domingo, 1 de janeiro de 2017

Desejo

Por que todo recesso de final de ano é difícil?
Reencontro com familiares e amigos
Aparências
Maquiagens de alegria
Coisas que não existem
E tudo o que eu queria
era apenas que as pessoas
me aceitassem do jeito que sou
e que entendam que não pretendo mudar
Isso faz de mim uma pessoa egoísta?

Eu tenho um filme favorito
um prato favorito
e centenas de coisas que não me agradam

Por que tentam me mudar a todo custo?
Qual o problema de me aceitar como sou?

Houve um tempo em que eu me sentia muito mal
por não conseguir agradar aqueles a quem estimo.

Mas hoje, hoje não.
Me sinto invadida e desrespeitada.
E a distância faz eu me sentir melhor

Quero voltar pra casa



domingo, 18 de dezembro de 2016

Luto 2016

Eu tenho me esforçado e dado o melhor de mim
Existem momentos que eu ensaio uma aproximação
Mas eu não sei como falar de arrependimentos
Mesmo assim, tudo está claro
Eu realmente sinto que perdi
É difícil acreditar ser o fim
Parece mesmo que aconteceu
E se isso é real bem eu quero saber
Fale então! Por favor explique!
Não sei o que você está pensando
Preciso de razões porque o silêncio machuca

Você e eu costumávamos estar juntos
Todos os dias juntos sempre
Você me tornava melhor
Nossas lembranças
Muitas são boas
Mas algumas são completamente amedrontadoras
Nós morremos, com a minha cabeça em minhas mãos
Eu sento e choro porque está tudo acabado
Pode nos ver mortos... nós estamos?

Até agora, os lados que eu já vi,
sei o que eu não tenho.
Vejo o nada de ser humano que eu me tornei
Não tenho uma vida
Tenho vivido uma mentira e não tem nada lá dentro
Todo esse tempo me mantenho no escuro,
sem um pensamento, sem uma voz.
Parece que foi a mil anos.

Meus sonhos são vazios como minha consciência parece ser.
Dos momentos de solidão é que nunca me liberto
Me reprimo duramente na raiva
Para que nenhuma dor ou angústia possa mostrar a verdade
Ninguém sabe como é ter esses sentimentos
Como eu sinto, e culpo você!

segunda-feira, 11 de julho de 2016

FÉRIAS

Tive que tirar férias porque todo mundo tem, é de DIREITO. Mas ando pensando que o trabalho é melhor.

Na rotina do trabalho não se gasta dinheiro, não se pensa em viajar. No final de semana está atarefada com as tarefas do lar ou cansada demais para perder tempo em eventos sociais.

Passei 25 dias de molho e me fez refletir muito.

Por uma promoção inesperada consegui viajar para a terra natal. Foram 10 dias em casa em domicílio e 15 dias na terra natal.

Experiências...Aprendi que:
... Certos lugares nos levam a certos hábitos. E não somente físicos, psicológicos também.
... Aquelas pessoas que um dia te fizeram se sentir especial, hoje simplesmente não se importam porque você não faz mais parte da rotina. Hábitos...
... Nem o primeiro amor dura para sempre.

A cada dia que passa me torno uma pessoa diferente no meu domicilio, alguém que não existe na minha terra natal, como se fosse duas pessoas completamente diferentes.

Essa sensação faz com que a minha terra natal me deixe desconfortável.
O que salvou essa visita foi um check-up completo, médicos e exames diários... para mim, resolver isso no dia a dia é complicado, pois eu não teria forças, paciência, para fazer, ou, se fizesse me deixaria extremamente fraca, sem energias, comprometendo o meu raciocínio e a minha razão.

Quando me restou um final de semana sem médicos, eu simplesmente fiquei perdida e não soube muito bem o que fazer com ele.

Mas voltei para a casa e tudo vai voltar para o seu devido lugar.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

FRUSTRAÇÃO



Um dia alguém chega e me pede ajuda. Sem hesitar concordo, mas tento manter a distância. Dispenso apresentações, prefiro chamar de estranho: Diga o seu problema, mas não diga o seu nome, eu não posso me envolver.

Antoine de Saint-Exupéry leciona por meio de literatura infanto-juvenil valores inestimáveis: “Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.”

Mas nem sempre deixo essa mensagem muito clara. Prevalece a insistência. Então, aprendo o nome e não demoro muito para aprender a sentir a ausência de quem teima em se fazer presente.

O problema é que normalmente as pessoas não costumam se preocupar com a lei moral que diz: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”  SAINT-EXUPÉRY, A. 

Ninguém se acha responsável pela dor causada no outro por meio da distancia e indiferença. O egoísmo impera, a empatia desvanece. Em mim, há dor...

Rejeição, sentimentos de perda, pensamentos como: “Se eu não sou boa o suficiente para manter uma amizade, eu não posso ser boa para mais nada nessa vida”.

E daí? Tenho que aprender a viver com isso! Seguir em frente...


SOZINHA

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Morte Súbita

De forma abominável levou a mãe
No fim de semana comum
Sem expor fraqueza
Apoderou-se em sonhos
Esvanecido, este dissipou
Mas ainda subsistia o amor quase perfeito
que abruptamente morreu
Atrocidade
Esperança vã
que agora lentamente
leva embora qualquer suspiro de perspectiva
e aparta qualquer sentimento de afeição.
O que pode parecer súbito
em outro prisma é uma lenta e dolorosa agonia.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Garota Mimada

Não precisa se preocupar
Egoísta é você!
O mundo não gira ao seu redor
Você pensa como uma criança que não consegue ganhar o que quer
e acha que pode chorar pra conseguir.
Chorar não vai resolver nada.
Deixe as outras pessoas serem felizes.
Está se sentindo abandonada?
Agora você sente na pele o que é abandonar aqueles que te amam
O mundo dá voltas!
Você não valorizou
a família, a amizade, o amor
Agora todos estão longes
e você quer tê-los por perto.
Mas lembra que era você que queria ficar longe?
Não cobre nada de ninguém
Não preocupe ninguém com suas atitudes mimadas
Deixe as pessoas serem felizes.
Isso te incomoda?
Aprenda a viver com isso!
São consequências das suas atitudes.
Aprenda a assumir a culpa e a responsabilidade!
Não chame atenção. Suma!
Os outros merecem ser felizes sem você.
Pois você os afastou várias vezes.
Eles te esqueceram!
Você não é capaz de ter empatia por ninguém.
Você é refém dos seus próprios caprichos.
Cresça!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Chuva de lágrimas

O crepúsculo ofusca a razão, exaltando clara a ferida. 

São dias em que a alma sente dor, uma dor tamanha que é impossível ignorar. Então choro. Faço as palavras caírem dos meus olhos. E digo o que, em certos momentos, se encontra indizível.

Choro dentro de um quarto em solidão. 

Choro porque me despeço, porque me lamento, porque me comovo, porque o filme era lindo. 
Choro porque me sinto sozinha, quando todos se divertem em viver, e eu, naquele instante, não. 
Choro de raiva porque tudo deu errado naquele dia. 
Choro porque amo intensamente e desejo ser amada, e nem sempre sou. 

Soluço pela lembrança que dói ou que alimenta ao reviver em memória o último beijo, o irrevogável tempo de infância, a conversa que não terminamos, o último abraço, a família que está longe, aquele que se foi... 

Choro em segredo, quando a única opção é ser forte. 
A alma soluça na intimidade recolhida do escuro. 
É, existe dor que é sigilo. 

De todo modo, choro é alívio pra alma. Sou eu colocando a mão por dentro da garganta tentando desatar o nó. 
Segundo Shakespeare: “Chorar é diminuir a profundidade da dor.” 

Me socorro no choro, enquanto tento fazer escorrer em lágrimas o que precisa sair, descer ou desfazer. 
O choro é chuva que varre a dor, é uma atrevida tentativa de fazer a tristeza fugir do olhar. Enquanto escorre, a lágrima faz curva na angústia, faz o instante provocar um dilúvio.
O pranto é um resto de mar que cura. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Explicação


Meu mundo após a leitura do artigo da revista bula no link “http://www.revistabula.com/843-voce-usa-oculos-eu-as-vezes-uso-ritalina-e-rivotril/”. Encontrei palavras para explicar o que eu pensei ser impossível de entender.


Uma experiência em que observo o mundo de fora.

As conversas não interessam, as pessoas não interessam e sofro me OBRIGANDO a ter uma vida normal. Mesmo que dentro da minha cabeça exista uma sirene avisando que um tsunami está vindo. Teimo e o volume da sirene vai crescendo até ficar ensurdecedor. E aí para.

Uma sensação de inadequação, de incompetência ou inabilidade para lidar com as coisas que aparentemente as outras pessoas tiram de letra. Um incômodo, que me deixa distraída, e negligente. Começo a esquecer compromissos, portas destrancadas, gavetas abertas. Essas falhas vão minando o dia a dia. Uma vez dentro da espiral perco a noção do tempo. As horas se arrastam, ou escorrem pelos dedos numa velocidade que me deixa ainda mais isolada. Como se estivesse caindo e ao mesmo tempo que a velocidade da queda faz o ar me sufoca, cada segundo de pensamento parece durar horas. Sem noção pontual do momento meu passado e meu futuro não existem mais, vira tudo um filme daqueles que você lembra que viu, mas não lembra exatamente quando ou como termina.
E cada coisa que acontece desencadeia uma montanha de sentimentos.

E, ao final, fico exausta. Tudo passa a ser uma batalha.

Aí a sensibilidade vai ficando mais e mais aguçada, e conforme me distancio da realidade, vou criando minha percepção pessoal e fragilizada de tudo, passo a interpretar o mundo de acordo com a minha óptica distorcida, e parece que tudo conspira contra mim. E nada dá certo e ninguém me entende.

Depois vem a sensação de tristeza e de não pertencer. Um nó no peito e não na garganta. Não chega na garganta. O mal estar sobe do estômago e para no peito. E isso independe da paciência ou sensibilidade daqueles que me cercam. E percebo a preocupação, ou irritação ou os transtornos que estou causando mas não vejo modo de sair disto. A voz não sai e não há explicações convincentes para os que me cercam.


ME ISOLO.


Desligo o celular, telefone, computador. Não recebo amigos, não saio de casa. Encaro tudo como um traço da minha personalidade, não consigo acreditar que não necessariamente sou assim, mas que esteja assim.

Sabe quando você está vivendo um período de estresse? No trabalho ou na vida pessoal, e isso afeta seu sono, seu apetite, sua sensibilidade? E parece que seus instintos ficam aguçados e seu corpo pronto para briga? Como se você estivesse numa selva e visse um leão, seu corpo e sua mente te colocam num estado de atenção redobrado, e potencializa sua percepção. Então, eu sou assim.

Prazer e meu diagnóstico final é: sou humana. Tenho angústias, incertezas, inseguranças e uma montanha de emoções intensas. E eu posso cair. Tá no meu diagnóstico: eu posso fraquejar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

CONCURSEIROS








Colhendo Frutos.


Dizia Baltasar Gracián (jesuíta espanhol do século XVII):

"O saber e o valor à grandeza [ao crescimento pessoal]. São atributos imortais. Você é o quanto você sabe e o sábio tudo pode [pode muita coisa]". 

Luiz Flávio Gomes:

"O crescimento em nossa vida depende de muitos fatores. Dentre eles dois se destacam: a soma dos conhecimentos que conquistamos - resultado da informação que temos, e o valor compreendido pela coragem e determinação". 

Você é o quanto sabe e o sábio pode muita coisa.

Mas sem determinação a sabedoria é estéril.

"Temos que adquirir os conhecimentos que nos permitam desempenhar um trabalho que seja adequado às nossas capacidades naturais". (Faya Viesca) 

Mas os conhecimentos somente não bastam. 

Saber sem ação sem determinação, sem audácia é a mesma coisa que um livro fechado, um computador quebrado, uma casa sem gente e um planeta sem água: não tem vida!

 Avante!

terça-feira, 21 de julho de 2015

Escolha

Há tanta coisa acontecendo ao meu redor. Esforços e fracassos, romances e desamores, vitórias e perdas...
E eu, que estive entre fins e recomeços, 

conheço bem a sensação...
Quero agora permanecer em um sono profundo, 

sem me importar. Anestesiada, tocando a vida.

Eu já estive de partida por tantas vezes.
Encarei mudanças, enfrentei despedidas.
No momento, estou dizendo adeus a muita gente que tenta entrar na minha vida. 
Estou fechada. É uma muralha de aço e medo.

Por trás da muralha há minha vontade: A necessidade de trazer calma ao terremoto que me destrói por dentro.
E eu parti… fui para longe, mas quero chegar mais longe. Longe de mim até a solidão se afastar.
 

Nessa jornada de dores e incertezas, encho-me de ausência. 
Arrasto malas de rancor até conseguir deixá-las pelo caminho.
Encaro a dor no âmago do meu peito. 

E, ouço as palavras que sempre estiveram sufocadas aqui dentro.

Quem sabe depois desse tempo andando perdida por aí, eu me encontre?
Pode ser que um dia eu acorde de mim mesmo, dos meus próprios julgamentos e anseios... Mas, sabe, eu ainda não entendo muita coisa. E os medos?

Ainda não é hora de ficar, há mais necessidade de dizer adeus.
Agora é hora de fazer o que sempre quis.
Muitos dizem: Permita-se. Apaixone-se. Viva!
Mas eu quero me desprender dos desejos alheios a minha vontade.

Na minha lógica perversa recuso o apoio simples, a mão estendida, o ombro vago.
E agrido, ataco, machuco quem estiver perto.
Mas eu não quero provar a minha dor pra ninguém.
Sei que a vida não é um concurso de sofrimentos.

Todo mundo sofre. Uma hora ou outra, dói. 

Não há quem escape.
Mas existem várias formas de demonstrar.
 

Não estou aqui escancarando o meu pesar em um alto-falante ou gritando mais alto do que realmente sinto.
Não tenho forças para isso, prefiro me fechar e chorar baixinho até a dor passar.

E começa o silêncio daquilo que eu não sabia o que era.
Viraram palavras soltas que precisaram se exteriorizar.
Um aperto no peito que me sufoca, uma dor de dentro... 

E não devia...
O sofrimento não é pela tristeza da perda, do fim, do adeus,
mas pela incompreensão do fato, 

e pela dificuldade de aceitar que algo acabou.

"Sabe, nada dói tanto quanto perder o que já se foi, exceto pela dor da escolha, segura-la por muito tempo..."  The Driveway - Miley Cyrus

domingo, 7 de junho de 2015

Quando a amizade vira paixão - parte...

Sabe quando temos um amigo, que conversamos todos os dias, compartilhamos muitas coisas, rimos juntos de bobagens... São almoços, jantares, cinemas, filmes, saídas, viagens...
Quando eu estava ali na solidão, mesmo sem assumir, desejando uma presença amiga, você chegou me ouvindo paciente, brincando e a me fazer sorrir...
Você foi o alguém que podia me dizer: Acho que estás errada, mas estou ao teu lado...
Você estava sendo legal! Nada demais!

Naquela hora eu não precisava de paixão desmedida, não queria beijo na boca e nem desejava corpos a se encontrar na maciez da cama...
Naquela hora eu só queria a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado.
Sem nada dizer....

Com o tempo tudo mudou... e de repente veio a sensação de que algo estava errado...
Somos apenas amigos e agora começo a imaginar nós dois juntos e você anda tomando todo o espaço em meus pensamentos.
Uma simples mensagem: "Preciso falar com você" Faz o meu coração acelerar.
A felicidade consegue contagiar o meu coração, e eu não consigo controlar toda essa emoção…

Se por um acaso o destino unisse a gente?
Tenho a sensação de que minha felicidade estaria completa, ou pelo menos, eu me sentiria completa

Será que daria certo? Poderia ser “amorizade”...
Talvez, se eu não escrevesse textos tão errados, tentando salvar uma vida e um amor. No final, não salvo.
Eu engasgo nas frases e não vai. Alguém decidida não seria assim, ou seria?
Sou multidão em uma só: A que sofre. A que ama. A que acredita no amanhã. Mas dentro de mim ainda existe a que odeia o Amor.
O amor por vezes destrói, machuca, e acaba.

E surge outro questionamento: vale a pena arriscar?

Um dia me disseram que o sorriso é uma demostração do quanto gostamos de alguém.
Hoje me perguntaram se eu gostava de você, eu apenas sorri...

Essa sou eu, sendo bem... Eu.


sábado, 29 de novembro de 2014

Sobrevivente da Solidão

Hoje faz uma semana que recebi a primeira noticia: Que perdi um amigo para a solidão.
Mal sabia eu que três dias depois eu receberia outra noticia de perda. Outra vida perdida para a solidão.

Solidão é um sentimento no qual uma pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento.
É mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa, é querer fazer parte de alguma coisa e não se sentir capaz.

Acredito que ambos tenha se sentido só, sem amigos, sem compreensão e essa falta pode levar ao convencimento de que não se pode ser amado, fazendo com que o mundo pareça um deserto e isso aumenta a experiência do sofrimento.

O consequente distanciamento do contato social acompanha muletas de toda espécie.
Drogas, sexo indistinto e em profusão, gula gigantesca, fala interminável, saídas compulsivas para programas em todos os lugares, morte, apenas com o intuito de se livrar da própria tenebrosa e asfixiante companhia.

E nada pior do que a crítica para a abordar o assunto.
Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas.

Minha experiência:
Pouco tempo antes dessas fatalidades eu tinha recebido uma noticia maravilhosa de ser chamada para trabalhar onde eu queria.

Mas enquanto eu tinha que me preparar para mudar de cidade eu não sentia apoio de ninguém para me ajudar com a minha filha, com as minhas coisas. Era como se tudo o que eu tivesse que resolver fosse apenas eu, sem nenhum apoio.

Simultaneamente, mesmo eu tentando fazer tudo só, algumas pessoas que tentavam me ajudar me cobravam resultados e atitudes, diziam o tempo inteiro o que eu não podia fazer e o que eu tinha que fazer.
Eu já tinha tantas tarefas a realizar em tão pouco tempo e as pessoas ainda ficavam me jogando mais, fazendo críticas e dizendo que eu tinha que fazer tudo só.

Doeu! E muito!

Aquele momento antes de felicidade se tornou num tormento. Senti cobranças demasiadas, o peso do mundo sobre minhas costas, pessoas a todo instante  me cobrando coisas que eu não tinha a capacidade de fazer. Era asfixiante!

Gritava, implorava e o que via eram rostos virados a minha pessoa.
Nunca me senti tão só, tão pequena e tão insignificante! Incapaz!
Por um momento imaginei que a minha presença no mundo estava atrapalhando a vida das pessoas e o quanto elas ficariam bem se eu partisse. No entanto, tinha UM alguém que precisava dos meus cuidados...

As vezes fico imaginando as dificuldades desses meus amigos, eu os conhecia de perto.
As vezes consigo compreender o que aconteceu, consigo compreender o que a família não consegue.

Podia ser comigo!!!
O amor incondicional mãe-filha e a minha fé em Deus me salvou.
Foi por apossar-me de uma coragem de ferro para prosseguir acreditando na fertilidade do amor em meio às cruéis batalhas da rotina.

Tenho o amor! O maior amor do mundo!
E com amor a gente aguenta tudo!
Escuridão, falta de ar, terremoto, chuva de meteoro, buraco negro, tempestade solar.
A gente aguenta, sim, aguenta e passa ao largo, escapa.

Sobrevive a tudo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Minhas palavras de despedida a casa José de Alencar (CAIXA)



Diante de uma nova oportunidade de trabalho que tem tudo a ver com minhas aspirações profissionais, estou partindo para um novo desafio. Mesmo me desligando do grupo, aqui fiz amigos – não apenas colegas – que levo como parte das minhas conquistas. Certamente, todas as vivências durante esse tempo me qualificaram como profissional e me tornaram uma pessoa melhor.

Inicio esse e-mail de despedida com o discurso de despedida de Bryan Dyson, ex-presidente da Coca-Cola:

“Imagine a vida como um jogo em que você esteja fazendo malabarismos com cinco bolas no ar. Estas são:Trabalho – Família – Saúde – Amigos e Vida Espiritual, e você terá de mantê-las todas no ar. Logo você vai perceber que o Trabalho é como uma bola de borracha. Se soltá-la, ela rebate e volta. Mas as outras quatro bolas: Família, Saúde, Amigos e Espírito, são frágeis como vidros. Se você soltar qualquer uma destas, ela ficará irremediavelmente lascada, marcada, com arranhões, ou mesmo quebradas, vale dizer, nunca mais será a mesma.”

É importante perceber que o balanço é viver uma vida mais rica e intensa – e que seja mais agradável e significativa. Isso implica que o trabalho deve estar na perspectiva de uma das muitas coisas em que você quer se destacar, mas não define quem você é.

Nesse momento é hora de olhar para trás e ver por tudo o que já passei. Sem dúvida, muitas tristezas e conflitos, mas, felizmente, houve alguns bons momentos, de alegria, de vitórias e de cumplicidade.

Eu não podia imaginar as coisas que me aconteceriam, o início foi incerto, confuso e incomum, onde todos os estranhos fariam parte da minha vida, onde todos os cantos teriam histórias escondidas...

Um amigo me disse para ser honesta com vocês. Então, aqui vai.

Eu tentei buscar o equilíbrio de compromissos externos e tratá-los com o mesmo nível de dedicação que dei ao trabalho. No entanto, muita gente acha que equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é um problema pessoal a ser resolvido, e por isso as pessoas (como eu) que expõem esse pensamento publicamente ficam aprisionadas, ambivalentes, rotuladas de não compromissadas e incompetentes. É assim que me senti por muito tempo em tão pouco tempo de empresa.

Contudo, eu não deixei o trabalho tomar todo o meu tempo e as minhas energias, procurei alcançar o máximo de resultados positivos no tempo em que me fui determinado sem distrações ou enganação, mas não pude fazer nada alem da minha capacidade humana, mesmo sabendo que fazendo isso, os colegas da empresa não tinham uma boa imagem da minha pessoa.

Essa busca por uma vida equilibrada ofuscou no meu brilho, e contribuiu para ativar a percepção de que estava na função errada ou na empresa errada. E, cada dia foi se tornando mais difícil, pois toda a paixão que eu dedicava ao trabalho e a alegria que adquiria criando e colaborando com outros, no fim do dia, era menor, e tudo não passava de apenas mais um emprego.

Esse emprego não me abraçava quando eu estava triste, não cuidava de mim quando estava doente (muito pelo contrário me cobrava para ficar saudável como se eu que escolhesse ficar doente) e certamente não dava o amor e atenção que minha filha precisava.

Até que chegou o momento em que não encontrei meu lugar. Para cada porta que abria, duas batiam no meu rosto.

Na minha assiduidade vi pré-julgamentos infundados de pessoas que não procuravam saber a verdade e acreditavam em boatos. Acredito que o que houve na verdade não foi falta de assiduidade e compromisso da minha parte e sim falta de diálogo e confiança por parte da equipe.

Sei que, no dia a dia, muita gente que não está em condições faz um esforço adicional para ir trabalhar pra não causar má impressão, desconfianças ou para não sobrecarregar os colegas, há várias pesquisas nesse sentido é um novo fenômeno chamado PRESENTEÍSMO. Eu não me preocupei com isso e sempre coloquei minha saúde (física e mental) em prioridade. Se eu não estivesse 100% dificilmente conseguiria levar a minha vida profissional avante. Além do mais algumas doenças não afetam apenas a minha produtividade e o meu trabalho, mas também o dos meus colegas, que poderiam facilmente contagiar.

Bem, chegou a hora. O momento na minha vida quando preciso ir para longe, pois aqui nada parece estar certo.

Isto é o que eu quero. Vou pegar a estrada.

Talvez porque eu encare tudo como uma lição.

Ou porque não quero andar por aí com raiva.

Ou talvez porque finalmente entendi que há coisas que não queremos que aconteça, mas temos que aceitar. 

Coisas que não queremos saber, mas temos que aprender...

Contudo, devo esquecer aqueles que me impuseram obstáculos infundados e agradecer àqueles que me impulsionaram adiante.

É hora, mais do que nunca, de valorizar as amizades e os conhecimentos adquiridos aqui.

Um abraço,

domingo, 12 de outubro de 2014

O Nascimento Comemorado

Meu aniversário! O dia em que mudou a vida de muitas pessoas... meus pais. O dia em que eu fico mais velha. O dia em que eu ganho presentes. PRESENTES!

Então porque eu teria essa crise de depressão? Afinal, é justamente no dia do seu aniversário que pessoas que você pensava nem existir mais mandam uma mensagem e ainda falam que sentem saudades! Todo mundo sai te abraçando, falando sempre a mesma coisa: ''Parabéns, tudo de bom, felicidades, amor...'' Dão um sorriso e saem andando. Apesar do discurso já decorado é bom saber que as pessoas pelo menos tiveram o trabalho de lembrar de você. Ou não. Elas apenas viram algumas pessoas abraçando e gritando PARABÉNS! E vão lá como se tivessem lembrado.

Mesmo assim. Não suporto o dia do meu aniversário! Às vezes fico pensando porque eu não gosto de comemorar o dia que nasci se eu gosto tanto de festa, de sair, de conhecer pessoas e lugares... Pode parecer até contraditório, admito.

Eu odeio fazer aniversário. Odeio a ilusão incentivada que de esse é um dia especial, como um ano novo pessoal onde tudo o que importa é sua felicidade, seu bem estar, seus sonhos. Esquece! nada disso é real, esse dia não é só seu. Especialmente pra mim, que divido esse dia “tão especial” com todas as crianças do Brasil.

Mentira vai, nem odeio. Mas também não me sinto confortável nessa situação.

Todos os anos, assim que se aproxima a data do meu aniversário, um certo número de pessoas vêm me perguntar o que eu vou fazer no dia, onde vou comemorar, etc. Bom, como esse dia não me agrada nem um pouco, o esperado é que minha reação não seja das melhores. É claro que não vou ofender ninguém com as minhas tentativas de resposta, mas fica difícil convencer as pessoas sobre esse meu gosto atípico, pelo menos para a maioria das pessoas.

Eu conheço gente que simplesmente ama fazer aniversário. Diz que é o dia mais feliz do ano, que consegue se sentir querida, amada, ganhar presentes, se divertir, etc. Essa pessoa não sou eu por dois fatores: o que eu não pedi e o que eu não consigo evitar.

O que eu não pedi é a data. Sério, não desejo pra ninguém um aniversário no dia das crianças (nem quando se é criança!!!). Só consigo imaginar como deve ser linda a vida das pessoas que vieram ao mundo em um mês neutro, sem muita data comemorativa e sem ser férias num dia tranquilo de maio, num dia normal de agosto. Deve ser incrível.

O que eu não consigo evitar é esse meu jeitinho ansioso e babaca de ser. Enquanto a maioria das pessoas entende que aniversário é um dia em que seus entes queridos vão querer te parabenizar, te fazer sentir feliz por completar mais um ano de vida, eu só sinto pressão. Pressão porque tô ficando mais velha e tenho que fazer algo válido com a minha vida, pressão pra ser educada e responder com sorriso falso todos os parabéns. E principalmente a pressão por ter que curtir esse dia adoidado. Nunca curto.

O pior é que, nem quando eu tento, não consigo aproveitar loucamente. Em algum ano por exemplo (experiência desastrosa que nem lembro qual), tentei fazer do meu aniversário um marco (de vez em quando eu ainda tenho esses ímpetos de querer mudar minha vida. Não costuma durar muito). Sabe, eu me esforcei, e nada. Vida injusta.

Eu realmente só queria que não acontecesse nada que me deixasse irritada, nada que saísse dos planos. Me divertir? Prefiro deixar para os outros dias do ano. É um monte de gente que vem me dar os parabéns (parabéns por quê se eu não fiz nada?), é o celular tocando junto com sms, whatsapp, e-mail, mensagem no facebook... O que dá vontade mesmo é de sumir nesse dia! Já estou pensando em onde posso me esconder no domingo.

Tudo bem reunir amigos, almoçar em família, tudo bem sair pra se divertir, desde que não tenha nada a ver com essa data. Não consigo bancar a aniversariante empolgada. Tento encara-lo como mais um dia comum, mas ninguém deixa!

Por que eu teria mais motivos para agradecer mais do que nos outros dias?
Por que eu deveria esperar mais afetos das pessoas do que antes?

Sendo grata o ano inteiro todo dia se torna uma comemoração.
Cada dia é uma motivo de alegria, e assim a vida se torna mais legal.

Porém, mesmo que eu me sinta bem resolvida não gostando de aniversário ainda assim a obrigação e expectativa que to daqueles que eu gosto dificultam um pouco as coisas. Veja bem, por mais que eu não queria ver ninguém, nem fazer nada de especial minha família e principalmente minha filha insistem em se reunir pra celebrar, a despeito da minha vontade. Antes eu não tinha coragem de dizer não.Ficava pensando no que deveria fazer. É difícil negar o carinho de quem te ama e recusar o esforço de quem se importa com você.Mas por que sempre eu tenho que acatar o desejo de todos e ir contra as minhas vontades? Esse ano não dá. Eles vão ter que me entender! E quanto a minha filha, esse trauma ela vai ter que superar.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Retorno a atividade laboral


Agora apenas vivo com as consequências das minhas opções.

Não importa o quanto eu odeie o meu trabalho, o quanto eu exploda e chore. É lá que eu vou receber um valor monetário para sobreviver.

Minha dor é invisível e não pode ser detectada por exames laboratoriais ou de imagens.
Por sorte não existe nenhum manual normativo que impõe a ordem de ir trabalhar feliz.

Então como sou apenas uma máquina, que se claramente quebrada (o que não é o caso) pode ficar afastada para conserto, faço o meu trabalho com todo o ódio no coração e tristeza. Mas é de lá que eu recebo dinheiro e só existe essa maneira. Então não posso simplesmente abandona-lo, mas tenho todo o direito de não ficar bem.

Não tenho câncer. Não saio desmaiando por ai. Não fui atropelada por um carro e nem levei um tiro. Não estou em coma e nem em uma cama de hospital. Então tenho que aguentar as consequências das minhas escolhas.

Sou apenas uma máquina substituível por outra quando parar de funcionar e, ainda vivendo, eu não posso me dar esse luxo. Tenho dividas minhas e a do ladrão que me roubou.

Me irrita ver as pessoas querendo que eu fique bem. Sei que elas não se importam, apenas não querem que falte mais uma mão de obra. Mas essa mão de obra não vai mais faltar, vai trabalhar, vai chorar de dor mas vai estar ali, cumprindo as suas atribuições como máquina, dando resultados.

Resultados, isso! A única coisa que importa para a empresa. Lucros, dinheiro.

Não venham com preocupações sentimentais, com palavras bonitas, demonstrações de que se importam, quando eu sei muito bem que minha vida não importa para vocês apenas o meu rendimento.


Isso é tão verdade que se eu não estiver produzindo qualquer um pode chegar lá e tirar a minha função porque eu estou atrapalhando a equipe e prejudicando meus colegas (as outras maquinas de lucro). Frases que já escutei várias vezes.


Não vou participar de momentos sociáveis entre a equipe, muito menos de comemorações; Não tenho nenhum interesse em ser nada mais que uma maquina para vocês porque vocês pra mim são apenas as pessoas que pagam o meu salário e desculpem me, pessoas que tiveram o cérebro lavado pela empresa e acham que o mundo é lindo e cor de rosa, vocês não tem culpa de nada, a culpa é minha de ter escolhido o emprego errado e de precisar dele para viver.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Fall in Love Again

A paixão queima e, o desejo enlouquece.
E ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase se entregou...
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão da cabeça. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio da troca de olhares entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.  Quero viver aventuras, explorar , curtir mesmo que seja por um momento.
A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Talvez esses fossem os motivos para decidir entre a alegria e a dor ou apenas sentir o nada, mas não são. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Nua e crua


Durante todo o que me lembro da minha vida sempre dormi e me alimentei mal, com preguiça e auto-estima zerada. Sempre que podia me isolava, tinha constantes crises de choro, meu rendimento escolar era péssimo, faltava muita aula ou dava um jeito de ir embora cedo. 

Sempre tive dotes de fácil inteligência e aguçado raciocínio, além de timidez em expressar publicamente. Vivi de amores platônicos. Já fui criativa e inventiva, muito sonhadora e mais aventureira, daquelas que gosta de correr risco e encarar desafios. Gostava de viajar, cinema, arte, música e praia é comigo mesmo, mas sou também extremista naquilo que é meu e do outro. Gosto de presentear e fico tímida ao ser presenteada, companheirismo e amizade um dia foram meus fortes. Regularmente sou honesta, mas as vezes desonesta em emitir a essência da verdade em alguns momentos para não ferir pessoas, gosto de apreciar eletrônicos em seu interior e o mundo jurídico.

Apesar das coisas boas, sempre de uma hora para outra, sem motivo aparente, a alegria dava lugar à tristeza. Não tinha vontade de fazer absolutamente nada. Deixei de sair, de frequentar as aulas da faculdade e até de conversar com os meus amigos. A única atividade que ainda fazia era navegar na internet. Era uma forma de passar os dias, que eram cada vez mais longos e insuportáveis. Se não pudesse usar o computador, simplesmente deitava e ficava horas na cama e na TV.

Embora soubesse que não estava bem, não admitia que precisava de ajuda. Falava que apenas queria ficar quieta. Por muito tempo não procurei um médico, para mim era uma fraqueza moral que deveria ser enfrentada com força de vontade, até que não aguentei. Consultei uma psiquiatra, que identificou em mim depressão. Mesmo sem acreditar, confiei no profissional e fazia tudo o que ele dizia, tomava os remédios corretamente e fazia terapia. Mas me sentia fraca e envergonhada, não falava com quase ninguém sobre o meu problema. Algumas vezes que resolvi falar senti incompreensão de colegas e familiares. Depois abandonei o tratamento porque estava me sentindo bem e achava que o que tinha acontecido era besteira.

Após certo tempo, com um novo trabalho e grandes conquistas comecei a me irritar com coisas banais e quanto mais oportunidades de crescimento me surgiam inversamente era o meu rendimento profissional. Minha vida ficou uma droga quando me vi como uma profissional que eu próprio não admirava. Procurei novamente um médico, iniciei o tratamento, mas continuei a negar a doença até novamente interrompê-lo.

Me preocupo muito com minha imagem estigmatizada como alguém que faz corpo mole, é baixo-astral e sem pique. Quando resolvi fazer uma cirurgia não tão urgente para esconder a minha verdadeira incapacidade de ir trabalhar é que percebi quão grave estava a situação.

Muitas vezes tenho me resguardado em silêncio no isolamento de meu quarto para não trazer preocupações mais para família e gerar um somatório ainda mais elevado dos sentimentos de culpa, já que o companheiro inseparável da depressão, hospedeiro constante de minha corroída mente de desprezo, comungando com os mais ousados pensamentos de profunda solidão e desgosto. No entanto, tenho serias dificuldades em aceitar minha condição no contexto social e vivo atormentada sistematicamente pela ansiedade e oscilantes depressões.

O complicado é ter estímulo para recomeçar, acreditar em algo novo, reencontrar a felicidade. Diante de um processo de sensibilidade emocional desequilibrada e fragilizada, me sinto decepcionada, uma vergonha para a familia e colegas de trabalho. Minha mente afirma que não tenho mais credibilidade. Muitos me julgam, outros me definem e há aqueles que apenas criam a mulher descompromissada. O preconceito faz parte da minha vida.

Eu sou apenas uma farmacodependente que sobrevivo dia após dia. Minha personalidade está se destruindo gradativamente. Meu desinteresse em tudo – até mesmo em melhorar, que dá impressão que “não quero me ajudar” – chega a ser a parte mais cruéis disso tudo, pois acaba justamente com a minha credibilidade e minha vontade. Não é preguiça ou má vontade: as vezes simplesmente não consigo querer nada – nem melhorar. E isto resulta em um completo desânimo e isolamento de vida.

Não quero desistir de mim, mas abrir a mente para uma nova vida se torna impossível quando não existem oportunidades. Tento encontrar maneiras para sentir alegria, mas vivo em pleno estresse crônico, o que contrai e reduz o meu prazer em viver.

“Você acha que depressão é frescura? 
Você acha que o depressivo tem que reagir e não focar no problema? 
Você acha que você está imune à doença?
Se você respondeu sim a qualquer uma das perguntas acima você, assim como a maioria da população mundial, não sabe nada sobre a doença depressão, mas repete como papagaio as frases feitas que solidificam os pré-conceitos, e pior, passa a acreditar nelas. 

Você que não tem, não vai entender mesmo, mas não adianta dizer para o doente “não se concentrar no problema” ou o famoso “você tem que reagir!” Seria o mesmo que dizer para um paraplégico: “levante e corra! corra!”. Também não adianta dizer: “você precisa se ocupar”!
                        Não o recrimine, isso é doença!
Não insista para eu sair, pois tudo o que preciso é do apoio silencioso de alguém em quem confio. O melhor é se informar sobre o assunto, clarear as ideias, e vamos aproveitar para fazer um exercício muito bom para a humanidade: não julgar, não julgar, não julgar!” 
Fonte: http://www.pensamentosfilmados.com.br/br/depressao-e-frescura/

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Dor fisica x dor na alma

A dor não surge apenas por estimulação periférica,
mas também por uma experiência da alma,
que reside no coração". Platão
Por um momento comecei a sentir certo incômodo no abdomem, após um exame simples foi constatato uma pedrinha de 1cm dentro da vesícula. Após a consulta tentei, sem pedir ajuda, ou atrapalhar os afazeres de outras pessoas, fazer minha cirurgia. No entanto o meu esforço foi em vão, pois não se tratava de emergência, então tinha exames pré-operatórios e data marcada para a cirurgia.
No meio tempo desses acontecimentos por mais que eu tentasse esconder, minha familia descobriu o que estava ocorrendo e algumas pessoas começaram a me ligar e se dispor a me ajudar. Esses atos de preocupação e cuidade me fizeram sentir uma ENORME dor na alma. Por quê?
Porque não me acho merecedora da preocupação de ninguém e hoje senti que ver pessoas preocupadas dói mais do que qualquer outra coisa, me faz até esquecer da dor física que sinto. A fisica, consigo suportá-la, mas não suporto ver os outros preocupados comigo, acho que: não mereço, não vale a pena, é injusto alguém se preocupar com uma pessoa com tantos defeitos... Como alguém pode se preocupar com uma pessoa egoísta como eu? Como alguém pode gostar de quem não tem um pingo de amor próprio?
Uma dor tão grande, dor na alma, que aquela dorzinha fisica de um órgão interno tornou-se ínfima, suportável. E essa me deixou em prantos. Então resolvi refletir sobre o assunto e cheguei à conclusão que essa pedra foi causada por essa dor que eu insisto constantemente em aceitar.
O que podemos dizer sobre aquela dor que muitos definem como dor d'alma ou dor no coração, mas que, na verdade, não há nada que a comprove nos exames laboratoriais? É claro que muitos acreditam na dor, tanto física quanto emocional. Mas qual o significado da dor emocional?
A dor que vem de dentro, sem nenhum estímulo concreto externo; Na verdade, a dor emocional é uma só: ela depende exclusivamente de quem a sente, geralmente sentida em silêncio, no escuro do quarto, sem que ninguém mais saiba, porque em geral ela será reprimida se a expressar, assim como aprendemos desde crianças.
Eu nego essa dor, eu não acredito nela e mesmo que ela me machuque muito, no final me faz sentir como uma fraude. Como explicar aos outros o que os exames não mostram? Até que chegou o dia em que meu corpo reagiu e foi aos poucos criando uma pedrinha para que eu pudesse gritar bem alto: “- É real! Está aqui!” Foi necessário meu corpo produzir uma pedra dentro de mim para eu me sentir verdadeira, em dor.
Senti um grande alívio com a materialização, mesmo que por conta disso eu tenha que suportar dor.

A PIOR DOR É A DA ALMA

 "As dores que se alojam na alma, as dores que mexem com nossos sentimentos, como nossas perdas, indiferenças, humilhações e injustiças superam, muitas vezes, a dor física. É a dor mais profunda, é uma dor na alma. As feridas no corpo cicatrizam, o tempo pode apagá-las, mas as feridas na alma são sempre chagas abertas: à menor recordação, elas sangram." (Taís Luso de Carvalho)

terça-feira, 29 de abril de 2014

Para Familia

Familia,
Passada a raiva, só me restou o remorso. Disse coisas que não devia e por isso quero pedir desculpas.
Sei que devo desculpas. Tentei ser o melhor que podia, assumindo meu lado passivo, mas sempre, de repente, já estou agindo impulsivamente e o que não era para acontecer, acaba acontecendo.
O mais difícil de pedir perdão pelos meus erros é saber que o intuito de vocês sempre foi me proteger e guiar pelo caminho certo. Também sei como os magoei por trilhar caminhos tortuosos. Nem sempre as pessoas ferem voluntariamente. Muitas vezes eu que me sinto ferida e a pessoa nem mesmo percebeu; e me decepciono porque aquem não correspondeu às minhas expectativas. E muitas vezes nem mesmo sei quais são elas. Decepcionamo-nos e decepcionamos outras pessoas também.
Infelizmente não posso prometer mudar e tentar não cometer os mesmo erros, porque assim sou eu! Por isso tenho dúvidas de um pedido de desculpas sincero. O que eu tenho não me pertence, embora faça parte de mim. Prefiro a derrota prévia à dúvida da vitória, pois não acredito merecer.
Indago-me, às vezes, o que me leva a escolher uma vida morna... A resposta eu sei de cór: está estampada em mim: na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Me sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. E isso são bons motivos para decidir afastar a alegria e a dor, e prefrir sentir o nada.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que trago dentro de mim. Já que quem quase morre está vivo, quem quase vive já morreu. EU!
Mas uma certeza eu tenho: vocês terão uma vida mais tranquila e com menos preocupações com a minha ausência. Pelo menos fico aliviada em saber que isso eu vou fazer para a felicidade de todos.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Histórias da vida real

Era uma vez um Homem que, de uma hora para a outra, percebeu-se sem Perspectivas.
 Foi uma consciência muito repentina, e tão inesperada que pegou o Homem completamente de surpresa.
Naquele instante inicial, sua reação foi de choque, quase de terror; sentiu-se indefeso, exposto ao ridículo como alguém que sonha estar nu em um escritório ou em sala de aula.
Tratou de esconder sua falta de Perspectivas como pôde, disfarçando-a com sorrisos e frases de efeito, enquanto procurava um lugar no qual pudesse ficar sozinho e contemplar essa estranha e inesperada ausência.
Por mais que tentasse, foi incapaz o Homem de lembrar exatamente quando e como, no fim das contas, havia perdido suas Perspectivas. Teria ele, talvez, as esquecido dentro do ônibus, enquanto ia ou voltava do trabalho? Deixado alguma moça bela e perigosa levá-las consigo, entre beijos em uma pista de dança ou entre lençóis de uma cama de motel? Teria o Homem vendido suas Perspectivas em troca de uma casa bonita, um carro novo, um pouco de conforto, fins de semana livres, uma noite de sono? Ou talvez suas Perspectivas teriam simplesmente ido embora, cansadas de não servirem para nada, chateadas com a omissão do Homem, com sua falta de interesse e consideração Essa última ideia, em especial, enchia o Homem de medo; pois se suas Perspectivas o tinham abandonado por vontade própria, de nada adiantaria procurá-las, pois elas se recusariam a voltar. Terrível, aquela sensação. De qualquer modo, não sabia o Homem como havia se dado a perda de suas Perspectivas, e por dias e dias ficou a remoer essa ausência, tentando entender onde havia errado, buscando de novo e de novo respostas para uma pergunta que sequer era capaz de formular com clareza.
Depois de algum tempo, conformou-se o Homem a não ter mais Perspectivas, e voltou aos poucos ao convívio dos seus, tentando ao máximo portar-se como antes, ver as coisas como antes, agir como se nada tivesse se perdido pelo caminho. Mas era difícil: uma vez percebendo que não tinha Perspectivas consigo, ficava o Homem incapaz de agir como antes, quando as tinha por perto ainda que não as notasse. Além disso, a convivência com as pessoas, antes tão agradável, tornava-se para ele amarga, cinzenta, quase uma tortura dependendo do dia e da situação. Via pessoas cercadas de Perspectivas que as ignoravam quase completamente, outras inclusive já sem nenhuma Perspectiva a seu lado, e vê-las totalmente alheias provocava no Homem calafrios de ódio. Por que, em nome de Deus, não conseguia o Homem ser como aquelas pessoas, ignorar totalmente o fato de não mais ter Perspectivas, viver dias sem significado com a alegria dos que simplesmente não se importam? E os que tinham Perspectivas, e as cultivavam, esses enchiam o Homem de um desconsolo que beirava a depressão. Pois aqueles Homens e Mulheres lembravam a ele que talvez tivesse perdido as suas Perspectivas para sempre, algo que sentia ter sido valioso e agora temia nunca mais poder recuperar. Aquelas pessoas, que andavam felizes ao lado de suas Perspectivas, tinham sido mais sábias e atentas do que ele próprio, e ao Homem pesava como chumbo a dor dessa constatação.
O outono virou inverno, o inverno reacendeu-se na primavera, a primavera ardeu em chamas no verão – mas para o Homem sem Perspectivas tudo era a mesma coisa, todos os dias eram cinzentos, todas as horas arrastavam-se dolorosamente rumo a um futuro que nada mais era do que uma extensão insossa do presente. Convencido pela próprio tristeza de que jamais reencontraria suas Perspectivas, entregava-se o Homem a uma Vida sem viver, a uma espera amarga pelo último suspiro, torcendo talvez para que a névoa dos dias nublasse sua consciência e o fizesse esquecer, enfim, que um dia Perspectivas haviam estado presentes em sua existência. Esqueceu muitas coisas, nesses dias que passaram sem que ninguém os tivesse contado – mas foi incapaz o Homem de ignorar completamente aquele espaço vazio dentro de si, por mais que o tentasse preencher com o que quer que parecesse adequado no momento. Tentou anestesiá-lo com bebida, apagá-lo com distrações eletrônicas, esquecê-lo nos braços e carícias de mulheres sem nome. Tentou cansar-se, desgastar-se, exaurir a si mesmo até que nada restasse, até que pudesse apenas jogar-se na cama e dormir por um longo tempo, dormir uma vida inteira, acordar renovado e esquecido de tudo que não estava certo em si e no resto do mundo. Mas por maior que fosse o sono, sempre acabava despertando – e, por mais que dormisse, nunca havia sido o suficiente.