Hoje faz uma semana que recebi a primeira noticia: Que perdi um amigo para a solidão.
Mal sabia eu que três dias depois eu receberia outra noticia de perda. Outra vida perdida para a solidão.
Solidão é um sentimento no qual uma pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento.
É mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa, é querer fazer parte de alguma coisa e não se sentir capaz.
Acredito que ambos tenha se sentido só, sem amigos, sem compreensão e essa falta pode levar ao convencimento de que não se pode ser amado, fazendo com que o mundo pareça um deserto e isso aumenta a experiência do sofrimento.
O consequente distanciamento do contato social acompanha muletas de toda espécie.
Drogas, sexo indistinto e em profusão, gula gigantesca, fala interminável, saídas compulsivas para programas em todos os lugares, morte, apenas com o intuito de se livrar da própria tenebrosa e asfixiante companhia.
E nada pior do que a crítica para a abordar o assunto.
Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas.
Minha experiência:
Pouco tempo antes dessas fatalidades eu tinha recebido uma noticia maravilhosa de ser chamada para trabalhar onde eu queria.
Mas enquanto eu tinha que me preparar para mudar de cidade eu não sentia apoio de ninguém para me ajudar com a minha filha, com as minhas coisas. Era como se tudo o que eu tivesse que resolver fosse apenas eu, sem nenhum apoio.
Simultaneamente, mesmo eu tentando fazer tudo só, algumas pessoas que tentavam me ajudar me cobravam resultados e atitudes, diziam o tempo inteiro o que eu não podia fazer e o que eu tinha que fazer.
Eu já tinha tantas tarefas a realizar em tão pouco tempo e as pessoas ainda ficavam me jogando mais, fazendo críticas e dizendo que eu tinha que fazer tudo só.
Doeu! E muito!
Aquele momento antes de felicidade se tornou num tormento. Senti cobranças demasiadas, o peso do mundo sobre minhas costas, pessoas a todo instante me cobrando coisas que eu não tinha a capacidade de fazer. Era asfixiante!
Gritava, implorava e o que via eram rostos virados a minha pessoa.
Nunca me senti tão só, tão pequena e tão insignificante! Incapaz!
Por um momento imaginei que a minha presença no mundo estava atrapalhando a vida das pessoas e o quanto elas ficariam bem se eu partisse. No entanto, tinha UM alguém que precisava dos meus cuidados...
As vezes fico imaginando as dificuldades desses meus amigos, eu os conhecia de perto.
As vezes consigo compreender o que aconteceu, consigo compreender o que a família não consegue.
Podia ser comigo!!!
O amor incondicional mãe-filha e a minha fé em Deus me salvou.
Foi por apossar-me de uma coragem de ferro para prosseguir acreditando na fertilidade do amor em meio às cruéis batalhas da rotina.
Tenho o amor! O maior amor do mundo!
E com amor a gente aguenta tudo!
Escuridão, falta de ar, terremoto, chuva de meteoro, buraco negro, tempestade solar.
A gente aguenta, sim, aguenta e passa ao largo, escapa.
Sobrevive a tudo.
Não volte
Há 2 anos
