Diante de uma nova oportunidade de trabalho que tem tudo a ver com minhas aspirações profissionais, estou partindo para um novo desafio. Mesmo me desligando do grupo, aqui fiz amigos – não apenas colegas – que levo como parte das minhas conquistas. Certamente, todas as vivências durante esse tempo me qualificaram como profissional e me tornaram uma pessoa melhor.
Inicio esse e-mail de despedida com o discurso de despedida de Bryan Dyson, ex-presidente da Coca-Cola:
“Imagine a vida como um jogo em que você esteja fazendo malabarismos com cinco bolas no ar. Estas são:
Trabalho – Família – Saúde – Amigos e Vida Espiritual, e você terá de mantê-las todas no ar. Logo você vai perceber que o Trabalho é como uma bola de borracha. Se soltá-la, ela rebate e volta. Mas as outras quatro bolas: Família, Saúde, Amigos e Espírito, são frágeis como vidros. Se você soltar qualquer uma destas, ela ficará irremediavelmente lascada, marcada, com arranhões, ou mesmo quebradas, vale dizer, nunca mais será a mesma.”
É importante perceber que o balanço é viver uma vida mais rica e intensa – e que seja mais agradável e significativa. Isso implica que o trabalho deve estar na perspectiva de uma das muitas coisas em que você quer se destacar,
mas não define quem você é. Nesse momento é hora de olhar para trás e ver por tudo o que já passei. Sem dúvida, muitas tristezas e conflitos, mas, felizmente, houve alguns bons momentos, de alegria, de vitórias e de cumplicidade.
Eu não podia imaginar as coisas que me aconteceriam, o início foi incerto, confuso e incomum, onde todos os estranhos fariam parte da minha vida, onde todos os cantos teriam histórias escondidas...
Um amigo me disse para ser honesta com vocês. Então, aqui vai.
Eu tentei buscar o equilíbrio de compromissos externos e tratá-los com o mesmo nível de dedicação que dei ao trabalho. No entanto, muita gente acha que equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é um problema pessoal a ser resolvido, e por isso as pessoas (como eu) que expõem esse pensamento publicamente ficam aprisionadas, ambivalentes, rotuladas de não compromissadas e incompetentes. É assim que me senti por muito tempo em tão pouco tempo de empresa.
Contudo, eu não deixei o trabalho tomar todo o meu tempo e as minhas energias, procurei alcançar o máximo de resultados positivos no tempo em que me fui determinado sem distrações ou enganação, mas não pude fazer nada alem da minha capacidade humana, mesmo sabendo que fazendo isso, os colegas da empresa não tinham uma boa imagem da minha pessoa.
Essa busca por uma vida equilibrada ofuscou no meu brilho, e contribuiu para ativar a percepção de que estava na função errada ou na empresa errada. E, cada dia foi se tornando mais difícil, pois toda a paixão que eu dedicava ao trabalho e a alegria que adquiria criando e colaborando com outros, no fim do dia, era menor, e tudo não passava de apenas mais um emprego.
Esse emprego não me abraçava quando eu estava triste, não cuidava de mim quando estava doente (muito pelo contrário me cobrava para ficar saudável como se eu que escolhesse ficar doente) e certamente não dava o amor e atenção que minha filha precisava.
Até que chegou o momento em que não encontrei meu lugar. Para cada porta que abria, duas batiam no meu rosto.
Na minha assiduidade vi pré-julgamentos infundados de pessoas que não procuravam saber a verdade e acreditavam em boatos. Acredito que o que houve na verdade não foi falta de assiduidade e compromisso da minha parte e sim falta de diálogo e confiança por parte da equipe.
Sei que, no dia a dia, muita gente que não está em condições faz um esforço adicional para ir trabalhar pra não causar má impressão, desconfianças ou para não sobrecarregar os colegas, há várias pesquisas nesse sentido é um novo fenômeno chamado
PRESENTEÍSMO. Eu não me preocupei com isso e sempre coloquei minha saúde (física e mental) em prioridade. Se eu não estivesse 100% dificilmente conseguiria levar a minha vida profissional avante. Além do mais algumas doenças não afetam apenas a minha produtividade e o meu trabalho, mas também o dos meus colegas, que poderiam facilmente contagiar.
Bem, chegou a hora. O momento na minha vida quando preciso ir para longe, pois aqui nada parece estar certo.
Isto é o que eu quero. Vou pegar a estrada.
Talvez porque eu encare tudo como uma lição.
Ou porque não quero andar por aí com raiva.
Ou talvez porque finalmente entendi que há coisas que não queremos que aconteça, mas temos que aceitar.
Coisas que não queremos saber, mas temos que aprender...
Contudo, devo esquecer aqueles que me impuseram obstáculos infundados e agradecer àqueles que me impulsionaram adiante.
É hora, mais do que nunca, de valorizar as amizades e os conhecimentos adquiridos aqui.
Um abraço,