sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Decênio

Existia uma garota mimada, a vida inteira conseguia quase tudo o que queria, a ausência dos pais, ainda jovens, era recompensada com bens. Ela cresceu, achava que o mundo precisava obedecer as suas ordens, até mesmo com seus amigos era exigente. Completou 18 anos e queria um carro pra sair, era a primeira que tinha tirado carteira de motorista da turma, ela tinha que sair...
Era sexta feira a noite, ela queria sair de casa para festa, sua mãe, com muita prudência, lhe negara a emprestar o dela para sair a noite e isso foi motivo dela não dirigir mais a palavra COM SUA PRÓPRIA MÃE!
Um anjo falou pela boca de uma pessoa: fale com sua me, deixa de besteira, isso não vai resolver nada e amanha você pode não ter essa oportunidade. Ela não ligou, continuou emburrada de cara fechada.
No dia seguinte, quando estava acordando escutou choro de sua irmã dizendo: “acorda mãe”, levantou-se rapidamente e quando viu percebeu que era tarde demais... mesmo assim saiu pra buscar ajudar.
O hospital só serviu para dizer, sinto muito, tentamos de tudo mais não deu... um infarto, assim, dormindo, sem nenhum sintoma anterior, fatal!
Ela só pensou naquele carro que ela tanto queria, em sumir com ele, em conseguir dar perda total no carro e na sua vida, mas não encontrou a chave... que sua mãe escondera porque sabia que ela poderia sair escondida e foi o que salvou a sua vida.
Depois essa menina conseguiu o que queria: passou a ter um carro e muitas outras coisas, mas nada mais na vida dela fazia sentido.
Aquele dia estava sempre em sua mente, ela se sentia culpada, ela queria se desculpar, mas era tarde demais. De outra maneira, ela buscava sentido e ao mesmo tempo se perdia entre álcool e festas tentando fugir, tentando esquecer, até que um dia ela escolheu fugir pra bem longe e mais uma vez conseguiu.
Conseguiu fingir que a dor não existia, conseguiu levantar a sua vida, achar algum significado pra ela. Mas, um dia ela teve que voltar, teve que encarar todos novamente, teve que confrontar a dor que ela ainda sentia, lutou...
10 anos se passaram... a ferida ainda encontra-se aberta, ainda há dor, mas também há motivos para viver.
Ela sabe que não adianta ter tudo o que quer, ela tenta ser uma pessoa melhor...

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