Dói como levar um arranhão de leve, que não é profundo o suficiente para fazer sangrar, mas feriu o bastante para arder e te deixar sem opção a não ser sentir dor.
Após 29 anos de seguidas decepções entrei em coma com a vida.
Vivi intensamente por 29 anos, depois acabou. GAME OVER. Não existem mais vidas nem o botão de continue. Parei o jogo alí e desisti, quebrei o jogo.
Desacreditei que era possível continuar depois de tantas mortes e tantos reinícios. Preferi matar o sonho de chegar ao final.
E como dizia Warley Tomáz: "Um homem sem sonhos é vazio; está morto por dentro".
"O espírito dela espera na janela daquele quarto de hospital. Seu corpo
há muito foi levado mas ela continua ali, numa espera sem fim". http://perdidosnaescada.blogspot.com.br/2010/04/ela-espera.htmlNão aguento mais a dor, desamor.
Após 4 anos no coma, sendo acompanhada e medicada... Perdi alguns sentidos, mas ouço comentários. Os médicos falam: Viva! Reaja!
A família tem esperança de que eu possa viver de novo e ficam na expectativa de algum sinal de melhora.
Mas eu não posso me mover, eu não tenho como reagir.
Se eu tentar eu vou sentir dor, tenho medo, tenho pavor.
E, não sentir nada é melhor do que elevar o espírito com o bem estar e depois cair com a gravidade.
A cada subida uma queda. A cada altura um impacto de mesma grandeza proporcional.
Da queda e do impacto: DOR
Médicos não me peçam pra viver, entendam! Eu não quero me sentir bem!
O que existe é o estado vegetativo do coma, não há mais sonhos, não há mais vida.
A ciência permite que a química me acorde e me faça dormir.
Estar respirando artificialmente para que outras pessoas não sofram já é uma carga bastante pesada para suportar.
Eu preciso de ajuda, mas ajuda para morrer e não para viver.
É da eutanásia que eu preciso, mesmo contra a aceitação legal no Brasil.
Eu preciso que desliguem os aparelhos!!! Me deixem ir
Eu não preciso de medicamentos que me façam sentir e sim daqueles que me façam parar de sentir.
Será que existe alguém no mundo que possa me ajudar?


