terça-feira, 12 de novembro de 2013

Experiência de assistir o filme: Os Croods.

Épico, pode ser a palavra melhor utilizada para expressar o que significa a experiência de assistir o filme: Os Croods.
Uma animação de uma reflexão sem tamanho. É uma reprodução infantil da Alegoria da Caverna. O grande barato é a questão filosófica que é abordada na história do filme. É uma espécie de conto ingênuo e moral adaptado do enunciado filosófico. Platão para a criançada, um máximo! Louvável!O filme aborda o temor, o encantamento e a angústia do ser humano em sua busca por conhecimento fora da caverna.
Logo na introdução, podemos ver que “Os Croods” foram uma família bem sucedida em uma época de adversidades.  Essa é uma história de uma das últimas famílias dos homens das cavernas. Sim, eles tinham muitos vizinhos, porém, para essa família, todos os clãs da vizinhança foram devorados por animais selvagens — monstros gigantescos: estamos na pré-história — ou dizimados por doenças fatais. Isto é, todos foram mortos de uma formal cruel... ou não.
Os Croods são sobreviventes, persistem caçando durante o dia e buscando refúgio na sua caverna à noite. A regra do chefe da família é única: eles sempre têm que ficar dentro da caverna, que é a casa deles, e sair apenas para caçar o alimento.
A caverna os mantém longe da morte, mas muito perto da falta de vida. Vivem sob a alçada da ignorância num micro-universo denso, escuro, triste. Sabem apenas o significado atribuído a “sobreviver”, mas desconhecem qualquer conceito como liberdade, sonhos, ambições ou saber.
A caverna é o único espaço onde se sentem confortáveis e seguros, isso porque o chefe construiu uma filosofia em que ter medo fará com que a família continue viva. Você percebe logo de cara um discurso contra: a curiosidade, a exploração ou qualquer forma de atitude fora da “rotina”. Qualquer coisa fora dessa rotina é considerada perigosa e mortal. Tudo que se apresenta como novo é compreendido como ruim, perigoso, mau.
Diante de todos os terrores que ele viveu a única fórmula para viver é elaborada e resumida pelo chefe em uma palavra: MEDO. Tudo o que está do lado de fora da caverna deve ser temido, pois o mais importante é sobreviver e não, viver. E sempre no sinal de qualquer perigo todos correm para a, supostamente, segura, caverna. Trecho logo no início do filme:
Chefe: “Quando saímos é para lutar para conseguir comida em um mundo duro e hostil. E eu luto para sobreviver à minha família. O medo nos mantém vivo. Nunca não tenha medo”.
Então alguém levanta o seguinte questionamento: Qual é a razão disso tudo? Digo, por que estamos aqui? Para que fazemos isso?
Sem responder aos questionamentos por não saber as respostas ou simplesmente por  ter medo ele encerra a conversa dizendo: “Ninguém disse que sobreviver é divertido”. Ele admitia que vivia sua vida na rotina da escuridão e do medo.
A caverna, o abrigo da família, “o mundo” do chefe acaba sendo destruído pelas mudanças geográficas da região. Os terremotos causados pela separação dos continentes aparecem como "o fim do mundo", afinal, o único lugar que ele se sentia seguro estava sendo destruído.
A destruição do lar o forçou a procura de outro lugar. Desde sempre a ordem era nunca sair da caverna. Agora, mesmo devido às mudanças não esperadas, o chefe continua firme no seu pensamento: a única opção de sobrevivência é manter o sentimento de união e medo, enquanto buscam uma nova caverna para morar.
Quando a família resolve mudar as regras que os mantinham na escuridão, somos guiados a uma analogia maravilhosa ao Mito das Cavernas, aquele mesmo narrado pelo famoso pensador no livro VII do clássico A República.  É uma história inteligente que fala sobre enfrentar seus medos para lidar com as mudanças que o mundo as vezes impõe em nossas vidas.Cada cena mostra claramente que através do conhecimento, é possível captar a existência do mundo sensível e do mundo inteligível.
No caminho encontram uma pessoa que dizia ter: “Um sonho! Uma missão! Uma razão para viver!”. Loucura pensar assim, dizia o chefe. Curiosidade é veneno! Tentar algo novo ou diferente é ir contra as regras e morrer.
Ainda com medo e contra a vontade eles vão descobrindo um mundo novo nessa busca por uma “nova”, até então, caverna, para chamar de lar. Vivendo em um mundo onde ter medo é igual à sobrevivência, as diferenças entre o viver e o sobreviver é a grande lição que todos vão aprendendo.
O chefe tenta evitar, ao máximo, novidades: “Meu trabalho é se preocupar, seguir as regras. Elas nos mantêm vivos”!
Quando o novo apareceu, o chefe foi o primeiro a resistir, a duvidar, a reclamar, a questionar e a proibir. Ele estava usando como justificativa para a resistência, a proteção de sua família, mas todos sabiam que não era esta a verdade, seu medo era seu e de mais ninguém.
Os outros insistiam em dizer que regras por regras não funcionam para sempre, algumas tem que ser ajustadas. E que aquilo não era viver, era apenas "não morrer".
Em uma de suas frases, ela diz: “Aquilo não é viver, aquilo é sobreviver. Tem diferença!”.
Ela refere-se a vida na caverna e sua rotina. Querendo mostrar que há diferença. Fala-nos sobre a fugacidade da vida se não for vivida na plenitude, desenvolve o pensamento de que as ideias podem surgir das mentes mais incultas, e ainda joga bem com o indivisível binômio liberdade e sobrevivência.
Mas mesmo avesso a novidades, ele se vê obrigado a mudar.  Inúmeras vezes ele tem que escutar: Não se esconda! Viva! Siga o Sol, e ele te levará até o amanhã.
De tanto escutar a mesma coisa ele resolve tentar e no momento que se permitiu viver admite: “Você tinha razão. Aí está! O Sol! Podemos conseguir! Podemos alcançar o amanhã”!
A busca da caverna virou a busca pelo amanhã. No caminho até lá, eles se divertem bastante, cometem desapegos, mas principalmente tiveram que aprender a soltar o orgulho, e acreditar na sabedoria dos outros.
O chefe bem que tenta, mas quando aparece a dificuldade: “Precisamos voltar para a caverna. Depressa, depressa”! Fala em tom de desespero.
Todos já acreditavam e sonhavam com o amanhã, contrariando, desafiando e estendendo a mão para levantar o chefe e bradam: “Já chega de escuridão! Já chega de se esconder. Já chega de cavernas. Qual o sentido de tudo isto?”.
Com o medo estampado no seu rosto ele desiste: Não consigo mudar. Não tenho ideias.
Mas no final, como todo filme tem que ter final feliz, ele se supera e muda. Assim é elogiado: “Você me surpreendeu hoje. Cabeça de pedra”.
 A forma  que  a historia se desenvolveu mostra que nós temos que aceitar quem somos, mas que isso não quer dizer que não podemos experimentar coisas novas e que há maneiras de resolver os nossos problemas quando aceitamos a ajuda do outro.
Mas o final em jeito de happy ending retira-lhe algum brilho, por ser excessivamente simples.
Moral da história: vencer medos, mudar hábitos e tentar coisas novas é bom, e inevitavelmente leva à liberdade de ser e pensar.

O filme Croods apresenta todo um processo de adaptabilidade e nos leva ao questionamento de que a comodidade se parece com uma prisão, ou seja, nossa “zona de conforto” pode ter-se transformado em uma caverna.
Enfim, continuar na caverna é uma opção sua. Que tal desconstruir esse mito?
 ‘A vida real é bem diferente de uma filme! Poderia usar uma frase clichê: “A arte imita a vida”.
Mas acredito que ela imita apenas a nossa vontade de ter um final feliz. O chefe da vida real terminou a história quando resolveu voltar para a caverna por mais que agora ele soubesse a diferença de viver e sobreviver.
Eu conheço os conceitos de liberdade, sonhos, ambições ou saber. Eu já vivi intensamente esses conceitos. Por  muito tempo segui o pensamento de tomar coragem em um segundo e agir, mesmo que isso viesse a dar errado ou ser um sucesso fantástico.
Com muita propriedade posso dizer: sobreviver pode não ser divertido, mas é o que me mantém longe da morte. Embora seja muito perto da falta de vida, nunca deixou de ser mais seguro.
Pra mim o mundo continua bem duro e hostil. Mas agora eles sabem que conseguem. Porque mudaram as regras: as que os mantinham no escuro. Eu não! Elas funcionam pra mim!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

What did you expect out of me?

I´m a girl, of course I´m gonna be emotional, of course I´m  gonna have mood swings, of course I´m gonna get jealous, of course I´m going to worry, of course I´m gonna complain, of course I´m gonna be confusing, of course I´m gonna be selfish, of course I´m going to be difficult to understand.

I´m  NOT going to be perfect & to be honest,

I might never be the way you want me to be, but one thing you should know is that I´m  trying.
It's not like I want to give you a hard time purposely, it's not like I enjoy making you upset, it's not like I mean to push you away.

I´m  just been through a lot, my trust has been misplaced so many times, my heart's been broken a lot & my judgement has been wrong & I´m just scared it might be the same.

So forgive me, forgive me for being afraid to get hurt again.

domingo, 3 de novembro de 2013

Past Hurts

Ao tentar não discordar com a minha colega sem argumentos resolvi arriscar.
Decidi ir a uma festa, um show com a seguinte expectativa: conhecer pessoas novas e saber que há vida no mundo e que eu posso participar dela.
Bem, realmente ao chegar no show percebi que há várias pessoas interessantes ao meu redor. Mas também vi o quanto uma noite pode ser cara e atrapalhar meu orçamento, o quanto eu me sinto desagradável nesses lugares que lembram o meu passado e como eu ainda consigo me apaixonar loucamente por um olhar ou um sorriso e esquecer que o resto do mundo existe, mesmo que a pessoa não saiba nem que eu existo.
Meu passado? O que tem de tão ruim nele? Muitas coisas... Coisas que me envergonham, que me mostram quem eu era e que eu não quero ser mais. É difícil falar, escrever, admitir. Coisas que eu espero que ninguém da minha família saibam e muito menos minha filha.
Cheguei a seguinte conclusão: não sei se é hora de parar de tomar os medicamentos, mas com certeza não é hora de lidar com os meus medos e com minhas formas de se relacionar. É hora de eu me sentir segura na minha bolha.
Aos 18 anos até os 29 eu tinha uma impressão sobre mim. Acreditava que apesar de me achar completamente horrível fisicamente, eu tinha um bom coração, então para algum relacionamento dar certo era necessário apenas a pessoa me conhecer que eu poderia ser uma boa pessoa, principalmente quando eu as estudava e fazia exatamente aquilo que elas queriam, esperavam ou o que eu achava que elas esperavam de mim. Funcionou algumas vezes por um tempo.
No entanto, no meu ultimo relacionamento “forçado”. Há esqueci de mencionar isso, que a grande maioria dos meus relacionamentos eram “forçados”. A pessoa conseguiu me mostrar o quanto eu sou horrível por dentro também. Ela me mostrou o meu reflexo interior.
A partir daí passei a me odiar por dentro e por fora e por conta disso não me vejo me relacionando com mais ninguém. Que meu destino é a solidão.
Na verdade apesar de falar isso a muito tempo, eu tinha planos bem diferentes. Meu plano era que quando eu fosse pra Roraima o Neto ia voltar pra mim e eu, ele e a Sarah seríamos uma família feliz. Só que ele me fez o favor de desfazer essa ilusão no domingo 03.11.2013.
Eu acreditava que poderia dar certo porque ele me conheceu na infância e pureza no meu coração, estava longe de mim na minha fase ruim e eu me tornei outra pessoa ao lado dele nos três anos que vivemos juntos. Uma pessoa boa, com sentimentos verdadeiros.
Então, agora posso dizer que vou ter que ficar sozinha mesmo. Eu tentei, vivi experiências. E a cada experiência vivida reforça o meu ponto de que é melhor não sentir nada, do que dor para ter alegria e prazer.
Cheguei ainda a conclusão que eu nunca tive respeito com ninguém. E esse era o problema que as minhas relações nunca davam certo: a falta de respeito com o outro. Talvez porque eu nunca tive respeito nem por mim mesmo. Sei lá.

sábado, 2 de novembro de 2013

Viver dói!

Dói como bater o dedinho do pé numa quina.
Dói como levar um arranhão de leve, que não é profundo o suficiente para fazer sangrar, mas feriu o bastante para arder e te deixar sem opção a não ser sentir dor.

Após 29 anos de seguidas decepções entrei em coma com a vida.
Vivi intensamente por 29 anos, depois acabou. GAME OVER. Não existem mais vidas nem o botão de continue. Parei o jogo alí e desisti, quebrei o jogo.
Desacreditei que era possível continuar depois de tantas mortes e tantos reinícios. Preferi matar o sonho de chegar ao final.
E como dizia Warley Tomáz: "Um homem sem sonhos é vazio; está morto por dentro".
 "O espírito dela espera na janela daquele quarto de hospital. Seu corpo há muito foi levado mas ela continua ali, numa espera sem fim". http://perdidosnaescada.blogspot.com.br/2010/04/ela-espera.html
Não aguento mais a dor, desamor.

Após 4 anos no coma, sendo acompanhada e medicada... Perdi alguns sentidos, mas ouço comentários. Os médicos falam: Viva! Reaja!
A família tem esperança de que eu possa viver de novo e ficam na expectativa de algum sinal de melhora.
Mas eu não posso me mover, eu não tenho como reagir.
Se eu tentar eu vou sentir dor, tenho medo, tenho pavor.

E, não sentir nada é melhor do que elevar o espírito com o bem estar e depois cair com a gravidade.
A cada subida uma queda. A cada altura um impacto de mesma grandeza proporcional.
Da queda e do impacto: DOR

Médicos não me peçam pra viver, entendam! Eu não quero me sentir bem!
O que existe é o estado vegetativo do coma, não há mais sonhos, não há mais vida.
A  ciência permite que a química me acorde e me faça dormir.
Estar respirando artificialmente para que outras pessoas não sofram já é uma carga bastante pesada para suportar.

Eu preciso de ajuda, mas ajuda para morrer e não para viver.
É da eutanásia que eu preciso, mesmo contra a aceitação legal no Brasil.
Eu preciso que desliguem os aparelhos!!! Me deixem ir

Eu não preciso de medicamentos que me façam sentir e sim daqueles que me façam parar de sentir.
Será que existe alguém no mundo que possa me ajudar?