Passada a raiva, só me restou o remorso. Disse coisas que não devia e por isso quero pedir desculpas.
Sei que devo desculpas. Tentei ser o melhor que podia, assumindo meu lado passivo, mas sempre, de repente, já estou agindo impulsivamente e o que não era para acontecer, acaba acontecendo.
O mais difícil de pedir perdão pelos meus erros é saber que o intuito de vocês sempre foi me proteger e guiar pelo caminho certo. Também sei como os magoei por trilhar caminhos tortuosos. Nem sempre as pessoas ferem voluntariamente. Muitas vezes eu que me sinto ferida e a pessoa nem mesmo percebeu; e me decepciono porque aquem não correspondeu às minhas expectativas. E muitas vezes nem mesmo sei quais são elas. Decepcionamo-nos e decepcionamos outras pessoas também.
Infelizmente não posso prometer mudar e tentar não cometer os mesmo erros, porque assim sou eu! Por isso tenho dúvidas de um pedido de desculpas sincero. O que eu tenho não me pertence, embora faça parte de mim. Prefiro a derrota prévia à dúvida da vitória, pois não acredito merecer.
Indago-me, às vezes, o que me leva a escolher uma vida morna... A resposta eu sei de cór: está estampada em mim: na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Me sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. E isso são bons motivos para decidir afastar a alegria e a dor, e prefrir sentir o nada.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que trago dentro de mim. Já que quem quase morre está vivo, quem quase vive já morreu. EU!
Mas uma certeza eu tenho: vocês terão uma vida mais tranquila e com menos preocupações com a minha ausência. Pelo menos fico aliviada em saber que isso eu vou fazer para a felicidade de todos.

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