sexta-feira, 20 de julho de 2012

Exagerado

Nessa época do ano, acontece em Fortaleza o carnaval fora de época chamado de FORTAL, um carnaval baiano fora de época.
O que muitos não entendem (a maioria cearense que não tem em sua cultura o axé) é que não se trata apenas de uma fabrica de ganhar dinheiro, para muitas pessoas são quatro dias que elas podem "sair da linha" sem que isso não influencie suas atividades rotineiras. Mas a maneira mais interessante que eu vi de se dizer isso foi no Blog de um amigo.

Em um trecho o escritor dá a sua opinião de forma genial:
"Se você quer se comportar de forma instintiva, sem necessariamente estabelecer nenhuma ligação consciente de alteridade com uma multidão de pessoas, é o local ideal para se exercer o individualismo narcisista"   http://lobofrontal.blogspot.com.br/2012/07/o-fortal-agimos-como-se-nao-soubessemos.html


Como cantava o grande músico Cazuza: "Exagerado... eu sou mesmo exagerado..."


Bem o Cazuza falava do amor e eu falo de mim.
Muitos momentos tudo tem que ser no extremo, explicando melhor: se eu for estudar tem que ser demais, se eu for curtir quero o melhor, se eu decidir beber não será apenas uma dose e quando me apaixono também. Tudo muito intenso, todos os sentimentos, alegrias e tristezas.


Para aqueles que não gostam do estilo axé, o Fortal é apenas pessoas sem noção do ridículo que exagera na bebida, passa a noite pulando e o dia na ressaca moral pensando nas besteiras que fez.... Fortal é mais que isso! É um momento que ocorre uma vez por ano e me permite ser feliz, bebendo, pulando, dançando e conhecendo muitas pessoas do resto do Brasil.


Para evitar problemas familiares resolvi solicitar a opinião dos mais velhos. E o que eu escutei foi: pode ir com amigos, sem beber e volte cedo. O que? me perguntei por dentro. Qual a graça?
Três coisas inviáveis: 


Primeiro porque tenho um número de amigos que podem ser contados nos dedos das mão, os que não estão casados e com filhos, estão preocupados demais com concursos públicos e não saem de casa, no máximo vão para um restaurante pra dizer que isso é sair e a conversa na mesa não passa de concursos e direito.


Segundo eu sou muito tímida para pular e dançar como se nada importasse sem a ajuda do álcool e ele também me deixa uma pessoa mais simpática.


Terceiro se eu vou pagar uma fortuna eu tenho que fazer valer cada centavo investido porque se eu sair antes não devolverão meu dinheiro e quanto mais demorar pra acabar mais eu vou aproveitar um momento único.


A graça pra mim é estar num lugar onde ninguém me conhece e não se preocupa comigo, onde eu posso fazer qualquer coisa que não vai ser ridículo e não vou ser criticada por isso e se a festa só termina de manhã, quero chegar de manhã como se fosse o último porque todo segundo é importante e pode ser realmente o último, pois a morte não vem com hora marcada. E essa graça, desse momento, só ocorre duas vezes no ano (Fortal e Carnaval de Salvador)


No momento em que eu abri mão de mim e fiquei em casa, recebi um convite para ir ao Orbita (boate com música eletrônica e rock). Pensei: curtir rock e musica eletrônica (coisa que eu detesto) é coisa de adulto? 
Eu senti o peso de um preconceito sem tamanho por receber um tratamento diferenciado pelo meu gosto de estilo musical.


O melhor é a liberdade e a despreocupação. Tem gente que passa vários anos se programando pra poder curtir esse evento e eu estou do lado dele e não posso, tenho que deixar as pessoas preconceituosas que me amam mas não me entendem despreocupadas e felizes.


Para eles, não adianta eu ser responsável no trabalho, concluir um curso de direito, estudar pra concursos e criar uma filha sozinha, se a minha concepção de diversão e o modus operandi  não é o que eles espera de pessoas maduras.


Escutei Ainda: "Lá não tem pessoas da sua idade, apenas adolescentes você não tem mais idade pra estar fazendo isso. Não tem pessoas do seu nível. E não é num ambiente como esse que você vai encontrar o amor da sua vida"
As pessoas precisam ser taxadas pro nível e idades e locais onde frequenta? Isso é tão tradicionalista! E ao mesmo tempo, Revoltante! Por isso que o Brasil não vai pra frente porque as pessoas não podem ser quem elas querem ser, elas só podem enquanto são adolescentes, porque os outros vão dizer: "são só garotos e não sabem o que fazem, isso passa", mas como adultas elas não podem e se fizerem são ridicularizadas. 
A sociedade quer que ela seja controlada, responsável e se divirta com chá inglês. 


Ainda estamos muito longe de uma evolução. Me sinto na pré-historia enquanto os países de primeiro mundo estão ano luz da nossa evolução. Então quando eu digo que quero voltar pro primeiro mundo, o pessoal só falta enfartar.
Pobre de mim que não sei ser narcisista e virar as costas pra todo mundo e cuidar dos meus interesses, da minha vida. Procuro sempre deixar aqueles que amam felizes, esquecendo até de mim. E por isso levo uma vida odiosa, sem sentido, com contagem regressiva para que o fim chegue depressa.


Mas no fim tudo fica do mesmo jeito porque sou exagerada: amo como se não houvesse amanhã,  me divirto como se fosse a última vez, mas quando o assunto é trabalho e estudo também sei ser intensa, quando eu quero e estou inspirada pra isso, às vezes não adianta forçar a barra por obrigação.
Uma vez uma psicóloga me falou que todo mundo tem que equilibrar a vida na balança diversão e obrigação, senão fica impossível viver. Posso garantir que o prato da diversão anda vazio...


Sou uma pessoa sensível e a sensibilidade me faz ser exagerada. Bem como incompreendida.
Eu só queria aprender a ser mais egoísta e me importar menos com os outros. Porque se isso leva à solidão, eu já carrego esse ônus a um tempo, mas cadê o bônus?

Nenhum comentário:

Postar um comentário