Depois de muito tempo falando em concursos públicos decidi analisá-lo na minha vida. Por que eu escolhi ser concurseira? E cheguei as seguintes conclusões:
1. Ser uma pessoa sem autoestima. Passar no concurso significa eu posso. Eu sou melhor que você. Eu não sou um nada, olha onde cheguei e posso ir mais longe se eu quiser. Apenas preciso mostrar para as pessoas que eu não sou inútil e que eu sou capaz.
Não me interessa o cargo, o salário e sim o quão difícil é passar na prova, isso é muito mais gratificador, mas também é momentâneo.
2. Por me achar uma ostra, que não abre a sua concha assim tão facilmente, nunca me imaginária sendo classificada em provas subjetivas (entrevistas de emprego privado), acredito fielmente que não conseguiria o mais simples dos trabalhos através de entrevistas. Imagina só um futuro chefe lendo o meu Blog! Receberia um carimbo de rejeitada, sem dúvida alguma. Então, a opção ser classificada por uma prova objetiva, parecia mais lógico para eu poder ser alguma coisa.
3. A longo prazo podemos falar do que todos falam, estabilidade financeira etc. Mas essa ainda não chega a ser a questão. Penso mesmo é caso eu encontre antigos colegas de escola primária ou secundária ou até faculdade mesmo e seja cumprimentada com a seguinte pergunta: “E aí, o que você está fazendo da vida?” É muito bom poder abrir a boca e dizer sou servidor público e você? Isso é o que nós podemos chamar de status, mas não precisa ter ar de superioridade, apenas de igualdade. Só não quero ser marginal, no sentido de estar a margem da sociedade.
4. Mas apesar de tantos motivos tenho um em especial, só meu que salta aos olhos, se sobressai e para mim é mais importante que todos e quaisquer itens que aqui eu possa escrever: A DESCULPA!!!
Estudando posso fugir de problemas, esqueço o mundo real e entro no mundo literal das leis, tento fazer com que nada tire a minha concentração e procuro guardar na memória apenas legislação, limpa e seca. Fazendo relação com a vida, fica tudo superficial. Acordar, comer, estudar, dormir. Sem interpretações ou aprofundamentos.
Esqueço o resto, como se mais nada na vida importasse. Nos auges dos estudos eu me torno um ser sem vida, sem pensamentos, tentando tirar toda a dor. Aparentemente fico parecendo uma pessoa normal que está galgando um cargo público e se esforçando para cumprir o seu objetivo. Mas não é nada disso!
Vou traduzir o meu código de concurseira:
“Preciso Estudar”: Estou com problemas e quero fugir deles.
“Estou estudando”: Não aguento mais os meus problemas, estou correndo deles.
“Tem um concurso muito bom agora, vou focar”: Saí da realidade e fugi dos problemas.
“Não posso, tenho que estudar”: A resposta do meu coração é sim, era tudo o que eu mais queria, mas por algum motivo preciso dizer não.
“Não falo de estudo nenhum segundo e deixo qualquer coisa de lado por uma diversão”: Aí sim, estou sendo FELIZ!!!
Financeiramente eu não tenho mais nenhum motivo pra ser concurseira, eu já atingi meu objetivo, já passei em vários concursos, poderia parar por aí, mas psicologicamente não posso, pois ainda não aprendi outra maneira de me esconder.
Não volte
Há 2 anos

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