homem pesava como chumbo a dor dessa constatação.
O outono virou inverno, o inverno reacendeu-se na primavera, a primavera ardeu em chamas no verão – mas para o Homem sem Perspectivas tudo era a mesma coisa, todos os dias eram cinzentos, todas as horas arrastavam-se dolorosamente rumo a um futuro que nada mais era do que uma extensão insossa do presente. Convencido pela próprio tristeza de que jamais reencontraria suas Perspectivas, entregava-se o Homem a uma Vida sem viver, a uma espera amarga pelo último suspiro, torcendo talvez para que a névoa dos dias nublasse sua consciência e o fizesse esquecer, enfim, que um dia Perspectivas haviam estado presentes em sua existência. Esqueceu muitas coisas, nesses dias que passaram sem que ninguém os tivesse contado – mas foi incapaz o Homem de ignorar completamente aquele espaço vazio dentro de si, por mais que o tentasse preencher com o que quer que parecesse adequado no momento. Tentou anestesiá-lo com bebida, apagá-lo com distrações eletrônicas, esquecê-lo nos braços e carícias de mulheres sem nome. Tentou cansar-se, desgastar-se, exaurir a si mesmo até que nada restasse, até que pudesse apenas jogar-se na cama e dormir por um longo tempo, dormir uma vida inteira, acordar renovado e esquecido de tudo que não estava certo em si e no resto do mundo. Mas por maior que fosse o sono, sempre acabava despertando – e, por mais que dormisse, nunca havia sido o suficiente.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

2014. Vale a pena?

Como marco desse ano resolvi adotar a postura da seguinte oração: “Tentar tirar o melhor dos acontecimentos mesmo que eles não estejam de acordo com o que eu gostaria que fosse”.
Antes eu pensava mais ou menos assim: “Farei tudo pra estar do lado de quem amo, se não gostar de mim, adeus”. Funcionou? Não! Acabei criando um mundo de solidão, para fugir dos sentimentos.
E como dá trabalho e faz coisa errada esse tal de sentimento, e tem mania de criar coisas dolorosas nas nossas mentes. Existe uma saudade mais dolorosa que a saudade do amor, da paixão, daquilo que um dia te fez sentir borboletas no estômago e criar situações fantasiosas na sua mente em menos de 5 segundos?
Esse amor... Como dói! Muitos dizem que nós procuramos essa dor, mas não concordo com isso. Por que vou procurar a dor? Ela veio até mim oras, e de diversas formas: do fora, do término do namoro, do beijo em outra pessoa na sua frente, da indiferença na conversa, da frieza das palavras e dos gestos não retribuídos... E aí eu te pergunto: — Fui atrás dessa dor? E eu te respondo: — Não, não fui. Apenas fui atrás da pessoa que amava e ela me fez sentir essas dores.
E sabe o pior? Que muitas pessoas nos machucam mais de duas, três, quatro, infinitas vezes. E pior ainda: cometendo o mesmo erro, e nós o que fazemos? Perdoamos. Lógico, isso mesmo. Perdoamos, porque amamos, porque queremos nos sentir bem. Pensamos apenas no bem dos nossos sentimentos, porque queremos o fim da angústia e daquela indiferença que fere nossa alma. E depois que perdoamos o que acontece?  ELA chega e destrói tudo que você tentou recuperar trazendo a dor de todos os sentimentos infinitos.
“O amor pertence à insuspeitada categoria das coisas imprevisíveis”. Por que é o imprevisível que nos atrai e nos faz cometer loucuras em busca do sentimento de amar.
Não existe meio amor, meia felicidade, meia saudade. Todo sentimento pôr si só é inteiro.
Ou a gente é feliz ou não é; ou ama, ou não ama; ou quer, ou não quer.
Quando amamos, dúvida não existe; (Mario Quintana)

A gente morre todos os dias, só que esquece e se levanta
Se tem algo que desperta muita ira em nós é o descontrole sobre a hora da nossa morte. E sobre o momento da nossa concepção e nascimento. Sentimo-nos, paradoxalmente, cada vez mais empoderados, tendo como cúmplices as sucessivas invenções das novas tecnologias. O domínio sobre o universo, objetos coisas e pessoas. A era glass, a era touch e a era do controle (a última apontando a implacável vigilância da internet sobre nossa minuciosa intimidade) convivem na atualidade, aparentemente de mãos dadas. Fato é que simulando nosso império volitivo e ditatorial sobre joysticks materiais e virtuais sentimo-nos firmes comandantes de navios nas ondas da web e da vida.
A gente morre quando acorda. Morre de tédio, de preguiça, morre de mesmice, ou não, como apregoaria Caetano Veloso, com aquela voz de fruta sumarenta e lenta degustada em algum recanto nordestino. Tem pessoas que já morreram faz tempo. E nunca desconfiaram disso. Morrem de medo de encarar o medo, de colocar a coragem debaixo de um braço e o medo apoiado no outro braço e prosseguir caminhando, como ressaltaria Brecht.
Morre-se de pavor de mudar cacoetes, opiniões, certezas, repetindo automaticamente velhos e ranhetas comportamentos. Morre-se de medo de encarar as verdades da alma, no espelho da consciência, cujos reflexos nem sempre soam agradáveis ou digestivos. Medo de e enfrentar a relação puída, mas mantida apesar do visível desgaste, devido às oportunas muletas financeiras e quiçá psicológicas. A gente morre na repetição infindável de defeitos pra lá de conhecidos, nossos e dos outros, e anunciados instante após instante em nossa gestualidade e fala reveladora.
“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”
Chico Buarque já entoava em sua composição “Cotidiano”: “Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã”. Ou ainda, o seminal poeta clamava em “Construção” — de cuja música reproduzo um trecho:
“Beijou sua mulher como se fosse lógico ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro e flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado “Morreu na contramão atrapalhando o sábado”.
Vivemos rodeados por mortes commoditizadas, sem rosto nem débeis desejos. Como se salvar de tamanha e paralítica incompetência atitudinal? Tornar-se aficionado por séries televisivas centradas em zumbis ou vampiros, como “Resident Evil” e similares. Sabe-se que os zumbis namoram a eternidade. O protótipo da infinitude, ainda que se arrastem apodrecidos por terrenos estéreis.
A gente morre de frio e de mentiras. De amor escondido e expurgado pela covardia. De afeto enrijecido e estanque. Da flor não manifesta num discurso que se pretendia doce. Poetas, filósofos, estudiosos, escritores circularam o fascínio deste tema. Na religião, os espíritas, erguem a vitoriosa e redentora bandeira da reencarnação. O rabino Nilton Bonder especula sobre a salvação na obra “A Arte de se Salvar — Sobre Desespero e Morte”. Especialistas no assunto ocupam-se, como a dra. Elisabeth Kübler-Ross, fundadora da Tanatologia (estudo científico da Morte) de auxiliar doentes terminais em suas despedidas.
O cineasta Ingmar Bergman em “O Sétimo Selo”, elege a morte como personagem central da trama. Ariano Suassuna, dramaturgo e romancista apregoa: “Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver”.
Muita gente morre de silêncio. Não joga para fora as fecundas cirandas do coração. Morre de ódio, de inveja. E finge que estes sentimentos, tão descivilizados e deselegantes, pertencem somente aos outros. De soberba, arrogância e interjeições também se morre. E ainda quem deixa a paixão morrer no sexo e faz amor sem prazer. Como quem come uma sobremesa de nariz entupido.
Alguns poetas passeiam com naturalidade pela finitude. Pois parece que sempre há algo de romântico em dizer adeus à existência. Mário Quintana divaga: “Se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então, morrer também vale a pena”.
Há gente que morre de orgulho, mas não dá o braço a torcer. Criaturas que jamais conheceram a grandeza do perdão, do abraço, da palavra sem mascaramentos.
Impossível deixar de citar também o breve excerto de Manoel Bandeira, no poema “A Morte Absoluta”: “Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra. A lembrança de uma sombra. Em nenhum coração, em nenhum pensamento. Em nenhuma epiderme. Morrer tão completamente. Que um dia ao lerem o teu nome num papel perguntem: Quem foi? Morrer mais completamente ainda. Sem deixar sequer esse nome”.
Nosso amantíssimo Drummond, traça versos em carne viva em “Os Ombros Suportam o Mundo”. Sem qualquer anestesia metafórica, declara na estrofe final deste seu poema: “Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação”. 

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, “loucuras de amor”.
Amor não é isso! É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando.
Sentir-se amado é ver que você lembra de coisas que contei dois anos atrás, é ver como fico triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando você diz que estou fazendo uma tempestade em copo d´água. Então, chegou a vez de simplificar as coisas.
Somos amados por perdoarmos um ao outro e que não guardamos a mágoa como munição na hora da discussão. Sinto-me amada por ser aceita, bem-vinda, inteira. Somos amados porque nos respeitamos e sabemos que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido, que podemos ser exatamente como somos, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.
Amado é quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Tive a chance de fazer tudo de novo. Só que agora sendo 'gente grande'. E preciso aproveitar isso de uma só maneira: ser inesquecível por ter causado overdose de sorrisos, felicidade, amor, cuidado e saudade.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

LIÇÃO DE ANO NOVO!

Aprendemos que, por pior que seja um problema ou situação, sempre existe uma saída.
Aprendemos que é bobagem fugir das dificuldades. Mais cedo ou mais tarde, será preciso tirar as pedras do caminho para conseguir avançar.
Aprendemos que perdemos tempo nos preocupando com fatos que muitas vezes só existem na nossa mente.
Aprendemos que é necessário um dia de chuva para darmos valor ao Sol, mas se ficarmos expostos muito tempo, o Sol queima.
Aprendemos que heróis não são aqueles que realizam obras notáveis, mas os que fizeram o que foi necessário e assumiram as conseqüências dos seus atos.
Aprendemos que, não importa em quantos pedaços nosso coração está partido, o mundo não pára para que nós o consertemos.
Aprendemos que, ao invés de ficar esperando alguém nos trazer flores, é melhor plantar um jardim.
Aprendemos que amar não significa transferir aos outros a responsabilidade de nos fazer felizes. Cabe a nós a tarefa de apostar nos nossos talentos e realizar os nossos sonhos.
Aprendemos que o que faz diferença não é o que temos na vida, mas QUEM nós temos. E que boa família são os amigos que escolhemos.
Aprendemos que as pessoas mais queridas podem às vezes nos ferir. E talvez não nos amem tanto quanto nós gostaríamos, o que não significa que não amem muito, talvez seja o máximo que conseguem. Isso é o mais importante.
Aprendemos que toda mudança inicia um ciclo de construção, se você não esquecer de deixar a porta aberta.
Aprendemos que o tempo é precioso e não volta atrás. Por isso, não vale a pena resgatar o passado. O que vale a pena é construir o futuro.
O nosso futuro ainda está por vir.
Então aprendemos que devemos descruzar os braços e vencer o medo de partir em busca dos nossos sonhos.

Que a PAZ, a HARMONIA, o AMOR e a SABEDORIA permaneçam neste novo ano que se inicia!

FELIZ 2014 PARA TODOS NÓS!!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Experiência de assistir o filme: Os Croods.

Épico, pode ser a palavra melhor utilizada para expressar o que significa a experiência de assistir o filme: Os Croods.
Uma animação de uma reflexão sem tamanho. É uma reprodução infantil da Alegoria da Caverna. O grande barato é a questão filosófica que é abordada na história do filme. É uma espécie de conto ingênuo e moral adaptado do enunciado filosófico. Platão para a criançada, um máximo! Louvável!O filme aborda o temor, o encantamento e a angústia do ser humano em sua busca por conhecimento fora da caverna.
Logo na introdução, podemos ver que “Os Croods” foram uma família bem sucedida em uma época de adversidades.  Essa é uma história de uma das últimas famílias dos homens das cavernas. Sim, eles tinham muitos vizinhos, porém, para essa família, todos os clãs da vizinhança foram devorados por animais selvagens — monstros gigantescos: estamos na pré-história — ou dizimados por doenças fatais. Isto é, todos foram mortos de uma formal cruel... ou não.
Os Croods são sobreviventes, persistem caçando durante o dia e buscando refúgio na sua caverna à noite. A regra do chefe da família é única: eles sempre têm que ficar dentro da caverna, que é a casa deles, e sair apenas para caçar o alimento.
A caverna os mantém longe da morte, mas muito perto da falta de vida. Vivem sob a alçada da ignorância num micro-universo denso, escuro, triste. Sabem apenas o significado atribuído a “sobreviver”, mas desconhecem qualquer conceito como liberdade, sonhos, ambições ou saber.
A caverna é o único espaço onde se sentem confortáveis e seguros, isso porque o chefe construiu uma filosofia em que ter medo fará com que a família continue viva. Você percebe logo de cara um discurso contra: a curiosidade, a exploração ou qualquer forma de atitude fora da “rotina”. Qualquer coisa fora dessa rotina é considerada perigosa e mortal. Tudo que se apresenta como novo é compreendido como ruim, perigoso, mau.
Diante de todos os terrores que ele viveu a única fórmula para viver é elaborada e resumida pelo chefe em uma palavra: MEDO. Tudo o que está do lado de fora da caverna deve ser temido, pois o mais importante é sobreviver e não, viver. E sempre no sinal de qualquer perigo todos correm para a, supostamente, segura, caverna. Trecho logo no início do filme:
Chefe: “Quando saímos é para lutar para conseguir comida em um mundo duro e hostil. E eu luto para sobreviver à minha família. O medo nos mantém vivo. Nunca não tenha medo”.
Então alguém levanta o seguinte questionamento: Qual é a razão disso tudo? Digo, por que estamos aqui? Para que fazemos isso?
Sem responder aos questionamentos por não saber as respostas ou simplesmente por  ter medo ele encerra a conversa dizendo: “Ninguém disse que sobreviver é divertido”. Ele admitia que vivia sua vida na rotina da escuridão e do medo.
A caverna, o abrigo da família, “o mundo” do chefe acaba sendo destruído pelas mudanças geográficas da região. Os terremotos causados pela separação dos continentes aparecem como "o fim do mundo", afinal, o único lugar que ele se sentia seguro estava sendo destruído.
A destruição do lar o forçou a procura de outro lugar. Desde sempre a ordem era nunca sair da caverna. Agora, mesmo devido às mudanças não esperadas, o chefe continua firme no seu pensamento: a única opção de sobrevivência é manter o sentimento de união e medo, enquanto buscam uma nova caverna para morar.
Quando a família resolve mudar as regras que os mantinham na escuridão, somos guiados a uma analogia maravilhosa ao Mito das Cavernas, aquele mesmo narrado pelo famoso pensador no livro VII do clássico A República.  É uma história inteligente que fala sobre enfrentar seus medos para lidar com as mudanças que o mundo as vezes impõe em nossas vidas.Cada cena mostra claramente que através do conhecimento, é possível captar a existência do mundo sensível e do mundo inteligível.
No caminho encontram uma pessoa que dizia ter: “Um sonho! Uma missão! Uma razão para viver!”. Loucura pensar assim, dizia o chefe. Curiosidade é veneno! Tentar algo novo ou diferente é ir contra as regras e morrer.
Ainda com medo e contra a vontade eles vão descobrindo um mundo novo nessa busca por uma “nova”, até então, caverna, para chamar de lar. Vivendo em um mundo onde ter medo é igual à sobrevivência, as diferenças entre o viver e o sobreviver é a grande lição que todos vão aprendendo.
O chefe tenta evitar, ao máximo, novidades: “Meu trabalho é se preocupar, seguir as regras. Elas nos mantêm vivos”!
Quando o novo apareceu, o chefe foi o primeiro a resistir, a duvidar, a reclamar, a questionar e a proibir. Ele estava usando como justificativa para a resistência, a proteção de sua família, mas todos sabiam que não era esta a verdade, seu medo era seu e de mais ninguém.
Os outros insistiam em dizer que regras por regras não funcionam para sempre, algumas tem que ser ajustadas. E que aquilo não era viver, era apenas "não morrer".
Em uma de suas frases, ela diz: “Aquilo não é viver, aquilo é sobreviver. Tem diferença!”.
Ela refere-se a vida na caverna e sua rotina. Querendo mostrar que há diferença. Fala-nos sobre a fugacidade da vida se não for vivida na plenitude, desenvolve o pensamento de que as ideias podem surgir das mentes mais incultas, e ainda joga bem com o indivisível binômio liberdade e sobrevivência.
Mas mesmo avesso a novidades, ele se vê obrigado a mudar.  Inúmeras vezes ele tem que escutar: Não se esconda! Viva! Siga o Sol, e ele te levará até o amanhã.
De tanto escutar a mesma coisa ele resolve tentar e no momento que se permitiu viver admite: “Você tinha razão. Aí está! O Sol! Podemos conseguir! Podemos alcançar o amanhã”!
A busca da caverna virou a busca pelo amanhã. No caminho até lá, eles se divertem bastante, cometem desapegos, mas principalmente tiveram que aprender a soltar o orgulho, e acreditar na sabedoria dos outros.
O chefe bem que tenta, mas quando aparece a dificuldade: “Precisamos voltar para a caverna. Depressa, depressa”! Fala em tom de desespero.
Todos já acreditavam e sonhavam com o amanhã, contrariando, desafiando e estendendo a mão para levantar o chefe e bradam: “Já chega de escuridão! Já chega de se esconder. Já chega de cavernas. Qual o sentido de tudo isto?”.
Com o medo estampado no seu rosto ele desiste: Não consigo mudar. Não tenho ideias.
Mas no final, como todo filme tem que ter final feliz, ele se supera e muda. Assim é elogiado: “Você me surpreendeu hoje. Cabeça de pedra”.
 A forma  que  a historia se desenvolveu mostra que nós temos que aceitar quem somos, mas que isso não quer dizer que não podemos experimentar coisas novas e que há maneiras de resolver os nossos problemas quando aceitamos a ajuda do outro.
Mas o final em jeito de happy ending retira-lhe algum brilho, por ser excessivamente simples.
Moral da história: vencer medos, mudar hábitos e tentar coisas novas é bom, e inevitavelmente leva à liberdade de ser e pensar.

O filme Croods apresenta todo um processo de adaptabilidade e nos leva ao questionamento de que a comodidade se parece com uma prisão, ou seja, nossa “zona de conforto” pode ter-se transformado em uma caverna.
Enfim, continuar na caverna é uma opção sua. Que tal desconstruir esse mito?
 ‘A vida real é bem diferente de uma filme! Poderia usar uma frase clichê: “A arte imita a vida”.
Mas acredito que ela imita apenas a nossa vontade de ter um final feliz. O chefe da vida real terminou a história quando resolveu voltar para a caverna por mais que agora ele soubesse a diferença de viver e sobreviver.
Eu conheço os conceitos de liberdade, sonhos, ambições ou saber. Eu já vivi intensamente esses conceitos. Por  muito tempo segui o pensamento de tomar coragem em um segundo e agir, mesmo que isso viesse a dar errado ou ser um sucesso fantástico.
Com muita propriedade posso dizer: sobreviver pode não ser divertido, mas é o que me mantém longe da morte. Embora seja muito perto da falta de vida, nunca deixou de ser mais seguro.
Pra mim o mundo continua bem duro e hostil. Mas agora eles sabem que conseguem. Porque mudaram as regras: as que os mantinham no escuro. Eu não! Elas funcionam pra mim!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

What did you expect out of me?

I´m a girl, of course I´m gonna be emotional, of course I´m  gonna have mood swings, of course I´m gonna get jealous, of course I´m going to worry, of course I´m gonna complain, of course I´m gonna be confusing, of course I´m gonna be selfish, of course I´m going to be difficult to understand.

I´m  NOT going to be perfect & to be honest,

I might never be the way you want me to be, but one thing you should know is that I´m  trying.
It's not like I want to give you a hard time purposely, it's not like I enjoy making you upset, it's not like I mean to push you away.

I´m  just been through a lot, my trust has been misplaced so many times, my heart's been broken a lot & my judgement has been wrong & I´m just scared it might be the same.

So forgive me, forgive me for being afraid to get hurt again.

domingo, 3 de novembro de 2013

Past Hurts

Ao tentar não discordar com a minha colega sem argumentos resolvi arriscar.
Decidi ir a uma festa, um show com a seguinte expectativa: conhecer pessoas novas e saber que há vida no mundo e que eu posso participar dela.
Bem, realmente ao chegar no show percebi que há várias pessoas interessantes ao meu redor. Mas também vi o quanto uma noite pode ser cara e atrapalhar meu orçamento, o quanto eu me sinto desagradável nesses lugares que lembram o meu passado e como eu ainda consigo me apaixonar loucamente por um olhar ou um sorriso e esquecer que o resto do mundo existe, mesmo que a pessoa não saiba nem que eu existo.
Meu passado? O que tem de tão ruim nele? Muitas coisas... Coisas que me envergonham, que me mostram quem eu era e que eu não quero ser mais. É difícil falar, escrever, admitir. Coisas que eu espero que ninguém da minha família saibam e muito menos minha filha.
Cheguei a seguinte conclusão: não sei se é hora de parar de tomar os medicamentos, mas com certeza não é hora de lidar com os meus medos e com minhas formas de se relacionar. É hora de eu me sentir segura na minha bolha.
Aos 18 anos até os 29 eu tinha uma impressão sobre mim. Acreditava que apesar de me achar completamente horrível fisicamente, eu tinha um bom coração, então para algum relacionamento dar certo era necessário apenas a pessoa me conhecer que eu poderia ser uma boa pessoa, principalmente quando eu as estudava e fazia exatamente aquilo que elas queriam, esperavam ou o que eu achava que elas esperavam de mim. Funcionou algumas vezes por um tempo.
No entanto, no meu ultimo relacionamento “forçado”. Há esqueci de mencionar isso, que a grande maioria dos meus relacionamentos eram “forçados”. A pessoa conseguiu me mostrar o quanto eu sou horrível por dentro também. Ela me mostrou o meu reflexo interior.
A partir daí passei a me odiar por dentro e por fora e por conta disso não me vejo me relacionando com mais ninguém. Que meu destino é a solidão.
Na verdade apesar de falar isso a muito tempo, eu tinha planos bem diferentes. Meu plano era que quando eu fosse pra Roraima o Neto ia voltar pra mim e eu, ele e a Sarah seríamos uma família feliz. Só que ele me fez o favor de desfazer essa ilusão no domingo 03.11.2013.
Eu acreditava que poderia dar certo porque ele me conheceu na infância e pureza no meu coração, estava longe de mim na minha fase ruim e eu me tornei outra pessoa ao lado dele nos três anos que vivemos juntos. Uma pessoa boa, com sentimentos verdadeiros.
Então, agora posso dizer que vou ter que ficar sozinha mesmo. Eu tentei, vivi experiências. E a cada experiência vivida reforça o meu ponto de que é melhor não sentir nada, do que dor para ter alegria e prazer.
Cheguei ainda a conclusão que eu nunca tive respeito com ninguém. E esse era o problema que as minhas relações nunca davam certo: a falta de respeito com o outro. Talvez porque eu nunca tive respeito nem por mim mesmo. Sei lá.

sábado, 2 de novembro de 2013

Viver dói!

Dói como bater o dedinho do pé numa quina.
Dói como levar um arranhão de leve, que não é profundo o suficiente para fazer sangrar, mas feriu o bastante para arder e te deixar sem opção a não ser sentir dor.

Após 29 anos de seguidas decepções entrei em coma com a vida.
Vivi intensamente por 29 anos, depois acabou. GAME OVER. Não existem mais vidas nem o botão de continue. Parei o jogo alí e desisti, quebrei o jogo.
Desacreditei que era possível continuar depois de tantas mortes e tantos reinícios. Preferi matar o sonho de chegar ao final.
E como dizia Warley Tomáz: "Um homem sem sonhos é vazio; está morto por dentro".
 "O espírito dela espera na janela daquele quarto de hospital. Seu corpo há muito foi levado mas ela continua ali, numa espera sem fim". http://perdidosnaescada.blogspot.com.br/2010/04/ela-espera.html
Não aguento mais a dor, desamor.

Após 4 anos no coma, sendo acompanhada e medicada... Perdi alguns sentidos, mas ouço comentários. Os médicos falam: Viva! Reaja!
A família tem esperança de que eu possa viver de novo e ficam na expectativa de algum sinal de melhora.
Mas eu não posso me mover, eu não tenho como reagir.
Se eu tentar eu vou sentir dor, tenho medo, tenho pavor.

E, não sentir nada é melhor do que elevar o espírito com o bem estar e depois cair com a gravidade.
A cada subida uma queda. A cada altura um impacto de mesma grandeza proporcional.
Da queda e do impacto: DOR

Médicos não me peçam pra viver, entendam! Eu não quero me sentir bem!
O que existe é o estado vegetativo do coma, não há mais sonhos, não há mais vida.
A  ciência permite que a química me acorde e me faça dormir.
Estar respirando artificialmente para que outras pessoas não sofram já é uma carga bastante pesada para suportar.

Eu preciso de ajuda, mas ajuda para morrer e não para viver.
É da eutanásia que eu preciso, mesmo contra a aceitação legal no Brasil.
Eu preciso que desliguem os aparelhos!!! Me deixem ir

Eu não preciso de medicamentos que me façam sentir e sim daqueles que me façam parar de sentir.
Será que existe alguém no mundo que possa me ajudar?

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Superação

Eu o amei até entender que dói muito menos simplesmente não ligar.
É só não esperar um telefonema no dia do aniversário e não esperar vê-lo ao longo dos meses, e ponto, nada de decepções.
Você quer que a gente se reconcilie? Que a gente tome algumas cervejas juntos, que nos abracemos gentilmente como se faz entre amigos?
Eu já o abracei o suficiente e ele já me deu desilusões o bastante...

Eu Interior

Quer passear comigo? Bater um papo? Quer me conhecer melhor? Tem certeza?

Talvez blog: Ler, refletir e escrever...
Nos ultimos tempos entrei de cabeça, no que eu chamo o Universo Eu, quiz me conhecer melhor e ver atê onde eu iria e vou, estudei meu proprio comportamento e minhas atitudes sobre muitas coisas do passado, errei e soube admitir isso para mim, mas o maior erro de todos foi com o meu Eu, havia me esquecido quão grande é o universo e como eu estava sendo egoista comigo mesmo, e muitas vezes com outras pessoas que também faziam parte do meu universo, e que também aprendi muito com todas elas, meus sonhos hoje se baseiam no amanhã, não adiante de nada termos um bom emprego ou muito dinheiro, se não esta bem consigo.

Aprendi a deixar as coisas acontecerem como um natural em comum, apenas buscando o meu bem maior. Não importa com quem você esteja e nem como sta sua situação financeira, o que importa é você estar bem sempre, com você mesmo, o importante é acordar de manhã cedo com a cabeça tranquila e o corpo limpo, e ver o dia de uma forma boa, deixando a raiva e a angustia de lado.

Acreditar sempre que existem boas pessoas e bons caminhos.

Que o passado seja uma lição para que no futuro não possas mais errar.

Aprender a amar, mesmo que não seja correspondido, pelo menos assim você vai ter a consciência limpa que sua parte você fez.

Aprendi que tenho que ser mais cauteloso com os meus segredos e com as pessoas, porque nem sempre as pessoas estão preparadas para ouvir o que você ira dizer.

Aprendi que o tempo é o senhor da razão, mas não se preuculpe muito com o tempo não, por que senão você não vive e só verá as horas passar.

Aprendi que para conquistar você tem que correr muito e estar bem Positivo, por que se for ao contrario nem adiantara pensar e so ira cair nas magoas da revolta e das dores.

E o mais importante de tudo.

Aprendi a parar de reclamar da vida e comecei a ViVe-Lá...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Julgamentos Precipitados

Um velho sábio e muito pobre era invejado por todos porque tinha apenas um lindo cavalo branco. Todos queriam comprá-lo, inclusive o rei. Ele dizia: “Não se vende um amigo!”. Num determinado dia o cavalo sumiu. Todos da aldeia lhe disseram: “Velho estúpido. Que desgraça. Seu cavalo foi roubado”. O velho sábio disse: “Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira. Este é o fato, o resto é julgamento. Se se trata de uma desgraça ou de uma benção, não sei, porque este é apenas um julgamento. Quem pode saber o que vai se seguir? As pessoas da aldeia riram do velho.

Uma semana depois, o cavalo voltou, juntamente com vários outros cavalos selvagens. Não tinha sido roubado, sim, tinha fugido. As pessoas da aldeia disseram: “Velho, você estava certo. Não se tratava de uma desgraça, sim, de uma benção”. O velho sábio afirmou: “Vocês estão se adiantando mais uma vez. Apenas digam que o cavalo está de volta. Quem sabe se é uma benção ou não? Este é apenas um fragmento. Vocês leem uma única palavra de uma sentença e já julgam o todo?”

O velho tinha um único filho, que começou a treinar os cavalos selvagens. Uma semana mais tarde ele caiu de um cavalo e fraturou as pernas. As pessoas da aldeia disseram: “Você tinha razão novamente. Foi uma desgraça. Seu único filho perdeu o uso das pernas, e na sua velhice ele era seu único amparo. Agora você está mais pobre do que nunca”. O velho sábio disse: “Vocês são obcecados por julgamentos precipitados. Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma benção. A vida vem em fragmentos, mais que isso nunca é dado”.

Uma semana depois o país entrou em guerra e todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar. Somente o filho do velho foi deixado para trás, pois se recuperava das fraturas. A cidade inteira estava chorando, lamentando-se porque sabiam que a maior parte dos jovens jamais voltaria. Elas vieram até o velho e disseram: “Você tinha razão, velho – aquilo se revelou uma benção. Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você. Nossos filhos se foram para sempre”. O velho sábio disse: “Vocês continuam julgando precipitadamente. Ninguém sabe! Digam apenas que seus filhos foram forçados a entrar para o exército e que meu filho não foi. Mas só o futuro dirá se isso é uma benção ou uma desgraça”.

Conclusão: quem julga (uma pessoa ou uma coisa) com base nos fragmentos nunca consegue ter a visão da totalidade. Somos obcecados pelos fragmentos assim como pelos julgamentos precipitados. Esquecemos que “Quando um ser humano aponta um dedo para alguém, pelo menos três dedos estão apontando para ele” (L. Nizer, inglês, escritor). Chegamos rápido a conclusões apressadas, partindo-se de partículas da realidade. “Quando estamos certos ninguém se lembra; quando estamos errados, ninguém se esquece” (provérbio irlandês). A verdade é que quando julgamos deixamos de crescer, porque interrompemos o percurso da consciência do todo. Nosso cérebro não tolera o incerto. Com o julgamento precipitado nossa mente se sossega, se alivia. Isso mostra que não temos paciência de esperar a jornada chegar ao seu final. Não percebemos que enquanto uma porta se fecha, outra se abre. Quando um caminho termina, outro começa. Aqueles que não julgam estão satisfeitos com viver o momento presente e nele crescer. Somente eles são capazes de ver o todo. São mais preparados para a aprendizagem que a vida proporciona.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Sentir Falta

As vezes é inevitável sentir falta de alguém e muitas dessas vezes não vale a pena, é alguém que nos magoou, alguém que mentiu, que omitiu, que fez o que não era pra ser feito ou simplesmente não te amou como você merecia ser amado. Assim como é inevitável sentir falta, também é inevitável perder tempo com pensamentos que deveriam estar bem distantes, e aquela pergunta em querer saber até quando os pensamentos irão atormentar e tirar a tranquilidade de seguir em frente sem precisar desse sentimento, sentimento de sentir falta.

Sentir falta de quem nos faz bem já dói, imagina sentir falta de quem não merece receber nada, muito menos um sentimento tão bom como esse, de saudade. A saudade bate e você apanha até cansar, e quando a gente cansa de apanhar vem a cicatriz que é eficaz, enquanto não sara, dói. Dói chorar pelo tempo perdido, pela mágoa que criamos em quem realmente nos ama, e o arrependimento de ter cedido, de ter feito essas burrices. Eu tenho certeza que seria bem melhor se não tivesse conhecido certo tipo de pessoas, de não ter ido em certos lugares ou ter respondido alguns sorrisos. As pessoas sentem prazer em magoar, elas ferem seu coração sorrindo, te deixam chorando e vão embora numa rapidez que te faz pensar ser o último romântico, o último apaixonado.

Mas agora é tarde, tudo passou e graças a Deus restou o aprendizado. 
Erros são cometidos uma vez, na segunda é burrice e isso é uma lição, pois ninguém tem o direito de chegar e ter você sorrindo e depois ir embora te deixando a chorar, ninguém pode quebrar assim um coração que sempre lutou pra ficar inteiro, ninguém tem o direito de minimizar o seu sorriso. 
Siga sempre sorrindo, reze por quem tem fez chorar um dia, peça Deus piedade pra essa gente estúpida e lamentável, peça Deus que seu amor próprio transborde atingindo esse ''ser'' que não sabe o que é ter amor em si. Felipe Salles

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Mas, egoísta que eu sou,

As vezes prefiro escrever coisas num local publico e esperar que o destinatário passe e pare no mural para ler do que ser direta e esperar por respostas que nunca virão. Aqui não tem respostas, apenas questionamentos, pensamentos, sonhos, ilusões, desilusões, vontade.

Hoje, finalmente assisti o filme "Somos tão jovens". Falei no post anterior que ia na estréia mas não me senti preparada.
Preparada, isso mesmo, essa é a palavra. Criei uma fantasia que se tornou uma desilusão e me deixei abater. Precisei de tempo pra me levantar, mas hoje acompanhada apenas da minha solidão fui ao cinema vazio, cheio de ninguém, como a minha própria vida.

O filme foi surpreendente porque não falava apenas do inicio da banda, falava de amizade. De como uma amizade foi contruida, destruida e reconstruida novamente. Se eu não tivesse recebido um não de uma saudosa amizade eu teria forças para iniciar uma reconstrução. Mas a hora não era agora. Na verdade, nao tem hora.

Resumindo a história usando as palavras de Renato Russo:
"Sei que ela terminou o que eu não comecei
E o que ela descobriu eu aprendi também, eu sei
Ela falou: - Você tem medo.
Aí eu disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que não devia nunca ser dito por ninguém
Ela me disse: - Eu não sei mais o que eu  sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê."

Eu queria dizer Ainda é cedo, mas acabei dizendo agora é tarde.
Eu não poderia estar no cinema com quem eu queria estar como se eu recortasse uma foto de 2 anos passados e trouxesse para o presente, como se nada tivesse mudado.

Eu nunca vou sentir novamente aquele abraço apertado, ver aquele sorriso lindo, ou simplesmente deitar a minha cabeça em seu ombro e chorar quer fosse de alegria ou tristeza, ser ouvida e compreendida novamente.
fim

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Legião Urbana ainda continua vivo no meu coração





Maio esse ano foi escolhido como o mês de dois grandes filmes brasileiros que com certeza farão história:
1. SOMOS TÃO JOVENS contando como tudo começou com a banda Legião Urbana.

2. FAROESTE CABOCLO um filme baseado numa música do Renato. 

Dia 03 e 30 de maio e dia farei o possível para estar assistindo esses filmes nas estréias e depois assistir com os amigos (que quiserem minha companhia) quantas vezes forem necessárias. 
Fiz alguns convites e outros queria fazer mas acho que não devo. Tempos que não voltam atrás...

Queria ter do meu lado as pessoas que gostam tanto de Legião quanto eu, e existem essas pessoas e pessoas especiais mesmo estando longe. Uma delas me deu o prazer da sua compania e por ironia do destino ou sei lá na peça era "Aonde está você agora" baseada na música Vento no Litoral contando a história de dois amigos. 

Hoje pergunto ao amigo: "Aonde está você agora?"

Também tive o prazer de assistir uma peça de teatro no Dragão do Mar baseada na música Faroeste Cabloco.

Sou da Geração Coca Cola. Legião Urbana fez parte da minha adolescencia mesmo com a morte do Renato acontecer pouco tempo depois que descobri a banda. Mas, Legião continua fazendo parte da minha vida até hoje. Muitas das questões que Renato levantou nas músicas continuam sendo temas atuais. Fazendo valer a pena até passar para os nossos filhos pois é música de qualidade, letra de qualidade que faz pensar, refletir, ensina lições e trata de temas polemicos.

Tem dias que acordo e me pergunto: "O que você vai ser quando você crescer?" (Pais e Filhos);
No outro estou mais para "Amar as pessoas como se não houvesse amanhã" 
E quando não dá certo: "Só por hoje eu não quero mais chorar, só por hoje eu espero conseguir
aceitar o que passou e o que virá, só por hoje vou me lembrar que sou feliz."(Só por hoje)

E depois acalmo o meu coração com a verdade: "Quem acredita sempre alcança" (Mais uma Vez)

sábado, 30 de março de 2013

SENTENÇA: 10 ANOS DE PRISÃO

"O que é crime?"

A boa forma do mundo, a esfera humana,divina e natural encontra se em normas legitimadas num e para um grupo social, definindo assim criminoso como todo aquele que se desviar do comportamento recebido, que se recuse a imitar o gesto do herói fundador, do antepassado instituinte: crime é toda inovação. O criminoso pertence à esfera do não-ser, com a sua inquietante estranheza, que põe em causa a existência total do grupo. A totalidade do grupo e da sua auto-interpretação implica, assim, uma totalização do crime e do criminoso.

"Por que punir?"
 

A visão teleológica dirige a punição para a melhoria pessoal,produzindo através de um mal – a pena –
uma recuperação da razão, um reassumir de um compromisso, um exame de consciência, para que, desse modo, o sujeito se melhore a si próprio.
A punição fica limitada a uma ação exterior que possibilita e facilita o trabalho de cada qual sobre si – “a medicina da maldade” (Platão)
Por outro lado, o objetivo da punição pode ser geral, já não o indíviduo, mas a coletividade.
O fito do castigo é, assim, instituir um exemplo inibidor de futuras acções criminosas ou defender a sociedade da ação nociva do criminoso.
Assim, garante-se uma felicidade maior no futuro ou assegura-se a felicidade presente. Será?

"O crime desencadeia a punição como uma causa o seu efeito, só que, dada a ausência de qualquer
valor presente na Lei – pelo contrário, esta é que estabelece o que tem validade –, a retribuição é
cega e o sujeito vazio" (Kelsen).

Já Nietzsche chega a considerar criminoso como “um pedaço de destino irresponsável que
se agudiza com a punição como perante uma resistência que o obriga a uma melhor
adaptação”.

"... e quando se quer individualizar o adulto são, normal e legalista, agora é sempre perguntando-lhe o que ainda há nele de criança, que loucura secreta o habita, que crime fundamental ele quis cometer." FOUCAULT


"Como punir?”

Uma justiça de teor totalizante chega facilmente a exigências irracionais, por meio de uma racionalidade completa da realidade. Neste campo, as sociedades religiosas latu sensu incluem, como formas de chegar à justiça, fazer com que os poderes invisíveis digam o direito e determinem a punição, os ordálios ou os campeões.
Processos irracionais que trazem, contudo, uma exigência de justiça de tal modo forte que ressente qualquer impossibilidade de chegar a uma decisão sobre a justiça como uma injustiça, em particular ante os poderes invisíveis, que são necessariamente justos à máxima potência.
 

A falta de justiça seria uma limitação à omnipotência divina e, por isso, ceder a uma tal visão não totalizante representa uma ofensa: constituiu uma injustiça para com o maximamente justo, logo, a justiça existe, tem de existir.



Após tantos estudos, pesquisas e teoria, vamos ao caso concreto:



É verdade! Quando jovem e cheia de sonhos eu descumpri uma lei, quebrei uma norma de um país onde as leis funcionam e são levadas a sério. O mesmo país que me ensinou a paixão pela lei, foi o que me puniu com a pena de banimento por 10 anos.
Numa recente visita à embaixada, na tentativa de conseguir um visto, descobri que morar ilegal gera, no mínimo uma década de consequências: portas fechadas.
Mas essa impossibilidade de voltar foi além do que a lei queria.

Fiquei me perguntando: "Qual crime cometi? Tentar ser feliz? Acreditar nos meus sonhos? Ir em busca dos meus ideais?"

As vezes acho que meu crime foi ser diferente. Pensar diferente. Agir diferente. Enfrentar.


Justiça divina? Talvez! Essa me trouxe infelicidade e me mostrou, pouco a pouco, outra religião bem diferente da religião ensinada pelos homens.

Por isso muitas pessoas não entendem e não sabem lidar com minha mente.
E com o tempo passando fui percebendo que a vida é sempre a mesma: rede de ilusões e desenganos.
Com esse aprendizado hoje prefiro não questionar e aceitar, não vale a pena lutar. Aos olhos de

Nietzsche, a punição gerou uma melhor adaptação. Mas isso não garante que seja bom.
 
Mesmo sem saber exatamente qual foi o meu crime, cumprirei minha pena até o fim, que não serão apenas 10 anos de uma lei estrangeira. Me declarei guilty.




Parei de sonhar, parei de viver, sou um ser inanimado, pois um homem sem sonhos é um homem sem vida.

No mais, vou levando a vida sorrindo para as pessoas quer gostem ou não de mim, para esconder delas que sou diferente do que pensam;
Sempre faço de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, mesmo que eu não acredite que algo vai mudar.
Aprendi com meus erros mesmo sem saber quais são afinal, pelo menos, aos olhos da sociedade, hoje sou uma pessoa melhor ou pelo menos aparento ser. 

domingo, 17 de março de 2013

Medos

Meu maior medo é viver sozinha e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir. 
Meu maior medo é almoçar sozinha, jantar sozinha e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons. 
Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar.
 Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda. 
Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho. 
Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento. 
Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinha depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho. 
Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social. 
Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteira do que antes. 
Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho. 
Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim. 
Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado. 
Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo.
Hoje vivo com meus maiores medos...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Posição do trabalho na minha vida – Assiduidade – Pontualidade - Reclamação

A empresa quer que eu me doe por inteiro ao trabalho, mas para isso tenho que abrir mão da minha vida. E eu pergunto: O que é mais importante?
Não gosto de fazer degraus acerca do que seja mais importante na minha vida. Pra mim, estabelecer prioridades é utopia, diante das constantes mudanças que o futuro nos reserva. O mais importante é encontrar um equilíbrio entre responsabilidades de trabalho e vida pessoal.
Acredito que quando uma pessoa pensa que é capaz de abrir mão de desafios pessoais para aceitar os desafios no trabalho, com o passar do tempo percebe que seu trabalho e vida estão fora de esquadro, e sem perceber cria um sistema “adequado”,     que funciona desde que se considere o trabalho em primeiro lugar e tudo o mais em segundo plano, terceiro ou nem considere.
É importante perceber que o balanço é viver uma vida mais rica e intensa – e que seja mais agradável e significativa. Isso implica que tem que ter o trabalho na perspectiva de uma das muitas coisas em que você quer se destacar, mas não o que define quem você é.
 Eu busco o equilíbrio: de ter compromissos externos e tratá-los com o mesmo nível de dedicação que dou ao trabalho. Muita gente acha que equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é um problema pessoal a ser resolvido, e por isso as pessoas que expõem esse pensamento publicamente ficam aprisionadas, ambivalentes, rotuladas de não compromissadas e incompetentes. É assim que me sinto no momento já em tão pouco tempo de empresa.
Contudo, eu não vou deixar o trabalho tomar todo o meu tempo e as minhas energias, procuro alcançar o máximo de resultados positivos no tempo em que me é determinado sem distrações ou enganação, mas não posso fazer nada alem da minha capacidade humana, mesmo sabendo que fazendo isso, afetará na forma como os colegas da empresa me vê e no resultado aos cargos que aspiro.
Sei que a busca por uma vida equilibrada pode dar uma leve ofuscada no meu brilho, ou até ativar a percepção de que estou na função errada ou na empresa errada. Entretanto, toda a paixão que eu dedicar ao trabalho e a alegria que adquiro criando e colaborando com outros, no fim do dia, é apenas um emprego. Ele não vai me abraçar quando eu estiver triste, não cuida de mim quando estou doente (muito pelo contrário me cobra para ficar saudável como se eu que escolhesse ficar doente) e certamente não dará o amor e atenção que minha filha precisa e não irá cuidar de mim quando eu for mais velha.
Quanto a assiduidade, não vejo motivo de reclamações o que eu vejo são pré-julgamentos infundados que pessoas que não procuram saber a verdade e acreditam em boatos.Sei que muita gente que não está em condições faz um esforço adicional para ir trabalhar pra não causar má impressão, desconfianças ou para não sobrecarregar os colegas, há várias pesquisas nesse sentido é um novo fenômeno chamado presenteísmo. Eu não me preocupo com isso, pra mim a saúde não tem preço e se eu não estiver a 100% dificilmente conseguirei levar a minha vida profissional avante. Além do mais algumas doenças não afetam apenas a minha produtividade e o meu trabalho, mas também o dos meus colegas, que podem facilmente contagiar. Acredito que o que há na verdade não é a falta de assiduidade e compromisso da minha parte e sim falta de diálogo e confiança por parte da equipe.
Quanto a pontualidade, desde o inicio eu manifestei o meu desejo de trabalhar apenas a quantidade de horas estabelecidas no edital e acordo coletivo: 6 horas. Sempre procuro almoçar nos exatos 15 minutos e durante o expediente tento não ter conversas paralelas ou me desconcentrar das minhas tarefas. Quando no final do dia verifico que tem várias pendências para o dia seguinte procuro chegar mais cedo e ir adiantando o trabalho, para caso seja necessário ficar alguma hora extra sem sair muito tarde. Procuro sempre cumprir as tarefas determinadas e tento honrar todos os compromissos com a maior brevidade possível.
Quanto a reclamação de clientes, o problema não foi reclamar da minha pessoa e sim do serviço da empresa esperado pelo cliente que está designado a mim e que não pôde ser feito diante da minha ausência por motivo de saúde. A reclamação foi para a empresa em geral. E entendo que o motivo não seja falta de gestão, mas sim de funcionários diante de toda a demanda da agência. Problema que não cabe apenas aos que trabalham no PV resolver e sim a superintendência.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Exagerado

Nessa época do ano, acontece em Fortaleza o carnaval fora de época chamado de FORTAL, um carnaval baiano fora de época.
O que muitos não entendem (a maioria cearense que não tem em sua cultura o axé) é que não se trata apenas de uma fabrica de ganhar dinheiro, para muitas pessoas são quatro dias que elas podem "sair da linha" sem que isso não influencie suas atividades rotineiras. Mas a maneira mais interessante que eu vi de se dizer isso foi no Blog de um amigo.

Em um trecho o escritor dá a sua opinião de forma genial:
"Se você quer se comportar de forma instintiva, sem necessariamente estabelecer nenhuma ligação consciente de alteridade com uma multidão de pessoas, é o local ideal para se exercer o individualismo narcisista"   http://lobofrontal.blogspot.com.br/2012/07/o-fortal-agimos-como-se-nao-soubessemos.html


Como cantava o grande músico Cazuza: "Exagerado... eu sou mesmo exagerado..."


Bem o Cazuza falava do amor e eu falo de mim.
Muitos momentos tudo tem que ser no extremo, explicando melhor: se eu for estudar tem que ser demais, se eu for curtir quero o melhor, se eu decidir beber não será apenas uma dose e quando me apaixono também. Tudo muito intenso, todos os sentimentos, alegrias e tristezas.


Para aqueles que não gostam do estilo axé, o Fortal é apenas pessoas sem noção do ridículo que exagera na bebida, passa a noite pulando e o dia na ressaca moral pensando nas besteiras que fez.... Fortal é mais que isso! É um momento que ocorre uma vez por ano e me permite ser feliz, bebendo, pulando, dançando e conhecendo muitas pessoas do resto do Brasil.


Para evitar problemas familiares resolvi solicitar a opinião dos mais velhos. E o que eu escutei foi: pode ir com amigos, sem beber e volte cedo. O que? me perguntei por dentro. Qual a graça?
Três coisas inviáveis: 


Primeiro porque tenho um número de amigos que podem ser contados nos dedos das mão, os que não estão casados e com filhos, estão preocupados demais com concursos públicos e não saem de casa, no máximo vão para um restaurante pra dizer que isso é sair e a conversa na mesa não passa de concursos e direito.


Segundo eu sou muito tímida para pular e dançar como se nada importasse sem a ajuda do álcool e ele também me deixa uma pessoa mais simpática.


Terceiro se eu vou pagar uma fortuna eu tenho que fazer valer cada centavo investido porque se eu sair antes não devolverão meu dinheiro e quanto mais demorar pra acabar mais eu vou aproveitar um momento único.


A graça pra mim é estar num lugar onde ninguém me conhece e não se preocupa comigo, onde eu posso fazer qualquer coisa que não vai ser ridículo e não vou ser criticada por isso e se a festa só termina de manhã, quero chegar de manhã como se fosse o último porque todo segundo é importante e pode ser realmente o último, pois a morte não vem com hora marcada. E essa graça, desse momento, só ocorre duas vezes no ano (Fortal e Carnaval de Salvador)


No momento em que eu abri mão de mim e fiquei em casa, recebi um convite para ir ao Orbita (boate com música eletrônica e rock). Pensei: curtir rock e musica eletrônica (coisa que eu detesto) é coisa de adulto? 
Eu senti o peso de um preconceito sem tamanho por receber um tratamento diferenciado pelo meu gosto de estilo musical.


O melhor é a liberdade e a despreocupação. Tem gente que passa vários anos se programando pra poder curtir esse evento e eu estou do lado dele e não posso, tenho que deixar as pessoas preconceituosas que me amam mas não me entendem despreocupadas e felizes.


Para eles, não adianta eu ser responsável no trabalho, concluir um curso de direito, estudar pra concursos e criar uma filha sozinha, se a minha concepção de diversão e o modus operandi  não é o que eles espera de pessoas maduras.


Escutei Ainda: "Lá não tem pessoas da sua idade, apenas adolescentes você não tem mais idade pra estar fazendo isso. Não tem pessoas do seu nível. E não é num ambiente como esse que você vai encontrar o amor da sua vida"
As pessoas precisam ser taxadas pro nível e idades e locais onde frequenta? Isso é tão tradicionalista! E ao mesmo tempo, Revoltante! Por isso que o Brasil não vai pra frente porque as pessoas não podem ser quem elas querem ser, elas só podem enquanto são adolescentes, porque os outros vão dizer: "são só garotos e não sabem o que fazem, isso passa", mas como adultas elas não podem e se fizerem são ridicularizadas. 
A sociedade quer que ela seja controlada, responsável e se divirta com chá inglês. 


Ainda estamos muito longe de uma evolução. Me sinto na pré-historia enquanto os países de primeiro mundo estão ano luz da nossa evolução. Então quando eu digo que quero voltar pro primeiro mundo, o pessoal só falta enfartar.
Pobre de mim que não sei ser narcisista e virar as costas pra todo mundo e cuidar dos meus interesses, da minha vida. Procuro sempre deixar aqueles que amam felizes, esquecendo até de mim. E por isso levo uma vida odiosa, sem sentido, com contagem regressiva para que o fim chegue depressa.


Mas no fim tudo fica do mesmo jeito porque sou exagerada: amo como se não houvesse amanhã,  me divirto como se fosse a última vez, mas quando o assunto é trabalho e estudo também sei ser intensa, quando eu quero e estou inspirada pra isso, às vezes não adianta forçar a barra por obrigação.
Uma vez uma psicóloga me falou que todo mundo tem que equilibrar a vida na balança diversão e obrigação, senão fica impossível viver. Posso garantir que o prato da diversão anda vazio...


Sou uma pessoa sensível e a sensibilidade me faz ser exagerada. Bem como incompreendida.
Eu só queria aprender a ser mais egoísta e me importar menos com os outros. Porque se isso leva à solidão, eu já carrego esse ônus a um tempo, mas cadê o bônus?