O crepúsculo ofusca a razão, exaltando clara a ferida.
São dias em que a alma sente dor, uma dor tamanha que é impossível ignorar. Então choro. Faço as palavras caírem dos meus olhos. E digo o que, em certos momentos, se encontra indizível.
Choro dentro de um quarto em solidão.
Choro porque me despeço, porque me lamento, porque me comovo, porque o filme era lindo.
Choro porque me sinto sozinha, quando todos se divertem em viver, e eu, naquele instante, não.
Choro de raiva porque tudo deu errado naquele dia.
Choro porque amo intensamente e desejo ser amada, e nem sempre sou.
Soluço pela lembrança que dói ou que alimenta ao reviver em memória o último beijo, o irrevogável tempo de infância, a conversa que não terminamos, o último abraço, a família que está longe, aquele que se foi...
Choro em segredo, quando a única opção é ser forte.
A alma soluça na intimidade recolhida do escuro.
É, existe dor que é sigilo.
De todo modo, choro é alívio pra alma. Sou eu colocando a mão por dentro da garganta tentando desatar o nó.
Segundo Shakespeare: “Chorar é diminuir a profundidade da dor.”
Me socorro no choro, enquanto tento fazer escorrer em lágrimas o que precisa sair, descer ou desfazer.
O choro é chuva que varre a dor, é uma atrevida tentativa de fazer a tristeza fugir do olhar. Enquanto escorre, a lágrima faz curva na angústia, faz o instante provocar um dilúvio.
O pranto é um resto de mar que cura.
