sábado, 29 de novembro de 2014

Sobrevivente da Solidão

Hoje faz uma semana que recebi a primeira noticia: Que perdi um amigo para a solidão.
Mal sabia eu que três dias depois eu receberia outra noticia de perda. Outra vida perdida para a solidão.

Solidão é um sentimento no qual uma pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento.
É mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa, é querer fazer parte de alguma coisa e não se sentir capaz.

Acredito que ambos tenha se sentido só, sem amigos, sem compreensão e essa falta pode levar ao convencimento de que não se pode ser amado, fazendo com que o mundo pareça um deserto e isso aumenta a experiência do sofrimento.

O consequente distanciamento do contato social acompanha muletas de toda espécie.
Drogas, sexo indistinto e em profusão, gula gigantesca, fala interminável, saídas compulsivas para programas em todos os lugares, morte, apenas com o intuito de se livrar da própria tenebrosa e asfixiante companhia.

E nada pior do que a crítica para a abordar o assunto.
Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas.

Minha experiência:
Pouco tempo antes dessas fatalidades eu tinha recebido uma noticia maravilhosa de ser chamada para trabalhar onde eu queria.

Mas enquanto eu tinha que me preparar para mudar de cidade eu não sentia apoio de ninguém para me ajudar com a minha filha, com as minhas coisas. Era como se tudo o que eu tivesse que resolver fosse apenas eu, sem nenhum apoio.

Simultaneamente, mesmo eu tentando fazer tudo só, algumas pessoas que tentavam me ajudar me cobravam resultados e atitudes, diziam o tempo inteiro o que eu não podia fazer e o que eu tinha que fazer.
Eu já tinha tantas tarefas a realizar em tão pouco tempo e as pessoas ainda ficavam me jogando mais, fazendo críticas e dizendo que eu tinha que fazer tudo só.

Doeu! E muito!

Aquele momento antes de felicidade se tornou num tormento. Senti cobranças demasiadas, o peso do mundo sobre minhas costas, pessoas a todo instante  me cobrando coisas que eu não tinha a capacidade de fazer. Era asfixiante!

Gritava, implorava e o que via eram rostos virados a minha pessoa.
Nunca me senti tão só, tão pequena e tão insignificante! Incapaz!
Por um momento imaginei que a minha presença no mundo estava atrapalhando a vida das pessoas e o quanto elas ficariam bem se eu partisse. No entanto, tinha UM alguém que precisava dos meus cuidados...

As vezes fico imaginando as dificuldades desses meus amigos, eu os conhecia de perto.
As vezes consigo compreender o que aconteceu, consigo compreender o que a família não consegue.

Podia ser comigo!!!
O amor incondicional mãe-filha e a minha fé em Deus me salvou.
Foi por apossar-me de uma coragem de ferro para prosseguir acreditando na fertilidade do amor em meio às cruéis batalhas da rotina.

Tenho o amor! O maior amor do mundo!
E com amor a gente aguenta tudo!
Escuridão, falta de ar, terremoto, chuva de meteoro, buraco negro, tempestade solar.
A gente aguenta, sim, aguenta e passa ao largo, escapa.

Sobrevive a tudo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Minhas palavras de despedida a casa José de Alencar (CAIXA)



Diante de uma nova oportunidade de trabalho que tem tudo a ver com minhas aspirações profissionais, estou partindo para um novo desafio. Mesmo me desligando do grupo, aqui fiz amigos – não apenas colegas – que levo como parte das minhas conquistas. Certamente, todas as vivências durante esse tempo me qualificaram como profissional e me tornaram uma pessoa melhor.

Inicio esse e-mail de despedida com o discurso de despedida de Bryan Dyson, ex-presidente da Coca-Cola:

“Imagine a vida como um jogo em que você esteja fazendo malabarismos com cinco bolas no ar. Estas são:Trabalho – Família – Saúde – Amigos e Vida Espiritual, e você terá de mantê-las todas no ar. Logo você vai perceber que o Trabalho é como uma bola de borracha. Se soltá-la, ela rebate e volta. Mas as outras quatro bolas: Família, Saúde, Amigos e Espírito, são frágeis como vidros. Se você soltar qualquer uma destas, ela ficará irremediavelmente lascada, marcada, com arranhões, ou mesmo quebradas, vale dizer, nunca mais será a mesma.”

É importante perceber que o balanço é viver uma vida mais rica e intensa – e que seja mais agradável e significativa. Isso implica que o trabalho deve estar na perspectiva de uma das muitas coisas em que você quer se destacar, mas não define quem você é.

Nesse momento é hora de olhar para trás e ver por tudo o que já passei. Sem dúvida, muitas tristezas e conflitos, mas, felizmente, houve alguns bons momentos, de alegria, de vitórias e de cumplicidade.

Eu não podia imaginar as coisas que me aconteceriam, o início foi incerto, confuso e incomum, onde todos os estranhos fariam parte da minha vida, onde todos os cantos teriam histórias escondidas...

Um amigo me disse para ser honesta com vocês. Então, aqui vai.

Eu tentei buscar o equilíbrio de compromissos externos e tratá-los com o mesmo nível de dedicação que dei ao trabalho. No entanto, muita gente acha que equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é um problema pessoal a ser resolvido, e por isso as pessoas (como eu) que expõem esse pensamento publicamente ficam aprisionadas, ambivalentes, rotuladas de não compromissadas e incompetentes. É assim que me senti por muito tempo em tão pouco tempo de empresa.

Contudo, eu não deixei o trabalho tomar todo o meu tempo e as minhas energias, procurei alcançar o máximo de resultados positivos no tempo em que me fui determinado sem distrações ou enganação, mas não pude fazer nada alem da minha capacidade humana, mesmo sabendo que fazendo isso, os colegas da empresa não tinham uma boa imagem da minha pessoa.

Essa busca por uma vida equilibrada ofuscou no meu brilho, e contribuiu para ativar a percepção de que estava na função errada ou na empresa errada. E, cada dia foi se tornando mais difícil, pois toda a paixão que eu dedicava ao trabalho e a alegria que adquiria criando e colaborando com outros, no fim do dia, era menor, e tudo não passava de apenas mais um emprego.

Esse emprego não me abraçava quando eu estava triste, não cuidava de mim quando estava doente (muito pelo contrário me cobrava para ficar saudável como se eu que escolhesse ficar doente) e certamente não dava o amor e atenção que minha filha precisava.

Até que chegou o momento em que não encontrei meu lugar. Para cada porta que abria, duas batiam no meu rosto.

Na minha assiduidade vi pré-julgamentos infundados de pessoas que não procuravam saber a verdade e acreditavam em boatos. Acredito que o que houve na verdade não foi falta de assiduidade e compromisso da minha parte e sim falta de diálogo e confiança por parte da equipe.

Sei que, no dia a dia, muita gente que não está em condições faz um esforço adicional para ir trabalhar pra não causar má impressão, desconfianças ou para não sobrecarregar os colegas, há várias pesquisas nesse sentido é um novo fenômeno chamado PRESENTEÍSMO. Eu não me preocupei com isso e sempre coloquei minha saúde (física e mental) em prioridade. Se eu não estivesse 100% dificilmente conseguiria levar a minha vida profissional avante. Além do mais algumas doenças não afetam apenas a minha produtividade e o meu trabalho, mas também o dos meus colegas, que poderiam facilmente contagiar.

Bem, chegou a hora. O momento na minha vida quando preciso ir para longe, pois aqui nada parece estar certo.

Isto é o que eu quero. Vou pegar a estrada.

Talvez porque eu encare tudo como uma lição.

Ou porque não quero andar por aí com raiva.

Ou talvez porque finalmente entendi que há coisas que não queremos que aconteça, mas temos que aceitar. 

Coisas que não queremos saber, mas temos que aprender...

Contudo, devo esquecer aqueles que me impuseram obstáculos infundados e agradecer àqueles que me impulsionaram adiante.

É hora, mais do que nunca, de valorizar as amizades e os conhecimentos adquiridos aqui.

Um abraço,