Meu mundo após a leitura do artigo da revista bula no link
“http://www.revistabula.com/843-voce-usa-oculos-eu-as-vezes-uso-ritalina-e-rivotril/”. Encontrei palavras para explicar o
que eu pensei ser impossível de entender.
Uma
experiência em que observo o mundo de fora.
As
conversas não interessam, as pessoas não interessam e sofro me
OBRIGANDO a ter uma vida normal. Mesmo que dentro da minha cabeça
exista uma sirene avisando que um tsunami está vindo. Teimo e o
volume da sirene vai crescendo até ficar ensurdecedor. E aí para.
Uma
sensação de inadequação, de incompetência ou inabilidade para
lidar com as coisas que aparentemente as outras pessoas tiram de
letra. Um incômodo, que me deixa distraída, e negligente. Começo a
esquecer compromissos, portas destrancadas, gavetas abertas. Essas
falhas vão minando o dia a dia. Uma vez dentro da espiral perco a
noção do tempo. As horas se arrastam, ou escorrem pelos dedos numa
velocidade que me deixa ainda mais isolada. Como se estivesse caindo
e ao mesmo tempo que a velocidade da queda faz o ar me sufoca, cada
segundo de pensamento parece durar horas. Sem noção pontual do
momento meu passado e meu futuro não existem mais, vira tudo um
filme daqueles que você lembra que viu, mas não lembra exatamente
quando ou como termina.
E
cada coisa que acontece desencadeia uma montanha de sentimentos.
E,
ao final, fico exausta. Tudo passa a ser uma batalha.
Aí
a sensibilidade vai ficando mais e mais aguçada, e conforme me
distancio da realidade, vou criando minha percepção pessoal e
fragilizada de tudo, passo a interpretar o mundo de acordo com a
minha óptica distorcida, e parece que tudo conspira contra mim. E
nada dá certo e ninguém me entende.
Depois
vem a sensação de tristeza e de não pertencer. Um nó no peito e
não na garganta. Não chega na garganta. O mal estar sobe do
estômago e para no peito. E isso independe da paciência ou
sensibilidade daqueles que me cercam. E percebo a preocupação, ou
irritação ou os transtornos que estou causando mas não vejo modo
de sair disto. A voz não sai e não há explicações convincentes
para os que me cercam.
ME
ISOLO.
Desligo
o celular, telefone, computador. Não recebo amigos, não saio de
casa. Encaro tudo como um traço da minha personalidade, não consigo
acreditar que não necessariamente sou assim, mas que esteja assim.
Sabe
quando você está vivendo um período de estresse? No trabalho ou na
vida pessoal, e isso afeta seu sono, seu apetite, sua sensibilidade?
E parece que seus instintos ficam aguçados e seu corpo pronto para
briga? Como se você estivesse numa selva e visse um leão, seu corpo
e sua mente te colocam num estado de atenção redobrado, e
potencializa sua percepção. Então, eu sou assim.
Prazer
e meu diagnóstico final é: sou humana. Tenho angústias,
incertezas, inseguranças e uma montanha de emoções intensas. E eu
posso cair. Tá no meu diagnóstico: eu posso fraquejar.
