Por um lado, se a consideração das instâncias me leva a rejeitar todas as sugestões triviais da imaginação e a aderir ao entendimento essa rejeição, se executada com sucesso, seria perigosa, pois o entendimento, quando atua sozinho, subverte-se a si mesmo inteiramente, e não deixa o menor grau de evidência em qualquer proposição, seja filosofando ou na vida comum...
Será que temos, então, de estabelecer como máxima geral que nenhum raciocínio elaborado ou refinado deva ser aceito?...
Dessa forma excluiríamos totalmente toda ciência e toda filosofia... Se aceitamos tal princípio chegamos aos maiores absurdos. Se o recusamos em favor desses raciocínios, subvertemos inteiramente o entendimento humano. Reflexões muito refinadas têm pouco ou nenhuma influência em nós. Mas, elas ainda tem a sua influência...
Quando sou levada a meditar em meu quarto, ou em um passeio solitário, sinto a minha mente completamente absorta em si mesma, e me vejo naturalmente inclinado a conduzir a minha visão a todos esses assuntos sobre os quais encontrei tanto conflito. Não posso deixar de ter curiosidade acerca dessas tantas paixões e inclinações que atuam em mim e me governam.
Me sinto desconfortável em pensar que aprovo um objeto e desaprovo outro; que chamo algo de belo e algo de feio; que decido a respeito da verdade e da falsidade... sem saber com base em quais princípios eu procedo... Esses sentimentos surgem naturalmente em minha presente disposição... Sinto que deva ser uma perdedora no que concerne ao prazer; e essa é a minha origem.
Não volte
Há 2 anos

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