quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

2020

 janeiro - convocada pela minha irmã para passar 50 dias no Canadá enquanto o marido dela vijava de férias para a thailandia sozinho. isso foi so um detalhe, nao noss meteremos na vida de casados dos outros. o mais importante era ajudar a alimentar e levar os meus sobrinhos a escola e mante-los separados de brigas entre eles.

consegui teletrabalho, fomos a edmonton a passeio e depois a seattle, curti. mas tinha dias que o ceu ficava bem cinza o dia inteiro com aquela chuvinha fina e eu entendi o que era depressao de inverno.

me incomodava saber que a casa tinha camera em todas as entraadas e na area externa e que a todo momento esstavmos sendo vigiados e julgados. mas meu amor pela minha irma era maior que esses pequenos oncomodos.

sarah acompanhava o que se passava no colegio via whatasapp e eu trabalhava remotamente de forma porca e mal feita. recebi varias reclamacoes e me senti constrangida com tudo o que estava acontecendo.


março - chegamos no Brasil, mal podemos respirar e a onu declara pandemia no munod inteiro (um dia depois que chegamos0, dai trabalhei presencialmente uns 15 dias e a sarah foi apenas 2 dias presencialmente para a escola.

tudo mudou, inicialmente fiquei sem psicologa por um tempo porque nao queria sessoes remotas, tivemos que nos acostumar com rotina de ficar em casa e trabalhar e estudar.. eu tinha crises de ansiedade de ficar com falta de ar, meu maior medo de todos era que algo acontecesse comigo e a sarah ficasse sozinha.

Quando foi liberada as sessoes preseciais passei a ir duas vezes na seman

junho - minha avo ficou doente em fortleza, gerou a duvida se era dengue ou covid, meu primo e a muher pegaram covid, minha prima medica trabalhava freneticamente na ala covid no hospital geral de fortleza e no final das contaas tambem pegou covid.

essas noticias, enquanto eu estava a quatro mil km de distancia parecia acabar com toda a minha paz, sabe, aquela que eu nao tinha, piorou. sempre me senti em grande divida com toda a familia por me acolher quando voltei pdos estados unidos sem dinheiro e com filha a tira colo. todos os cuidados que tiveram com ela enquanto eu tentava trabalhar e estudar.


mas em agosto decidi que viria pra fortaleza pagar essas dividas, audar minhas primas que um dia me ajudaram com os filhos pequenos delas, cuidar da minha tia de 59 anos com alzheimer avancado, cuida da minha avo e leva-la para fazer um checkup completo como nunca fez na vida e cuidar da minha tia que faz hemodialise no que precisassse. o que acabou precisando muito pq ela teve uma microfratura na bacia e nao podia andar nem dirigir (sabe aquela tia que acava que eu usva drogas e que e u tinha pego dinhero dela? pois é... o mundo da voltas), entao dirigi muito, fui a muitos medicos e trabalhei. 

no final das contas acabei dando menos atenco a miha filha, que sofreu com o distanciamento.

chegou meu niver de 40 anos, o dia que eu queria nao ver ninguem e passar 24 horas dormindo como se esssa data tivesse sido arrancada do calendario. mas mais uma vez para agradar a todos teve um cafe e um bolinho e fotos no instragram mostrando que esta tudo bem (so que nao) e percebi o quannnto a rede social deturpa a relidade, e mesmo assim me atinge muito

desde que eu cheguei em fortaleza, como eu dirigia muito, eram muits lembrancas quando eu pessava no meu predio onde cresci, ou nos colegios que estudei ou perto d casa de colegas de escola, antiga casa da minha avo. eu lembrava do tempo que eu era feliz e nunca mais ppoderei ser, tambem lembrei das coisas que fazia para as pessoas me aceitarem e o quanto eu me sentia fora dagua em muitos grupinhos. nesses momentos eram bem impactantes mas eu estava focada em outras missoes entao acabava conseguindo nao me abalar tanto com isso. e nada que um remedinho para  dormir a noite nao resolvesse.

os 40 anos pesaram, de acordo com as minhas crencas, etica, moral e codigo ditatorial existente na minha cabeça. chegar nessa idade foi como ver o fim do mundo. sentir a dor da morte, mas escolher a vida como consequencia de uma escolha do passado que nunca podera ser mudada.

Nao tive coragem de ver ninguem das minhas amigas de infancia, nas quais ainda tenho contato por mesagens tendo em vista que seriam muitas pessoas ao mesmo tempo que eu teria que fingir que esta tudo bem e que com certeza perceberiam que nao e eu viraria assunto de fofoca depois. afinal ninguem entende o que eu penso, entao prefiro calar-me a explicar, da muito trabalho e a cabeca das pessoas sao fechadas. tambem nao faco bem a ninguem e a felicidade delas, casadas, com filhos, felizes ne incomodam

Ja tinha que fingir todos os dias na cidade para a familia, afinal os problemas deles sao maiores que os meus. sim acredito que pessoas tem problemas de tamanhos diferentes, fardos maiores e menores. e o que me incomodou foi a sarah me vindo cada dia mais mal. e eu me achando a pior mae do mundo

Abri mao da exigencia de psicologa presencial e voltei a fazer sessoes on line. pelo menos pra respirar um pouco, nao é a mesma coisa, minha insoonia vem de madrugada com mil textos na cabeca e me obriga a escrever, aqui é so um pouco do que eu me lembro agora, porque mesmo depois de tofos os remedios benzodiazepidicos e indutores de sono que eu conheco, sao quatro da manha e ainda estou escrevendo


1. Minhas Leis

2> Diferença entre Lais Souza e Eu

. Laís Souza atleta ajudou o país a alcançar resultados históricos nas Olimpíadas de 2004 e 2008. Em 2014, estava pronta para representar o Brasil em uma nova modalidade, o esqui aéreo, nas Olimpíadas de Inverno, quando, em um treino, sofreu o acidente que mudou a sua vida a deixou tretraplegica. Entende que hoje é eficiente, que não posso treinar, correr.  

Só foi com o tempo que eu fui percebendo, e passei a chorar bastante sem entender o porquê de tudo o que estava acontecendo. Na verdade, até hoje ainda estou esperando a ficha cair de uma forma que eu realmente compreenda o que aconteceu. 

Perguntada se o esporte iria voltar a sua vida?
ainda acredita que pode ser que sim. Mas, é claro, uma forma diferente, assim como tudo que eu voltar a fazer. Não sei ainda se me vejo mãe, se me vejo praticando esporte, ajudando atletas por meio da psicologia. Às vezes penso que vai ser de uma forma e acaba sendo de outra. 

3. o Natal de 2020

4. Novas criancas na familia

5. O casamento em noronha

6.ano novo

7. contagem regressiv para ir embors

domingo, 15 de setembro de 2019

Carta aberta a um jovem rapaz



Existem momentos em nossas vidas que parecem nos definir.
Momentos que continuamos revivendo...

Eu li centenas de romances na minha vida, 
assisti uma infinidade de comédias românticas.
A maioria deles alegando que o amor era o centro do universo.
Que poderia curar qualquer dano dentro de nós.
Que tudo supera e no final sempre dá certo
Que isso é o que precisamos para sobreviver.

E eu acreditava nisso

Não imaginava que o amor fosse fictício, 
somente encontrado nas páginas de um livro ou nas telas de um filme.

Eu sempre pensei que me encontraria completamente
e totalmente consumida por outra pessoa, 
que me mostrasse que seja lá do que nossas almas sejam feitas, 
a dele e a minha eram a mesma.

Mas tudo isso mudou desde que o conheci.

Ele pegou minha mão e me jogou na escuridão, 
me mostrou que, antes dele, 
minha vida era simples e decidida.

E agora, depois dele, há apenas...

DEPOIS

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

UM DIA VAI DAR CERTO

NÃO!!!

Vai dar tudo errado. TUDO!
Você vai se decepcionar com as pessoas que mais gosta.
Vai tirar notas ruins mesmo tendo passado a noite estudando.
Vai brigar com a sua mãe e ouvir que você não faz o suficiente.
Vai cortar o cabelo e achar que ficou horrível.
Vai ver o namorado com a sua melhor amiga.
Vai perder pessoas que ama.
Vai se esforçar para fazer ele feliz e não vai ser valorizada.
Vai usar o seu melhor vestido e ele nem vai notar.
Vai descobrir que aquela amiga "tão querida" nunca quis seu bem.
Vai dizer um "eu te amo" e escutar apenas um "prefiro não acreditar nisso".
Vai tentar agradar a todos e mesmo assim ouvir pessoas que nem te conhecem falando mal de você.
Vai perceber que erros não passam despercebidos e que as pessoas vão sempre te julgar.
(...) Vai cair de cara no chão. De novo. E de novo. (…)

Um dia eu acreditei que fazendo a minha parte tudo iria dar certo, que quando empenhava toda a minha força e vontade com um bom planejamento, não seria uma questão de sorte e sim do encontro da preparação com a oportunidade.

Eu tinha autoestima suficiente para acreditar que era capaz, tinha a motivação necessária para não desistir e ir a luta, persisti enquanto pude... Mas não bastou.

Eu só queria saber, qual o período em que tudo começa a dar errado.
Lembro do orgulho de ter algum sentimento.
Eu sei definir maus momentos, mas não o primeiro instante em que tudo teve início.

Queria trocar um eu, sedentário, por uma atleta de verdade.
Deixa eu afastar os mundos logo um do outro que talvez seja melhor.
Eu não tenho que pedir desculpas ao mundo pela minha loucura, eu não tenho que pedir permissão pra poder ir tentando se acertar em meio a tantos erros de cálculo óbvios e tiros no coração de
raspão.

Opostos, negativo e positivo, extremos distintos, juntos nunca dão ‘mais’.
É sempre um ‘menos’ preciso que a gente vai encontrar no caminho.
É sempre um ‘menos’ frio que vai bater na nossa cara não importando pro lado que a gente vire.
E não importa o quanto eu tente...

Orgulhos são pedaços de vidro dentro da garganta:
Se engolir morre, se cuspir fora cada palavra, cada momento... sangra, sangra muito.

O tempo talvez seja a principal causa de tudo dar errado, através dele ocorreram as decisões mais importantes.
Situações importantes requerem decisões rápidas e com um tempo menor o que pode afetar e ocasionar um erro.
O tempo está presente no momento e na consequência da escolha.

O tempo vai marcar um momento, vai fazer que ele dure para sempre, ou por alguns instantes.
O tempo te acompanha mesmo quando vocês nem sonhava em existir, ele faz com que tudo na sua vida seja guardado, relembre os bons e maus momentos, deixa passar algo despercebido, questiona o que já aconteceu.
Ele marca uma tragédia e a "cura" a longo prazo assim como não deixa uma boa memoria ser esquecidas, "as boas recordações duram muito tempo, porém as más mais tempo". Ele faz com que as pessoas se gostem mais através do tempo que ficaram juntas.

O tempo acalma e esclarece.

O tempo foi inventado para que todas as coisas não acontecessem somente de uma só vez.
Mas ele não faz com que todas as suas atitudes certas deem bons resultados...

sábado, 22 de junho de 2019

RECAÍDA

Você já esteve no fundo do poço, aquele lugar escuro onde pensou que nunca mais poderia sair de lá?
Você sabe onde é a beira do suicídio?
Já visitou lá algumas vezes?
Já se sentiu tentada a pular e resistiu?
Eu também!

Muitas pessoas não entendem, acham simplesmente que se trata de egoísmo.
Mas não é egoísmo, é desespero. É dor.
E quando a dor fica tão insuportável parece que tirar a vida ser a melhor solução de todos os problemas.

Depois de muito tempo eu vi o sol.
Mas tenho muito medo de ter todos aqueles sentimentos de novo.

Ninguém oferece álcool a um alcoólatra quando ele acaba de sair da reabilitação, ou cocaína, maconha, heroína, lsd a um drogado viciado que está em recuperação.
Como ficam essas pessoas quando estão em início de tratamento?
Elas sofrem abstinência, elas sentem dor, elas tem doenças físicas por conta dessas dores mentais, porque de alguma maneira seu cérebro foi alterado.

Eu não sou alcoólatra, eu não uso drogas.
Mas, existe algo que me faz sentir a dor que essas pessoas sentem.
Eu não preciso de álcool e drogas para chegar ao fundo do poço.
A REJEIÇÃO me leva até lá.

Diga para mim: "eu não gosto de você da mesma maneira que você gosta de mim".
Diga para mim: "te quero apenas como amiga".
Me diga: "NÃO".

E, então, quando finalmente tinha a oportunidade de me relacionar, acabo me jogando de cabeça muitas vezes sem medir as consequências dos meus atos e, no final, acabo me decepcionando novamente. Assim de tentativa em tentativa... só encontrei o desamor.

Essas coisas alteram o meu cérebro de uma forma que acaba comigo.

UMA PESSOA BASTA

para eu me sentir a pior pessoa do mundo; desprezível; horrível; feia; desinteressante
e a que ninguém nunca vai gostar da forma como eu gostaria que gostasse.

Não adianta o resto do mundo me falar de forma diferente, dizer o contrário.
Eu caio de cama, e cada vez que isso acontece fica mais difícil pra levantar, me recuperar e fazer o que a sociedade exige que um adulto faça: trabalhe e pague suas contas sem ficar doente.
Eu passei a minha vida inteira tentando reverter isso, até o dia que eu cansei.

E achei a saída: ISOLAMENTO SOCIAL.

Mas como isso não é uma coisa muito comum, normalmente as pessoas me pedem pra viver e socializar, conhecer pessoas novas, ter novos relacionamentos, amizades, romances.

MAS NÃO POSSO!!!

Eu não consigo explicar o por quê de não poder,
mesmo que às vezes eu tenha vontade de conhecer pessoas novas, eu tenho que me conter.

É melhor ficar sendo um robozinho e ser um adulto casa, trabalho sem nada mais.
É mais seguro para a minha saúde.

sábado, 4 de maio de 2019

Assédio

Todos acham que sabe o conceito, todos acham que entendem, a empresa tenta explicar aos funcinários como funciona o os estimulam a denunciar, mas será que você consegue ser capaz disso?

O que diz a empresa:
Cartilha de Assédio Moral, Sexual e Discriminação
"O tema, cada vez mais, vem sendo debatido nas instituições e sempre merece atenção por parte da Administração, de forma a não apenas coibir tais práticas, como também a prevenir e orientar quem se veja nessas situações.
Os casos de assédio e de discriminação são bastante delicados, uma vez que ocorrem de forma velada e sutil. Seus efeitos são maléficos tanto para a pessoa assediada quanto para a instituição, e a sua resolução demanda canais nos quais se possa denunciar com segurança.
Esta iniciativa objetiva promover,  um ambiente mais saudável e comprometido com a garantia dos direitos fundamentais de quem contribui diariamente com seu trabalho em prol da instituição.

Atentado contra a dignidade por exemplo: Não levar em conta seus problemas de saúde;
Todo trabalho apresenta certo grau de imposição e dependência. Assim, existem atividades inerentes ao contrato de trabalho que devem ser exigidas ao trabalhador. É normal haver cobranças, críticas construtivas e avaliações sobre o trabalho e/ou comportamento específico feitas de forma explícita e não vexatória. Porém, ocorre o assédio moral quando essas imposições são direcionadas para uma pessoa de modo repetitivo e utilizadas com um propósito de represália, comprometendo negativamente a integridade física, psicológica e até mesmo a identidade do indivíduo". http://intranet.mpf.mp.br/areas-tematicas/ouvidoria/publicacoes-1/cartilhas/documentos/002_15_Assedio_Moral_Sexual__ONLINE.pdf

Agora imagine você, que já não tem vontade de viver e que só está viva porque tem que criar uma filha sozinha e depende completamente do seu trabalho pra isso. Ainda tem todos os problemas do mundo na sua cabeça.

Acorda de manhã, deixa a criança na escola e vai trabalhar. No lugar que é para ser seguro, seu refúgio, onde todos os seus problemas são esquecidos, pois lá você está fazendo um bem para a sociedade em geral colocando os "bad guys behind bars" e você AMA fazer isso.

Fora o trabalho, sua vida se resume a toda atenção a sua filha, séries e videogames, evita ao máximo contatos sociais, tem isolamento social como meta de vida, pois está só "esperando a vida passar diante dos seus olhos".

E aquele trabalho que era para ser seu momento de paz de repente se transforma em pesadelo.

O tempo inteiro tudo o que você escuta é o que você faz está errado. Sim existem erros mas são erros de concentração, de tensão porque a minha tentativa é sempre fazer tudo certo e no prazo correto.

Você já teve momentos em que não conseguiu dar conta do trabalho e esse fantasma te assombra todos os dias, então você tenta sempre estar terminando tudo com medo de que chegue algo que ocupe todo o seu tempo e você não consiga dar conta.

Mesmo assim você finge que está tudo bem. Então seu superior te chama e diz que seus erros são inaceitáveis, que sua avaliação vai ser negativa.

Você não liga para avaliação, ou pelo menos finge que não liga, vai lá e tenta corrigir tudo exatamente do jeito que foi pedido, mesmo sabendo que você sempre vai ser a negligente da história.

Você tenta não acreditar nisso, que você não faz seu trabalho direito, que você é preguiçosa, que você é negligente. Mas, você escuta tantas vezes que por um momento aquilo acaba se tornando verdade na sua cabeça. Então você chega em casa se enche de comprimidos e dorme o final de semana inteiro para aguentar a semana seguinte.

Assim as coisas vão acontecendo e você continua fingindo que está tudo bem. Até que seu corpo não aguenta e você começa a ter doenças psicossomáticas: Dores no estômago, diarreias, enxaquecas frequentes.

Sabendo do que se trata, você as ignora até que um belo dia sua coluna trava de vez.
Ao ir no ortopedista, com 30 quilos acima do peso, você descobre que não tem apenas uma hernia de disco e sim duas e claro você sabe a causa: aumento de peso e excesso de sedentarismo.

Depois de muitas idas ao médico, seu superior te chama e acha que "você está indo ao médico demais".

Parece brincadeira isso né!

Quem vai gastar dinheiro com médicos e exames quando faltar ao trabalho é mais barato? Fora os remédios que custam um absurdo!

E a sorte não está do seu lado...

Você tem uma viagem marcada e na viagem descobre que a empresa aérea mudou a data do seu vôo para o dia posterior forçando você a faltar um dia de trabalho.

Tudo o que o seu chefe queria para provar o quão DESIDIOSA você é.
Ele quer abrir um PAD (processo administrativo disciplinar) contra você a qualquer custo.

O que você pode fazer?
Acredite em você!

Você não é o que ele diz.
DENUNCIE!

quinta-feira, 25 de abril de 2019

America

Imagem relacionada

América, me apaixonei de ouvir falar aos 10 anos.
Aos 15 tive a oportunidade de te conhecer pela primeira vez.
Aos 20 resolvi viver com você, até o dia em que eu te abandonei sem olhar para trás.
Pelo menos talvez você tenha pensado assim. 
Mas eu olhei para trás.
Olhei todos os dias, olhei no momento em que entrei no avião de volta a minha terra natal.

Afinal eu nunca poderia esquecer. 
Trouxe na bagagem um pouquinho de você: minha filha americana!

Tentei te ver em 2012 você não permitiu, nem tinha passado dez anos, mas eu ainda pensava em você com muito amor.
Em 2014 tentei novamente, mas não seria tão fácil.
Você estava bem mais exigente comigo, desconfiada.

Estudei, terminei o meu curso de Direito, fiz vários concursos, cheguei a um nível relativamente alto. Ainda não foi o suficiente.
Escutei:
- Me esquece! Tenha olhos pro resto do mundo, conheça o mundo e quem sabe algum dia te darei uma chance.

Fui em Paris e no retorno tentei te ver mais uma vez. Nesse momento já estava num trabalho que 90% dos brasileiros não possuem e que é o sonho de muita gente.
Você me disse:
 - Você errou muito comigo. Não quero a sua presença!

Conheci o Panamá, fiz um cruzeiro pela Europa tentando te esquecer, mas sempre te amei. 
Você nunca saiu do meu coração.

Chorei, como chorei em todas as vezes que você me rejeitou. Meu Deus, não entendia o quanto isso doía em mim

Em 2018 decidi que tinha que aprender a viver sem você e me contentar em visitar o Canadá, seu vizinho. Entretanto, pedi apenas que deixasse eu posar num de seus aeroportos para poder aproveitar as passagens mais baratas.

Surpresa! Você disse que eu merecia uma segunda chance.
Que eu podia te visitar.
Meu coração se encheu de alegria. 
Confesso que já tinha desistido de você. 
Mas a emoção foi como se fosse a primeira vez.

Em 2019 ao descer do avião pensei em todas as suas rejeições.
Pensei que não fosse passar dos guardiões da borda, mas passei.

Te vi novamente e me senti em casa.
Me senti completa, me senti feliz. 
Como a muito tempo não me sentia na vida.

Mas eu sei das suas leis. 
Sei que você não me permite viver contigo.
Então, voltei pra casa.
Mas com o coração leve. 
Pois sei que posso te ver novamente.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O Elefante Branco

Maria trabalhava na empresa “Dream Job”. Certo dia, chegou uma tarefa de oito volumes com prazo de 15 dias. Ela tinha que agira, era importante, tinha peixe grande dentro. E o seu conhecimento prático era igual a zero.

Nunca tinha feito aquela tarefa e só tinha ouvido falar na faculdade, mas fazer o que.

Ninguém se importava,

Ela tentou de todas as maneiras, não dormiu no final de semana direito pensando nos oito volumes de sua tarefa. Não resistiu e levou suas anotações para casa, junto com seus estudos e ficou por um dia inteiro tentando achar a resposta perfeita para o problema.

Tudo que ela tinha era o resultado final desejado que tinha sido direcionado pelo chefe.

Esforços não foram medidos.

Com humildade levou uma “possível” solução da tarefa, já imaginando que seus erros seriam apontados. Na verdade, Maria estava contando com o apontamento dos seus erros para aprender.

Após a análise do chefe, seus erros foram apontados e Maria prontamente se dispôs a corrigi-los.
Mas ela não sabia que não teria mais outra chance de corrigi-los novamente.

Depois, silêncio total.
O telefone tocou. O elefante branco apareceu!

Acabou o seu dia de trabalho e ela voltou para casa.

Em sua mente, seu chefe não gostou do trabalho dela, delegou-o a outra pessoa, pois não teria tempo ou paciência com alguém que não sabe fazer o que lhe é determinado.

A aflição tomou conta. Acabou o seu dia.

Isso poderia ser apenas mais um pensamento de alguém que tem problemas psicológicos, mania de perseguição ou baixa alto estima, dentre outros...

Mas o elefante branco estava lá! Não foi imaginação! Era real!

Como Maria vai continuar trabalhando na empresa “dream job” sem ter a experiência necessária para o cargo, com muitas responsabilidades e pouca inteligência emocional?

Esse é o trabalho que Maria liga, que quer passar o resto da vida, não é apenas mais um.

Mas, talvez seja…

Ela só não sabe ainda...


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

2019 - Lágrimas a declarar

2018 Foi um ano bom.
Realizei 3 sonhos: Fui morar no Sul do Brasil; Consegui meu visto de turismo para o Canadá e para os Estados Unidos.
Até hoje a frase do servidor do consulado americano soa na minha mente: "Everybody deserves a second chance". Valeu a pena dizer a verdade.

Em outubro de 2018 com o visto em mãos e férias marcadas consegui comprar uma passagem acessível para passar 45 dias com a minha irmã em Vancouver. Parecia que nada podia dar errado...

Ledo engano, de repente a maré começou a mudar.

Faltando menos de uma semana para a tão sonhada viagem, começou o pesadelo.
Comunicado de cancelamento de férias, acusações que não feriram o corpo, mas o fundo da alma.

Nessa hora me lembrei do quão é difícil ser feliz e o quanto a felicidade quer viver longe de mim.
Aquele sentimento de ser feliz por um segundo, foi bom por um momento. Mas é incrível o estrago que vem depois.

Com o cancelamento do comunicado, chegou o "grande dia" da viagem e o estomago deu seus sinais de "não estou a fim de viajar", em seguida foram os olhos que se encheram de lágrimas, mas não de alegrias e sim de uma profunda tristeza.

De repente o ombro "endureceu" e aquele reencontro que era para ser um momento lindo se resumiu em um: "Me leva pra casa que preciso de cama".

Minha irmã e meus sobrinhos choraram de emoção com a nossa chegada no Natal e eu estava ali, apenas de corpo. Não sei em que parte do caminho ficou a minha alma ou os meus bons sentimentos.

No ano novo não resisti, poderia ter ido ver os fogos no centro de Vancouver, mas a cama me segurava como uma camisa de força e eu não precisava me esforçar para dormir.

Eu viajei mais ou menos 12.500 km, em três dias, para estar com a minha família, para aproveitar minhas férias, para conhecer um país novo, uma cidade nova. aproveitar todo o tempo para escutar a língua que amo, o inglês.

E tudo o que eu consigo fazer é chorar debaixo do edredom com a certeza de um futuro incerto.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Se ser feliz fosse decisão eu não estaria aqui

Já que ultimamente as palavras me faltam a mente, assisti um vídeo que me chocou, que demonstrou tudo o que eu sinto, que tornou claro os fantasmas que vejo...

Sabrina Benaim é uma jovem escritora canadense e conhecida por suas performances em eventos de poesia. Em 2015, sua peça mais emblemática foi nomeada de “Explaining my depression to my mother” (Explicando minha depressão para minha mãe, em tradução livre) e já conta com mais de quatro milhões de visualizações. No monólogo, Sabrina fala sobre todas as angústias que sofre uma pessoa com depressão e ansiedade.

 Explicando a depressão para minha mãe

Mãe, minha depressão é como uma metamorfose, em um dia ela tão pequena quanto um vagalume na pata de um urso, e no próximo dia, é o urso. E nesses eu me finjo de morta até que o urso me deixe sozinha. Eu chamo os dias ruins de "dias sombrios".

Minha mãe me diz: "Tente acender velas."

Quando eu velo uma vela eu vejo o brilho de uma igreja, a terminação de uma chama, as faíscas de uma memória mais jovem que o meio dia. Eu estou de pé, ao lado do seu caixão aberto. É nesse momento que eu percebo que cada pessoa que eu conheci irá algum dia me deixar. Além disso, mãe. Eu não estou com medo do escuro, talvez isso seja parte do problema.

Minha mãe me diz: "Acho que o problema é que você não consegue levantar dessa cama!"

Eu não consigo, a ansiedade me mantém refém dentro da minha própria casa, dentro da minha própria mente.

Minha mãe me diz: "Da onde a ansiedade vem?"

Ansiedade é o primo de fora da cidade fazendo uma visita, que a depressão se sentiu obrigada a levar para a festa. Mãe, eu sou a festa, só que eu sou uma festa que eu não quero ser, uma festa na qual eu não quero estar.

Minha mãe me diz: "Por que você não vai à uma festa de verdade ver seus amigos?"

Claro! Eu faço planos, eu faço planos mas eu não quero ir, eu faço planos porque sei que eu deveria querer ir, eu faço planos pois sei que algumas vezes gostaria de ter ido, é que simplesmente não é muito legal se divertir quando você não quer se divertir, mãe!
Sabe, mãe, toda noite a insônia me pega em seus braços e me larga na cozinha, no tênue brilho da luz do fogão. A insônia tem esse jeito romântico de fazer a lua parecer uma perfeita companhia.

Minha mãe me diz: "Tente contar ovelhas."

Mas minha mente só consegue contar razões para continuar acordada. Então eu saio para caminhar, meus joelhos disfêmicos fazem "clack" como colheres de prata seguradas em braços fortes com pulsos frouxos. Eles tocaram minha cabeça como desajeitados sinos de igreja. Me lembrando que estou sonambulando em um oceano de felicidade no qual eu não posso me batizar.

Minha mãe diz que: "Ser feliz é uma decisão."

Mas minha felicidade é mais oca do que um ovo furado por uma taxinha. Minha felicidade é como uma febre fervente, que a qualquer momento pode estourar.

Minha mãe me diz que: "Eu sou tão boa em fazer algo do nada." E depois na cara dura me pergunta se eu não tenho medo de morrer. Não, eu não tenho medo de morrer, eu tenho medo de viver. Mãe, eu sou sozinha. Acho que aprendi, quando o papai foi embora, a transformar a raiva em solidão, e a solidão em ocupação. Então quando eu te digo que tenho estado super ocupada, na verdade eu quero dizer que tenho caído no sono assistindo o jornal esportivo no sofá para evitar confrontar o espaço vazio na minha cama, mas sempre acabo sendo arrastada de volta para ela. Até que meus ossos sejam os fósseis esquecidos de uma cidade esquelética afundada e minha boca um cemitério de dentes quebrados de tanto morder a si mesmos. O auditório vazio de meu peito com esses ecos de batidas do coração. Mas eu sou apenas uma turista descuidada agora, eu nunca vou verdadeiramente sabem de todos os lugares em que estive.

Minha mãe ainda não entende. Mãe, você não consegue perceber que eu também não?

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Dias Assim

Aquela tensão como se uma arma tivesse apontada na cabeça
Aquele sentimento de excesso de trabalho que a qualquer minuto vou explodir
"Licença Médica" e a tradução de que todos vão me ver como preguiçosa, cara de pau e aquela pessoa que ninguém pode contar
Sintomas de que eu estou ficando ↑↑"sick"↑↑

Eu não estou nada, eu sou
Não existe cura...
A guerra interior
A vontade de entrar em coma (literalmente)
O choro no meio da madrugada
A paralisia - quanto mais coisas eu tenho pra fazer menos eu consigo

"o desânimo, e a vontade de largar tudo e voltar pra cama, e ficar na cama. As vezes você até volta pra cama, mas se culpa o resto da semana (ou da vida). Você tem (mais) obrigações que as vezes não consegue cumprir, se planeja no dia anterior pra no outro dia não fazer nada porque estava dormindo." http://borderline-girl.blogspot.com.br/2017/02/

A transformação: a dramática, irresponsável, impulsiva, difícil, louca...

Parece que a única saída é se encher de comprimidos...

Infelizmente ainda não tenho a capacidade de induzir coma sem risco de morte.
Mas a vontade que dá é que só assim as pessoas enxergariam
Só consigo pensar que é o único jeito de mostrar para as pessoas que eu estou mal: enchendo a mão de comprimidos e engolindo-os.
É a única forma de socorro que passa pela minha mente.
Só não executo porque tenho a certeza que vai piorar tudo.
Não quero platéia.Prefiro gritar em silêncio.

Quanto menos souberem melhor.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Suddenly


a paciência é zero
a insegurança é mil
a saudade dói

vem a vontade de ter como melhor amigo a pessoa que não faz questão de me ter por perto.

a cabeça gira
impossível atingir a concentração necessária
o trabalho atrasa, tudo está fora do prazo
há baixo desempenho e o risco de exoneração bate a porta

remédios não conseguem solucionar os problemas dessa vez
os bons médicos estão a milhas de distância

não há confiança
só resta o silêncio

vem a culpa de preocupar os amigos que me tem por perto

todos os dias eu digo que está tudo bem
é mais fácil do que dar explicações
ou conviver com a culpa

o rosto desfigura
a felicidade dar lugar a tristeza
caí

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Férias Calorosas no inverno do Sul

Fui tirar férias no Rio Grande do Sul no intuito de rever amigos e fazer as pazes com DEUS.
Tinha certeza que seria mais um retiro espiritual com momentos de introspecção, concentração e estudo da palavra do que passeios propriamente dito.
Enganei-me.

Apesar de pouco planejado, tudo saiu diferente.
O lugar que eu iria passar pouco tempo, fiquei muito.
O lugar que eu iria passar muito, fiquei pouco.
Era suposto fazer frio, fez calor.
No entanto, foi tudo surpreendentemente incrível.
Melhor do que eu poderia imaginar.

Fazia muito tempo que não me sentia tão bem, tão feliz, tão serena.
Conversei muito, ri muito, chorei também e no final das contas voltei sem ir na Igreja.
Mas DEUS falou comigo mesmo assim.

Ao chegar em casa veio a saudade da felicidade.
Sentimento que eu tentava evitar a todo custo por medo de sofrer.
E ele me pegou desprotegida.

Por um tempo...
Foi bom ser feliz.


domingo, 1 de janeiro de 2017

Desejo

Por que todo recesso de final de ano é difícil?
Reencontro com familiares e amigos
Aparências
Maquiagens de alegria
Coisas que não existem
E tudo o que eu queria
era apenas que as pessoas
me aceitassem do jeito que sou
e que entendam que não pretendo mudar
Isso faz de mim uma pessoa egoísta?

Eu tenho um filme favorito
um prato favorito
e centenas de coisas que não me agradam

Por que tentam me mudar a todo custo?
Qual o problema de me aceitar como sou?

Houve um tempo em que eu me sentia muito mal
por não conseguir agradar aqueles a quem estimo.

Mas hoje, hoje não.
Me sinto invadida e desrespeitada.
E a distância faz eu me sentir melhor

Quero voltar pra casa



domingo, 18 de dezembro de 2016

Luto 2016

Eu tenho me esforçado e dado o melhor de mim
Existem momentos que eu ensaio uma aproximação
Mas eu não sei como falar de arrependimentos
Mesmo assim, tudo está claro
Eu realmente sinto que perdi
É difícil acreditar ser o fim
Parece mesmo que aconteceu
E se isso é real bem eu quero saber
Fale então! Por favor explique!
Não sei o que você está pensando
Preciso de razões porque o silêncio machuca

Você e eu costumávamos estar juntos
Todos os dias juntos sempre
Você me tornava melhor
Nossas lembranças
Muitas são boas
Mas algumas são completamente amedrontadoras
Nós morremos, com a minha cabeça em minhas mãos
Eu sento e choro porque está tudo acabado
Pode nos ver mortos... nós estamos?

Até agora, os lados que eu já vi,
sei o que eu não tenho.
Vejo o nada de ser humano que eu me tornei
Não tenho uma vida
Tenho vivido uma mentira e não tem nada lá dentro
Todo esse tempo me mantenho no escuro,
sem um pensamento, sem uma voz.
Parece que foi a mil anos.

Meus sonhos são vazios como minha consciência parece ser.
Dos momentos de solidão é que nunca me liberto
Me reprimo duramente na raiva
Para que nenhuma dor ou angústia possa mostrar a verdade
Ninguém sabe como é ter esses sentimentos
Como eu sinto, e culpo você!

segunda-feira, 11 de julho de 2016

FÉRIAS

Tive que tirar férias porque todo mundo tem, é de DIREITO. Mas ando pensando que o trabalho é melhor.

Na rotina do trabalho não se gasta dinheiro, não se pensa em viajar. No final de semana está atarefada com as tarefas do lar ou cansada demais para perder tempo em eventos sociais.

Passei 25 dias de molho e me fez refletir muito.

Por uma promoção inesperada consegui viajar para a terra natal. Foram 10 dias em casa em domicílio e 15 dias na terra natal.

Experiências...Aprendi que:
... Certos lugares nos levam a certos hábitos. E não somente físicos, psicológicos também.
... Aquelas pessoas que um dia te fizeram se sentir especial, hoje simplesmente não se importam porque você não faz mais parte da rotina. Hábitos...
... Nem o primeiro amor dura para sempre.

A cada dia que passa me torno uma pessoa diferente no meu domicilio, alguém que não existe na minha terra natal, como se fosse duas pessoas completamente diferentes.

Essa sensação faz com que a minha terra natal me deixe desconfortável.
O que salvou essa visita foi um check-up completo, médicos e exames diários... para mim, resolver isso no dia a dia é complicado, pois eu não teria forças, paciência, para fazer, ou, se fizesse me deixaria extremamente fraca, sem energias, comprometendo o meu raciocínio e a minha razão.

Quando me restou um final de semana sem médicos, eu simplesmente fiquei perdida e não soube muito bem o que fazer com ele.

Mas voltei para a casa e tudo vai voltar para o seu devido lugar.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

FRUSTRAÇÃO



Um dia alguém chega e me pede ajuda. Sem hesitar concordo, mas tento manter a distância. Dispenso apresentações, prefiro chamar de estranho: Diga o seu problema, mas não diga o seu nome, eu não posso me envolver.

Antoine de Saint-Exupéry leciona por meio de literatura infanto-juvenil valores inestimáveis: “Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.”

Mas nem sempre deixo essa mensagem muito clara. Prevalece a insistência. Então, aprendo o nome e não demoro muito para aprender a sentir a ausência de quem teima em se fazer presente.

O problema é que normalmente as pessoas não costumam se preocupar com a lei moral que diz: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”  SAINT-EXUPÉRY, A. 

Ninguém se acha responsável pela dor causada no outro por meio da distancia e indiferença. O egoísmo impera, a empatia desvanece. Em mim, há dor...

Rejeição, sentimentos de perda, pensamentos como: “Se eu não sou boa o suficiente para manter uma amizade, eu não posso ser boa para mais nada nessa vida”.

E daí? Tenho que aprender a viver com isso! Seguir em frente...


SOZINHA

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Morte Súbita

De forma abominável levou a mãe
No fim de semana comum
Sem expor fraqueza
Apoderou-se em sonhos
Esvanecido, este dissipou
Mas ainda subsistia o amor quase perfeito
que abruptamente morreu
Atrocidade
Esperança vã
que agora lentamente
leva embora qualquer suspiro de perspectiva
e aparta qualquer sentimento de afeição.
O que pode parecer súbito
em outro prisma é uma lenta e dolorosa agonia.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Garota Mimada

Não precisa se preocupar
Egoísta é você!
O mundo não gira ao seu redor
Você pensa como uma criança que não consegue ganhar o que quer
e acha que pode chorar pra conseguir.
Chorar não vai resolver nada.
Deixe as outras pessoas serem felizes.
Está se sentindo abandonada?
Agora você sente na pele o que é abandonar aqueles que te amam
O mundo dá voltas!
Você não valorizou
a família, a amizade, o amor
Agora todos estão longes
e você quer tê-los por perto.
Mas lembra que era você que queria ficar longe?
Não cobre nada de ninguém
Não preocupe ninguém com suas atitudes mimadas
Deixe as pessoas serem felizes.
Isso te incomoda?
Aprenda a viver com isso!
São consequências das suas atitudes.
Aprenda a assumir a culpa e a responsabilidade!
Não chame atenção. Suma!
Os outros merecem ser felizes sem você.
Pois você os afastou várias vezes.
Eles te esqueceram!
Você não é capaz de ter empatia por ninguém.
Você é refém dos seus próprios caprichos.
Cresça!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Chuva de lágrimas

O crepúsculo ofusca a razão, exaltando clara a ferida. 

São dias em que a alma sente dor, uma dor tamanha que é impossível ignorar. Então choro. Faço as palavras caírem dos meus olhos. E digo o que, em certos momentos, se encontra indizível.

Choro dentro de um quarto em solidão. 

Choro porque me despeço, porque me lamento, porque me comovo, porque o filme era lindo. 
Choro porque me sinto sozinha, quando todos se divertem em viver, e eu, naquele instante, não. 
Choro de raiva porque tudo deu errado naquele dia. 
Choro porque amo intensamente e desejo ser amada, e nem sempre sou. 

Soluço pela lembrança que dói ou que alimenta ao reviver em memória o último beijo, o irrevogável tempo de infância, a conversa que não terminamos, o último abraço, a família que está longe, aquele que se foi... 

Choro em segredo, quando a única opção é ser forte. 
A alma soluça na intimidade recolhida do escuro. 
É, existe dor que é sigilo. 

De todo modo, choro é alívio pra alma. Sou eu colocando a mão por dentro da garganta tentando desatar o nó. 
Segundo Shakespeare: “Chorar é diminuir a profundidade da dor.” 

Me socorro no choro, enquanto tento fazer escorrer em lágrimas o que precisa sair, descer ou desfazer. 
O choro é chuva que varre a dor, é uma atrevida tentativa de fazer a tristeza fugir do olhar. Enquanto escorre, a lágrima faz curva na angústia, faz o instante provocar um dilúvio.
O pranto é um resto de mar que cura. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Explicação


Meu mundo após a leitura do artigo da revista bula no link “http://www.revistabula.com/843-voce-usa-oculos-eu-as-vezes-uso-ritalina-e-rivotril/”. Encontrei palavras para explicar o que eu pensei ser impossível de entender.


Uma experiência em que observo o mundo de fora.

As conversas não interessam, as pessoas não interessam e sofro me OBRIGANDO a ter uma vida normal. Mesmo que dentro da minha cabeça exista uma sirene avisando que um tsunami está vindo. Teimo e o volume da sirene vai crescendo até ficar ensurdecedor. E aí para.

Uma sensação de inadequação, de incompetência ou inabilidade para lidar com as coisas que aparentemente as outras pessoas tiram de letra. Um incômodo, que me deixa distraída, e negligente. Começo a esquecer compromissos, portas destrancadas, gavetas abertas. Essas falhas vão minando o dia a dia. Uma vez dentro da espiral perco a noção do tempo. As horas se arrastam, ou escorrem pelos dedos numa velocidade que me deixa ainda mais isolada. Como se estivesse caindo e ao mesmo tempo que a velocidade da queda faz o ar me sufoca, cada segundo de pensamento parece durar horas. Sem noção pontual do momento meu passado e meu futuro não existem mais, vira tudo um filme daqueles que você lembra que viu, mas não lembra exatamente quando ou como termina.
E cada coisa que acontece desencadeia uma montanha de sentimentos.

E, ao final, fico exausta. Tudo passa a ser uma batalha.

Aí a sensibilidade vai ficando mais e mais aguçada, e conforme me distancio da realidade, vou criando minha percepção pessoal e fragilizada de tudo, passo a interpretar o mundo de acordo com a minha óptica distorcida, e parece que tudo conspira contra mim. E nada dá certo e ninguém me entende.

Depois vem a sensação de tristeza e de não pertencer. Um nó no peito e não na garganta. Não chega na garganta. O mal estar sobe do estômago e para no peito. E isso independe da paciência ou sensibilidade daqueles que me cercam. E percebo a preocupação, ou irritação ou os transtornos que estou causando mas não vejo modo de sair disto. A voz não sai e não há explicações convincentes para os que me cercam.


ME ISOLO.


Desligo o celular, telefone, computador. Não recebo amigos, não saio de casa. Encaro tudo como um traço da minha personalidade, não consigo acreditar que não necessariamente sou assim, mas que esteja assim.

Sabe quando você está vivendo um período de estresse? No trabalho ou na vida pessoal, e isso afeta seu sono, seu apetite, sua sensibilidade? E parece que seus instintos ficam aguçados e seu corpo pronto para briga? Como se você estivesse numa selva e visse um leão, seu corpo e sua mente te colocam num estado de atenção redobrado, e potencializa sua percepção. Então, eu sou assim.

Prazer e meu diagnóstico final é: sou humana. Tenho angústias, incertezas, inseguranças e uma montanha de emoções intensas. E eu posso cair. Tá no meu diagnóstico: eu posso fraquejar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

CONCURSEIROS








Colhendo Frutos.


Dizia Baltasar Gracián (jesuíta espanhol do século XVII):

"O saber e o valor à grandeza [ao crescimento pessoal]. São atributos imortais. Você é o quanto você sabe e o sábio tudo pode [pode muita coisa]". 

Luiz Flávio Gomes:

"O crescimento em nossa vida depende de muitos fatores. Dentre eles dois se destacam: a soma dos conhecimentos que conquistamos - resultado da informação que temos, e o valor compreendido pela coragem e determinação". 

Você é o quanto sabe e o sábio pode muita coisa.

Mas sem determinação a sabedoria é estéril.

"Temos que adquirir os conhecimentos que nos permitam desempenhar um trabalho que seja adequado às nossas capacidades naturais". (Faya Viesca) 

Mas os conhecimentos somente não bastam. 

Saber sem ação sem determinação, sem audácia é a mesma coisa que um livro fechado, um computador quebrado, uma casa sem gente e um planeta sem água: não tem vida!

 Avante!

terça-feira, 21 de julho de 2015

Escolha

Há tanta coisa acontecendo ao meu redor. Esforços e fracassos, romances e desamores, vitórias e perdas...
E eu, que estive entre fins e recomeços, 

conheço bem a sensação...
Quero agora permanecer em um sono profundo, 

sem me importar. Anestesiada, tocando a vida.

Eu já estive de partida por tantas vezes.
Encarei mudanças, enfrentei despedidas.
No momento, estou dizendo adeus a muita gente que tenta entrar na minha vida. 
Estou fechada. É uma muralha de aço e medo.

Por trás da muralha há minha vontade: A necessidade de trazer calma ao terremoto que me destrói por dentro.
E eu parti… fui para longe, mas quero chegar mais longe. Longe de mim até a solidão se afastar.
 

Nessa jornada de dores e incertezas, encho-me de ausência. 
Arrasto malas de rancor até conseguir deixá-las pelo caminho.
Encaro a dor no âmago do meu peito. 

E, ouço as palavras que sempre estiveram sufocadas aqui dentro.

Quem sabe depois desse tempo andando perdida por aí, eu me encontre?
Pode ser que um dia eu acorde de mim mesmo, dos meus próprios julgamentos e anseios... Mas, sabe, eu ainda não entendo muita coisa. E os medos?

Ainda não é hora de ficar, há mais necessidade de dizer adeus.
Agora é hora de fazer o que sempre quis.
Muitos dizem: Permita-se. Apaixone-se. Viva!
Mas eu quero me desprender dos desejos alheios a minha vontade.

Na minha lógica perversa recuso o apoio simples, a mão estendida, o ombro vago.
E agrido, ataco, machuco quem estiver perto.
Mas eu não quero provar a minha dor pra ninguém.
Sei que a vida não é um concurso de sofrimentos.

Todo mundo sofre. Uma hora ou outra, dói. 

Não há quem escape.
Mas existem várias formas de demonstrar.
 

Não estou aqui escancarando o meu pesar em um alto-falante ou gritando mais alto do que realmente sinto.
Não tenho forças para isso, prefiro me fechar e chorar baixinho até a dor passar.

E começa o silêncio daquilo que eu não sabia o que era.
Viraram palavras soltas que precisaram se exteriorizar.
Um aperto no peito que me sufoca, uma dor de dentro... 

E não devia...
O sofrimento não é pela tristeza da perda, do fim, do adeus,
mas pela incompreensão do fato, 

e pela dificuldade de aceitar que algo acabou.

"Sabe, nada dói tanto quanto perder o que já se foi, exceto pela dor da escolha, segura-la por muito tempo..."  The Driveway - Miley Cyrus

domingo, 7 de junho de 2015

Quando a amizade vira paixão - parte...

Sabe quando temos um amigo, que conversamos todos os dias, compartilhamos muitas coisas, rimos juntos de bobagens... São almoços, jantares, cinemas, filmes, saídas, viagens...
Quando eu estava ali na solidão, mesmo sem assumir, desejando uma presença amiga, você chegou me ouvindo paciente, brincando e a me fazer sorrir...
Você foi o alguém que podia me dizer: Acho que estás errada, mas estou ao teu lado...
Você estava sendo legal! Nada demais!

Naquela hora eu não precisava de paixão desmedida, não queria beijo na boca e nem desejava corpos a se encontrar na maciez da cama...
Naquela hora eu só queria a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado.
Sem nada dizer....

Com o tempo tudo mudou... e de repente veio a sensação de que algo estava errado...
Somos apenas amigos e agora começo a imaginar nós dois juntos e você anda tomando todo o espaço em meus pensamentos.
Uma simples mensagem: "Preciso falar com você" Faz o meu coração acelerar.
A felicidade consegue contagiar o meu coração, e eu não consigo controlar toda essa emoção…

Se por um acaso o destino unisse a gente?
Tenho a sensação de que minha felicidade estaria completa, ou pelo menos, eu me sentiria completa

Será que daria certo? Poderia ser “amorizade”...
Talvez, se eu não escrevesse textos tão errados, tentando salvar uma vida e um amor. No final, não salvo.
Eu engasgo nas frases e não vai. Alguém decidida não seria assim, ou seria?
Sou multidão em uma só: A que sofre. A que ama. A que acredita no amanhã. Mas dentro de mim ainda existe a que odeia o Amor.
O amor por vezes destrói, machuca, e acaba.

E surge outro questionamento: vale a pena arriscar?

Um dia me disseram que o sorriso é uma demostração do quanto gostamos de alguém.
Hoje me perguntaram se eu gostava de você, eu apenas sorri...

Essa sou eu, sendo bem... Eu.


sábado, 29 de novembro de 2014

Sobrevivente da Solidão

Hoje faz uma semana que recebi a primeira noticia: Que perdi um amigo para a solidão.
Mal sabia eu que três dias depois eu receberia outra noticia de perda. Outra vida perdida para a solidão.

Solidão é um sentimento no qual uma pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento.
É mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa, é querer fazer parte de alguma coisa e não se sentir capaz.

Acredito que ambos tenha se sentido só, sem amigos, sem compreensão e essa falta pode levar ao convencimento de que não se pode ser amado, fazendo com que o mundo pareça um deserto e isso aumenta a experiência do sofrimento.

O consequente distanciamento do contato social acompanha muletas de toda espécie.
Drogas, sexo indistinto e em profusão, gula gigantesca, fala interminável, saídas compulsivas para programas em todos os lugares, morte, apenas com o intuito de se livrar da própria tenebrosa e asfixiante companhia.

E nada pior do que a crítica para a abordar o assunto.
Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas.

Minha experiência:
Pouco tempo antes dessas fatalidades eu tinha recebido uma noticia maravilhosa de ser chamada para trabalhar onde eu queria.

Mas enquanto eu tinha que me preparar para mudar de cidade eu não sentia apoio de ninguém para me ajudar com a minha filha, com as minhas coisas. Era como se tudo o que eu tivesse que resolver fosse apenas eu, sem nenhum apoio.

Simultaneamente, mesmo eu tentando fazer tudo só, algumas pessoas que tentavam me ajudar me cobravam resultados e atitudes, diziam o tempo inteiro o que eu não podia fazer e o que eu tinha que fazer.
Eu já tinha tantas tarefas a realizar em tão pouco tempo e as pessoas ainda ficavam me jogando mais, fazendo críticas e dizendo que eu tinha que fazer tudo só.

Doeu! E muito!

Aquele momento antes de felicidade se tornou num tormento. Senti cobranças demasiadas, o peso do mundo sobre minhas costas, pessoas a todo instante  me cobrando coisas que eu não tinha a capacidade de fazer. Era asfixiante!

Gritava, implorava e o que via eram rostos virados a minha pessoa.
Nunca me senti tão só, tão pequena e tão insignificante! Incapaz!
Por um momento imaginei que a minha presença no mundo estava atrapalhando a vida das pessoas e o quanto elas ficariam bem se eu partisse. No entanto, tinha UM alguém que precisava dos meus cuidados...

As vezes fico imaginando as dificuldades desses meus amigos, eu os conhecia de perto.
As vezes consigo compreender o que aconteceu, consigo compreender o que a família não consegue.

Podia ser comigo!!!
O amor incondicional mãe-filha e a minha fé em Deus me salvou.
Foi por apossar-me de uma coragem de ferro para prosseguir acreditando na fertilidade do amor em meio às cruéis batalhas da rotina.

Tenho o amor! O maior amor do mundo!
E com amor a gente aguenta tudo!
Escuridão, falta de ar, terremoto, chuva de meteoro, buraco negro, tempestade solar.
A gente aguenta, sim, aguenta e passa ao largo, escapa.

Sobrevive a tudo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Minhas palavras de despedida a casa José de Alencar (CAIXA)



Diante de uma nova oportunidade de trabalho que tem tudo a ver com minhas aspirações profissionais, estou partindo para um novo desafio. Mesmo me desligando do grupo, aqui fiz amigos – não apenas colegas – que levo como parte das minhas conquistas. Certamente, todas as vivências durante esse tempo me qualificaram como profissional e me tornaram uma pessoa melhor.

Inicio esse e-mail de despedida com o discurso de despedida de Bryan Dyson, ex-presidente da Coca-Cola:

“Imagine a vida como um jogo em que você esteja fazendo malabarismos com cinco bolas no ar. Estas são:Trabalho – Família – Saúde – Amigos e Vida Espiritual, e você terá de mantê-las todas no ar. Logo você vai perceber que o Trabalho é como uma bola de borracha. Se soltá-la, ela rebate e volta. Mas as outras quatro bolas: Família, Saúde, Amigos e Espírito, são frágeis como vidros. Se você soltar qualquer uma destas, ela ficará irremediavelmente lascada, marcada, com arranhões, ou mesmo quebradas, vale dizer, nunca mais será a mesma.”

É importante perceber que o balanço é viver uma vida mais rica e intensa – e que seja mais agradável e significativa. Isso implica que o trabalho deve estar na perspectiva de uma das muitas coisas em que você quer se destacar, mas não define quem você é.

Nesse momento é hora de olhar para trás e ver por tudo o que já passei. Sem dúvida, muitas tristezas e conflitos, mas, felizmente, houve alguns bons momentos, de alegria, de vitórias e de cumplicidade.

Eu não podia imaginar as coisas que me aconteceriam, o início foi incerto, confuso e incomum, onde todos os estranhos fariam parte da minha vida, onde todos os cantos teriam histórias escondidas...

Um amigo me disse para ser honesta com vocês. Então, aqui vai.

Eu tentei buscar o equilíbrio de compromissos externos e tratá-los com o mesmo nível de dedicação que dei ao trabalho. No entanto, muita gente acha que equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é um problema pessoal a ser resolvido, e por isso as pessoas (como eu) que expõem esse pensamento publicamente ficam aprisionadas, ambivalentes, rotuladas de não compromissadas e incompetentes. É assim que me senti por muito tempo em tão pouco tempo de empresa.

Contudo, eu não deixei o trabalho tomar todo o meu tempo e as minhas energias, procurei alcançar o máximo de resultados positivos no tempo em que me fui determinado sem distrações ou enganação, mas não pude fazer nada alem da minha capacidade humana, mesmo sabendo que fazendo isso, os colegas da empresa não tinham uma boa imagem da minha pessoa.

Essa busca por uma vida equilibrada ofuscou no meu brilho, e contribuiu para ativar a percepção de que estava na função errada ou na empresa errada. E, cada dia foi se tornando mais difícil, pois toda a paixão que eu dedicava ao trabalho e a alegria que adquiria criando e colaborando com outros, no fim do dia, era menor, e tudo não passava de apenas mais um emprego.

Esse emprego não me abraçava quando eu estava triste, não cuidava de mim quando estava doente (muito pelo contrário me cobrava para ficar saudável como se eu que escolhesse ficar doente) e certamente não dava o amor e atenção que minha filha precisava.

Até que chegou o momento em que não encontrei meu lugar. Para cada porta que abria, duas batiam no meu rosto.

Na minha assiduidade vi pré-julgamentos infundados de pessoas que não procuravam saber a verdade e acreditavam em boatos. Acredito que o que houve na verdade não foi falta de assiduidade e compromisso da minha parte e sim falta de diálogo e confiança por parte da equipe.

Sei que, no dia a dia, muita gente que não está em condições faz um esforço adicional para ir trabalhar pra não causar má impressão, desconfianças ou para não sobrecarregar os colegas, há várias pesquisas nesse sentido é um novo fenômeno chamado PRESENTEÍSMO. Eu não me preocupei com isso e sempre coloquei minha saúde (física e mental) em prioridade. Se eu não estivesse 100% dificilmente conseguiria levar a minha vida profissional avante. Além do mais algumas doenças não afetam apenas a minha produtividade e o meu trabalho, mas também o dos meus colegas, que poderiam facilmente contagiar.

Bem, chegou a hora. O momento na minha vida quando preciso ir para longe, pois aqui nada parece estar certo.

Isto é o que eu quero. Vou pegar a estrada.

Talvez porque eu encare tudo como uma lição.

Ou porque não quero andar por aí com raiva.

Ou talvez porque finalmente entendi que há coisas que não queremos que aconteça, mas temos que aceitar. 

Coisas que não queremos saber, mas temos que aprender...

Contudo, devo esquecer aqueles que me impuseram obstáculos infundados e agradecer àqueles que me impulsionaram adiante.

É hora, mais do que nunca, de valorizar as amizades e os conhecimentos adquiridos aqui.

Um abraço,

domingo, 12 de outubro de 2014

O Nascimento Comemorado

Meu aniversário! O dia em que mudou a vida de muitas pessoas... meus pais. O dia em que eu fico mais velha. O dia em que eu ganho presentes. PRESENTES!

Então porque eu teria essa crise de depressão? Afinal, é justamente no dia do seu aniversário que pessoas que você pensava nem existir mais mandam uma mensagem e ainda falam que sentem saudades! Todo mundo sai te abraçando, falando sempre a mesma coisa: ''Parabéns, tudo de bom, felicidades, amor...'' Dão um sorriso e saem andando. Apesar do discurso já decorado é bom saber que as pessoas pelo menos tiveram o trabalho de lembrar de você. Ou não. Elas apenas viram algumas pessoas abraçando e gritando PARABÉNS! E vão lá como se tivessem lembrado.

Mesmo assim. Não suporto o dia do meu aniversário! Às vezes fico pensando porque eu não gosto de comemorar o dia que nasci se eu gosto tanto de festa, de sair, de conhecer pessoas e lugares... Pode parecer até contraditório, admito.

Eu odeio fazer aniversário. Odeio a ilusão incentivada que de esse é um dia especial, como um ano novo pessoal onde tudo o que importa é sua felicidade, seu bem estar, seus sonhos. Esquece! nada disso é real, esse dia não é só seu. Especialmente pra mim, que divido esse dia “tão especial” com todas as crianças do Brasil.

Mentira vai, nem odeio. Mas também não me sinto confortável nessa situação.

Todos os anos, assim que se aproxima a data do meu aniversário, um certo número de pessoas vêm me perguntar o que eu vou fazer no dia, onde vou comemorar, etc. Bom, como esse dia não me agrada nem um pouco, o esperado é que minha reação não seja das melhores. É claro que não vou ofender ninguém com as minhas tentativas de resposta, mas fica difícil convencer as pessoas sobre esse meu gosto atípico, pelo menos para a maioria das pessoas.

Eu conheço gente que simplesmente ama fazer aniversário. Diz que é o dia mais feliz do ano, que consegue se sentir querida, amada, ganhar presentes, se divertir, etc. Essa pessoa não sou eu por dois fatores: o que eu não pedi e o que eu não consigo evitar.

O que eu não pedi é a data. Sério, não desejo pra ninguém um aniversário no dia das crianças (nem quando se é criança!!!). Só consigo imaginar como deve ser linda a vida das pessoas que vieram ao mundo em um mês neutro, sem muita data comemorativa e sem ser férias num dia tranquilo de maio, num dia normal de agosto. Deve ser incrível.

O que eu não consigo evitar é esse meu jeitinho ansioso e babaca de ser. Enquanto a maioria das pessoas entende que aniversário é um dia em que seus entes queridos vão querer te parabenizar, te fazer sentir feliz por completar mais um ano de vida, eu só sinto pressão. Pressão porque tô ficando mais velha e tenho que fazer algo válido com a minha vida, pressão pra ser educada e responder com sorriso falso todos os parabéns. E principalmente a pressão por ter que curtir esse dia adoidado. Nunca curto.

O pior é que, nem quando eu tento, não consigo aproveitar loucamente. Em algum ano por exemplo (experiência desastrosa que nem lembro qual), tentei fazer do meu aniversário um marco (de vez em quando eu ainda tenho esses ímpetos de querer mudar minha vida. Não costuma durar muito). Sabe, eu me esforcei, e nada. Vida injusta.

Eu realmente só queria que não acontecesse nada que me deixasse irritada, nada que saísse dos planos. Me divertir? Prefiro deixar para os outros dias do ano. É um monte de gente que vem me dar os parabéns (parabéns por quê se eu não fiz nada?), é o celular tocando junto com sms, whatsapp, e-mail, mensagem no facebook... O que dá vontade mesmo é de sumir nesse dia! Já estou pensando em onde posso me esconder no domingo.

Tudo bem reunir amigos, almoçar em família, tudo bem sair pra se divertir, desde que não tenha nada a ver com essa data. Não consigo bancar a aniversariante empolgada. Tento encara-lo como mais um dia comum, mas ninguém deixa!

Por que eu teria mais motivos para agradecer mais do que nos outros dias?
Por que eu deveria esperar mais afetos das pessoas do que antes?

Sendo grata o ano inteiro todo dia se torna uma comemoração.
Cada dia é uma motivo de alegria, e assim a vida se torna mais legal.

Porém, mesmo que eu me sinta bem resolvida não gostando de aniversário ainda assim a obrigação e expectativa que to daqueles que eu gosto dificultam um pouco as coisas. Veja bem, por mais que eu não queria ver ninguém, nem fazer nada de especial minha família e principalmente minha filha insistem em se reunir pra celebrar, a despeito da minha vontade. Antes eu não tinha coragem de dizer não.Ficava pensando no que deveria fazer. É difícil negar o carinho de quem te ama e recusar o esforço de quem se importa com você.Mas por que sempre eu tenho que acatar o desejo de todos e ir contra as minhas vontades? Esse ano não dá. Eles vão ter que me entender! E quanto a minha filha, esse trauma ela vai ter que superar.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Retorno a atividade laboral


Agora apenas vivo com as consequências das minhas opções.

Não importa o quanto eu odeie o meu trabalho, o quanto eu exploda e chore. É lá que eu vou receber um valor monetário para sobreviver.

Minha dor é invisível e não pode ser detectada por exames laboratoriais ou de imagens.
Por sorte não existe nenhum manual normativo que impõe a ordem de ir trabalhar feliz.

Então como sou apenas uma máquina, que se claramente quebrada (o que não é o caso) pode ficar afastada para conserto, faço o meu trabalho com todo o ódio no coração e tristeza. Mas é de lá que eu recebo dinheiro e só existe essa maneira. Então não posso simplesmente abandona-lo, mas tenho todo o direito de não ficar bem.

Não tenho câncer. Não saio desmaiando por ai. Não fui atropelada por um carro e nem levei um tiro. Não estou em coma e nem em uma cama de hospital. Então tenho que aguentar as consequências das minhas escolhas.

Sou apenas uma máquina substituível por outra quando parar de funcionar e, ainda vivendo, eu não posso me dar esse luxo. Tenho dividas minhas e a do ladrão que me roubou.

Me irrita ver as pessoas querendo que eu fique bem. Sei que elas não se importam, apenas não querem que falte mais uma mão de obra. Mas essa mão de obra não vai mais faltar, vai trabalhar, vai chorar de dor mas vai estar ali, cumprindo as suas atribuições como máquina, dando resultados.

Resultados, isso! A única coisa que importa para a empresa. Lucros, dinheiro.

Não venham com preocupações sentimentais, com palavras bonitas, demonstrações de que se importam, quando eu sei muito bem que minha vida não importa para vocês apenas o meu rendimento.


Isso é tão verdade que se eu não estiver produzindo qualquer um pode chegar lá e tirar a minha função porque eu estou atrapalhando a equipe e prejudicando meus colegas (as outras maquinas de lucro). Frases que já escutei várias vezes.


Não vou participar de momentos sociáveis entre a equipe, muito menos de comemorações; Não tenho nenhum interesse em ser nada mais que uma maquina para vocês porque vocês pra mim são apenas as pessoas que pagam o meu salário e desculpem me, pessoas que tiveram o cérebro lavado pela empresa e acham que o mundo é lindo e cor de rosa, vocês não tem culpa de nada, a culpa é minha de ter escolhido o emprego errado e de precisar dele para viver.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Fall in Love Again

A paixão queima e, o desejo enlouquece.
E ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase se entregou...
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão da cabeça. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio da troca de olhares entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.  Quero viver aventuras, explorar , curtir mesmo que seja por um momento.
A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Talvez esses fossem os motivos para decidir entre a alegria e a dor ou apenas sentir o nada, mas não são. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Nua e crua


Durante todo o que me lembro da minha vida sempre dormi e me alimentei mal, com preguiça e auto-estima zerada. Sempre que podia me isolava, tinha constantes crises de choro, meu rendimento escolar era péssimo, faltava muita aula ou dava um jeito de ir embora cedo. 

Sempre tive dotes de fácil inteligência e aguçado raciocínio, além de timidez em expressar publicamente. Vivi de amores platônicos. Já fui criativa e inventiva, muito sonhadora e mais aventureira, daquelas que gosta de correr risco e encarar desafios. Gostava de viajar, cinema, arte, música e praia é comigo mesmo, mas sou também extremista naquilo que é meu e do outro. Gosto de presentear e fico tímida ao ser presenteada, companheirismo e amizade um dia foram meus fortes. Regularmente sou honesta, mas as vezes desonesta em emitir a essência da verdade em alguns momentos para não ferir pessoas, gosto de apreciar eletrônicos em seu interior e o mundo jurídico.

Apesar das coisas boas, sempre de uma hora para outra, sem motivo aparente, a alegria dava lugar à tristeza. Não tinha vontade de fazer absolutamente nada. Deixei de sair, de frequentar as aulas da faculdade e até de conversar com os meus amigos. A única atividade que ainda fazia era navegar na internet. Era uma forma de passar os dias, que eram cada vez mais longos e insuportáveis. Se não pudesse usar o computador, simplesmente deitava e ficava horas na cama e na TV.

Embora soubesse que não estava bem, não admitia que precisava de ajuda. Falava que apenas queria ficar quieta. Por muito tempo não procurei um médico, para mim era uma fraqueza moral que deveria ser enfrentada com força de vontade, até que não aguentei. Consultei uma psiquiatra, que identificou em mim depressão. Mesmo sem acreditar, confiei no profissional e fazia tudo o que ele dizia, tomava os remédios corretamente e fazia terapia. Mas me sentia fraca e envergonhada, não falava com quase ninguém sobre o meu problema. Algumas vezes que resolvi falar senti incompreensão de colegas e familiares. Depois abandonei o tratamento porque estava me sentindo bem e achava que o que tinha acontecido era besteira.

Após certo tempo, com um novo trabalho e grandes conquistas comecei a me irritar com coisas banais e quanto mais oportunidades de crescimento me surgiam inversamente era o meu rendimento profissional. Minha vida ficou uma droga quando me vi como uma profissional que eu próprio não admirava. Procurei novamente um médico, iniciei o tratamento, mas continuei a negar a doença até novamente interrompê-lo.

Me preocupo muito com minha imagem estigmatizada como alguém que faz corpo mole, é baixo-astral e sem pique. Quando resolvi fazer uma cirurgia não tão urgente para esconder a minha verdadeira incapacidade de ir trabalhar é que percebi quão grave estava a situação.

Muitas vezes tenho me resguardado em silêncio no isolamento de meu quarto para não trazer preocupações mais para família e gerar um somatório ainda mais elevado dos sentimentos de culpa, já que o companheiro inseparável da depressão, hospedeiro constante de minha corroída mente de desprezo, comungando com os mais ousados pensamentos de profunda solidão e desgosto. No entanto, tenho serias dificuldades em aceitar minha condição no contexto social e vivo atormentada sistematicamente pela ansiedade e oscilantes depressões.

O complicado é ter estímulo para recomeçar, acreditar em algo novo, reencontrar a felicidade. Diante de um processo de sensibilidade emocional desequilibrada e fragilizada, me sinto decepcionada, uma vergonha para a familia e colegas de trabalho. Minha mente afirma que não tenho mais credibilidade. Muitos me julgam, outros me definem e há aqueles que apenas criam a mulher descompromissada. O preconceito faz parte da minha vida.

Eu sou apenas uma farmacodependente que sobrevivo dia após dia. Minha personalidade está se destruindo gradativamente. Meu desinteresse em tudo – até mesmo em melhorar, que dá impressão que “não quero me ajudar” – chega a ser a parte mais cruéis disso tudo, pois acaba justamente com a minha credibilidade e minha vontade. Não é preguiça ou má vontade: as vezes simplesmente não consigo querer nada – nem melhorar. E isto resulta em um completo desânimo e isolamento de vida.

Não quero desistir de mim, mas abrir a mente para uma nova vida se torna impossível quando não existem oportunidades. Tento encontrar maneiras para sentir alegria, mas vivo em pleno estresse crônico, o que contrai e reduz o meu prazer em viver.

“Você acha que depressão é frescura? 
Você acha que o depressivo tem que reagir e não focar no problema? 
Você acha que você está imune à doença?
Se você respondeu sim a qualquer uma das perguntas acima você, assim como a maioria da população mundial, não sabe nada sobre a doença depressão, mas repete como papagaio as frases feitas que solidificam os pré-conceitos, e pior, passa a acreditar nelas. 

Você que não tem, não vai entender mesmo, mas não adianta dizer para o doente “não se concentrar no problema” ou o famoso “você tem que reagir!” Seria o mesmo que dizer para um paraplégico: “levante e corra! corra!”. Também não adianta dizer: “você precisa se ocupar”!
                        Não o recrimine, isso é doença!
Não insista para eu sair, pois tudo o que preciso é do apoio silencioso de alguém em quem confio. O melhor é se informar sobre o assunto, clarear as ideias, e vamos aproveitar para fazer um exercício muito bom para a humanidade: não julgar, não julgar, não julgar!” 
Fonte: http://www.pensamentosfilmados.com.br/br/depressao-e-frescura/