domingo, 12 de outubro de 2014

O Nascimento Comemorado

Meu aniversário! O dia em que mudou a vida de muitas pessoas... meus pais. O dia em que eu fico mais velha. O dia em que eu ganho presentes. PRESENTES!

Então porque eu teria essa crise de depressão? Afinal, é justamente no dia do seu aniversário que pessoas que você pensava nem existir mais mandam uma mensagem e ainda falam que sentem saudades! Todo mundo sai te abraçando, falando sempre a mesma coisa: ''Parabéns, tudo de bom, felicidades, amor...'' Dão um sorriso e saem andando. Apesar do discurso já decorado é bom saber que as pessoas pelo menos tiveram o trabalho de lembrar de você. Ou não. Elas apenas viram algumas pessoas abraçando e gritando PARABÉNS! E vão lá como se tivessem lembrado.

Mesmo assim. Não suporto o dia do meu aniversário! Às vezes fico pensando porque eu não gosto de comemorar o dia que nasci se eu gosto tanto de festa, de sair, de conhecer pessoas e lugares... Pode parecer até contraditório, admito.

Eu odeio fazer aniversário. Odeio a ilusão incentivada que de esse é um dia especial, como um ano novo pessoal onde tudo o que importa é sua felicidade, seu bem estar, seus sonhos. Esquece! nada disso é real, esse dia não é só seu. Especialmente pra mim, que divido esse dia “tão especial” com todas as crianças do Brasil.

Mentira vai, nem odeio. Mas também não me sinto confortável nessa situação.

Todos os anos, assim que se aproxima a data do meu aniversário, um certo número de pessoas vêm me perguntar o que eu vou fazer no dia, onde vou comemorar, etc. Bom, como esse dia não me agrada nem um pouco, o esperado é que minha reação não seja das melhores. É claro que não vou ofender ninguém com as minhas tentativas de resposta, mas fica difícil convencer as pessoas sobre esse meu gosto atípico, pelo menos para a maioria das pessoas.

Eu conheço gente que simplesmente ama fazer aniversário. Diz que é o dia mais feliz do ano, que consegue se sentir querida, amada, ganhar presentes, se divertir, etc. Essa pessoa não sou eu por dois fatores: o que eu não pedi e o que eu não consigo evitar.

O que eu não pedi é a data. Sério, não desejo pra ninguém um aniversário no dia das crianças (nem quando se é criança!!!). Só consigo imaginar como deve ser linda a vida das pessoas que vieram ao mundo em um mês neutro, sem muita data comemorativa e sem ser férias num dia tranquilo de maio, num dia normal de agosto. Deve ser incrível.

O que eu não consigo evitar é esse meu jeitinho ansioso e babaca de ser. Enquanto a maioria das pessoas entende que aniversário é um dia em que seus entes queridos vão querer te parabenizar, te fazer sentir feliz por completar mais um ano de vida, eu só sinto pressão. Pressão porque tô ficando mais velha e tenho que fazer algo válido com a minha vida, pressão pra ser educada e responder com sorriso falso todos os parabéns. E principalmente a pressão por ter que curtir esse dia adoidado. Nunca curto.

O pior é que, nem quando eu tento, não consigo aproveitar loucamente. Em algum ano por exemplo (experiência desastrosa que nem lembro qual), tentei fazer do meu aniversário um marco (de vez em quando eu ainda tenho esses ímpetos de querer mudar minha vida. Não costuma durar muito). Sabe, eu me esforcei, e nada. Vida injusta.

Eu realmente só queria que não acontecesse nada que me deixasse irritada, nada que saísse dos planos. Me divertir? Prefiro deixar para os outros dias do ano. É um monte de gente que vem me dar os parabéns (parabéns por quê se eu não fiz nada?), é o celular tocando junto com sms, whatsapp, e-mail, mensagem no facebook... O que dá vontade mesmo é de sumir nesse dia! Já estou pensando em onde posso me esconder no domingo.

Tudo bem reunir amigos, almoçar em família, tudo bem sair pra se divertir, desde que não tenha nada a ver com essa data. Não consigo bancar a aniversariante empolgada. Tento encara-lo como mais um dia comum, mas ninguém deixa!

Por que eu teria mais motivos para agradecer mais do que nos outros dias?
Por que eu deveria esperar mais afetos das pessoas do que antes?

Sendo grata o ano inteiro todo dia se torna uma comemoração.
Cada dia é uma motivo de alegria, e assim a vida se torna mais legal.

Porém, mesmo que eu me sinta bem resolvida não gostando de aniversário ainda assim a obrigação e expectativa que to daqueles que eu gosto dificultam um pouco as coisas. Veja bem, por mais que eu não queria ver ninguém, nem fazer nada de especial minha família e principalmente minha filha insistem em se reunir pra celebrar, a despeito da minha vontade. Antes eu não tinha coragem de dizer não.Ficava pensando no que deveria fazer. É difícil negar o carinho de quem te ama e recusar o esforço de quem se importa com você.Mas por que sempre eu tenho que acatar o desejo de todos e ir contra as minhas vontades? Esse ano não dá. Eles vão ter que me entender! E quanto a minha filha, esse trauma ela vai ter que superar.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Retorno a atividade laboral


Agora apenas vivo com as consequências das minhas opções.

Não importa o quanto eu odeie o meu trabalho, o quanto eu exploda e chore. É lá que eu vou receber um valor monetário para sobreviver.

Minha dor é invisível e não pode ser detectada por exames laboratoriais ou de imagens.
Por sorte não existe nenhum manual normativo que impõe a ordem de ir trabalhar feliz.

Então como sou apenas uma máquina, que se claramente quebrada (o que não é o caso) pode ficar afastada para conserto, faço o meu trabalho com todo o ódio no coração e tristeza. Mas é de lá que eu recebo dinheiro e só existe essa maneira. Então não posso simplesmente abandona-lo, mas tenho todo o direito de não ficar bem.

Não tenho câncer. Não saio desmaiando por ai. Não fui atropelada por um carro e nem levei um tiro. Não estou em coma e nem em uma cama de hospital. Então tenho que aguentar as consequências das minhas escolhas.

Sou apenas uma máquina substituível por outra quando parar de funcionar e, ainda vivendo, eu não posso me dar esse luxo. Tenho dividas minhas e a do ladrão que me roubou.

Me irrita ver as pessoas querendo que eu fique bem. Sei que elas não se importam, apenas não querem que falte mais uma mão de obra. Mas essa mão de obra não vai mais faltar, vai trabalhar, vai chorar de dor mas vai estar ali, cumprindo as suas atribuições como máquina, dando resultados.

Resultados, isso! A única coisa que importa para a empresa. Lucros, dinheiro.

Não venham com preocupações sentimentais, com palavras bonitas, demonstrações de que se importam, quando eu sei muito bem que minha vida não importa para vocês apenas o meu rendimento.


Isso é tão verdade que se eu não estiver produzindo qualquer um pode chegar lá e tirar a minha função porque eu estou atrapalhando a equipe e prejudicando meus colegas (as outras maquinas de lucro). Frases que já escutei várias vezes.


Não vou participar de momentos sociáveis entre a equipe, muito menos de comemorações; Não tenho nenhum interesse em ser nada mais que uma maquina para vocês porque vocês pra mim são apenas as pessoas que pagam o meu salário e desculpem me, pessoas que tiveram o cérebro lavado pela empresa e acham que o mundo é lindo e cor de rosa, vocês não tem culpa de nada, a culpa é minha de ter escolhido o emprego errado e de precisar dele para viver.